Datafolha é contra 'selo de acurácia' de Nunes Marques
Diretora do instituto de pesquisas diz que novas regras não são necessárias e que proposta do ministro do TSE não garante se uma pesquisa será bem-feita
A diretora do Instituto Datafolha, Luciana Chong, classificou como desnecessária a proposta do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, de criar um “selo de acurácia” para institutos de pesquisas eleitorais. Em entrevista ao Poder Expresso, do SBT News, ela afirmou que a "premiação" para institutos que mais chegarem perto do resultado oficial das eleições não garantiria qualidade.
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"A gente se coloca contra. Eu sou contra, em nome do Datafolha. Qual é o papel da pesquisa eleitoral? A pesquisa eleitoral não é feita para que acerte o número final da eleição. O importante da pesquisa eleitoral é acompanhar o cenário eleitoral, todo o período. São várias fotografias que, ao final, vão contar a história da eleição. As pesquisas eleitorais são uma importante fonte de informação para o eleitor.... não é isso [selo] que vai garantir que uma pesquisa seja bem feita ou não", afirmou Luciana Chong.
A diretora do Datafolha argumenta que cada instituto deve ter a liberdade de apresentar ao eleitor a melhor forma de aferir os resultados das intenções de voto na disputa eleitoral. Ela explica que, além das redes sociais, do programa eleitoral e dos debates, a pesquisa é mais uma fonte de informação importante que o eleitor considera na hora de decidir o seu voto, que vai mudando ao longo da campanha. Segundo ela, os estudos científicos mostram que, cada vez mais, os eleitores deixam para definir o seu voto na última hora, "principalmente nos cargos que não são majoritários".
Chong argumenta ainda que, entre a última pesquisa divulgada na eleição — que costuma ser no sábado à tarde, na véspera da eleição — e o domingo de votação, "muitas coisas acontecem" e podem mudar o cenário que a pesquisa aponta. Para ela, a criação de uma espécie de "prêmio" para levantamentos que mais se aproximem dos resultados oficiais não garantiria uma boa pesquisa.
"O TSE já tem muitos instrumentos, os institutos já prestam contas para o TSE de tudo que é realizado. Quando a gente registra uma pesquisa, tem que colocar a amostra que vai ser realizada, metodologia utilizada, depois a gente tem que informar onde foi realizada a pesquisa. Então, todas as informações estão disponíveis já, não é necessário criar mais uma regra nova. Tudo que está ali já é disponível e muito transparente."
Chong também critica o fato da proposta de Nunes Marques chegar "em cima da hora", há poucas semanas antes de uma eleição "curta". "É uma discussão que não deveria ser feita agora", argumenta. Outro ponto criticado pela representante do Datafolha é a necessidade, segundo a proposta do TSE, de informar antecipadamente em que bairros as pesquisas serão feitas.
"Isso seria péssimo porque a gente tem que garantir que a pesquisa seja feita da melhor forma possível. Se eu informo os bairros antes, a chance de interferência é muito grande, porque todo mundo vai saber onde estão os pesquisadores e isso pode ter uma interferência muito grande na pesquisa. E aí, sim, a pesquisa não vai ser bem feita, e não vai refletir a realidade", complementa a diretora do Datafolha.
Engajamento do eleitor e rejeição
Questionada sobre a "calcificação" das pesquisas, que mostram o presidente Lula (PT) à frente de Flávio Bolsonaro (PL), e sobre o fato de a rejeição e aprovação de ambos estarem praticamente estáveis (empatados na margem de erro) desde o início da pré-campanha, Luciana Chong diz que o eleitor ainda não se engajou nas campanhas.
Um exemplo disso é que os dados de voto espontâneo mostram alto índice de desconhecimento - quando os eleitores não conseguem responder o nome de quem vai votar nas eleições de outubro sem receber uma lista prévia. Segundo Chong, há mais eleitores indecisos em 2026.
"Com o início da campanha, isso pode mudar. O eleitor deve se engajar mais na eleição, porque até agora o engajamento tem sido menor do que há quatro anos", afirmou.
Chong complementa que a campanha no rádio e na tv "ainda é importante" e as redes sociais "costumam ser vistas com mais desconfiança", devido aos altos índices de fake news.
“Sempre o incumbente, quando está à reeleição, melhora seus índices de aprovação durante a campanha” porque tem mais tempo de mostrar o que fez no poder", diz a diretora do Datafolha. "Isso aconteceu com Bolsonaro durante a campanha de 2022, mas ele acabou perdendo", complementa.
Voto feminino
Atualmente, as mulheres são maioria dos eleitores no Brasil (53%) e há uma tendência, desde 2028, do eleitorado feminino se identificar com propostas à esquerda, na busca por um candidato, segundo Chong. "É uma tendência mundial, não só no Brasil".
Segundo a diretora do DataFolha, é importante para qualquer candidato apresente propostas que fazem sentido para mulheres. As pesquisas recentes mostram que o tema mais importante para as mulheres é "saúde", enquanto os homens se preocupam mais com a "segurança".
Datafolha é contra 'selo de acurácia' de Nunes Marques Diretora do instituto de pesquisas diz que novas regras não são necessárias e que proposta do ministro do TSE não garante se uma pesquisa será bem-feita Política2026-07-27T22:03:10.324ZA diretora do Instituto Datafolha, Luciana Chong, classificou como desnecessária a proposta do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, de . Em entrevista ao Poder Expresso, do SBT News, ela afirmou que a "premiação" para institutos que mais chegarem perto do resultado oficial das eleições não garantiria qualidade. "A gente se coloca contra. Eu sou contra, em nome do Datafolha. Qual é o papel da pesquisa eleitoral? A pesquisa eleitoral não é feita para que acerte o número final da eleição. O importante da pesquisa eleitoral é acompanhar o cenário eleitoral, todo o período. São várias fotografias que, ao final, vão contar a história da eleição. As pesquisas eleitorais são uma importante fonte de informação para o eleitor.... não é isso [selo] que vai garantir que uma pesquisa seja bem feita ou não", afirmou Luciana Chong. A diretora do Datafolha argumenta que cada instituto deve ter a liberdade de apresentar ao eleitor a melhor forma de aferir os resultados das intenções de voto na disputa eleitoral. Ela explica que, além das redes sociais, do programa eleitoral e dos debates, a pesquisa é mais uma fonte de informação importante que o eleitor considera na hora de decidir o seu voto, que vai mudando ao longo da campanha. Segundo ela, os estudos científicos mostram que, cada vez mais, os eleitores deixam para definir o seu voto na última hora, "principalmente nos cargos que não são majoritários". Chong argumenta ainda que, entre a última pesquisa divulgada na eleição — que costuma ser no sábado à tarde, na véspera da eleição — e o domingo de votação, "muitas coisas acontecem" e podem mudar o cenário que a pesquisa aponta. Para ela, a criação de uma espécie de "prêmio" para levantamentos que mais se aproximem dos resultados oficiais não garantiria uma boa pesquisa. "O TSE já tem muitos instrumentos, os institutos já prestam contas para o TSE de tudo que é realizado. Quando a gente registra uma pesquisa, tem que colocar a amostra que vai ser realizada, metodologia utilizada, depois a gente tem que informar onde foi realizada a pesquisa. Então, todas as informações estão disponíveis já, não é necessário criar mais uma regra nova. Tudo que está ali já é disponível e muito transparente." Chong também critica o fato da proposta de Nunes Marques chegar "em cima da hora", há poucas semanas antes de uma eleição "curta". "É uma discussão que não deveria ser feita agora", argumenta. Outro ponto criticado pela representante do Datafolha é a necessidade, segundo a proposta do TSE, de informar antecipadamente em que bairros as pesquisas serão feitas. "Isso seria péssimo porque a gente tem que garantir que a pesquisa seja feita da melhor forma possível. Se eu informo os bairros antes, a chance de interferência é muito grande, porque todo mundo vai saber onde estão os pesquisadores e isso pode ter uma interferência muito grande na pesquisa. E aí, sim, a pesquisa não vai ser bem feita, e não vai refletir a realidade", complementa a diretora do Datafolha. Engajamento do eleitor e rejeição Questionada sobre a "calcificação" das pesquisas, que mostram o presidente Lula (PT) à frente de Flávio Bolsonaro (PL), e sobre o fato de a rejeição e aprovação de ambos estarem praticamente estáveis (empatados na margem de erro) desde o início da pré-campanha, Luciana Chong diz que o eleitor ainda não se engajou nas campanhas. Um exemplo disso é que os dados de voto espontâneo mostram alto índice de desconhecimento - quando os eleitores não conseguem responder o nome de quem vai votar nas eleições de outubro sem receber uma lista prévia. Segundo Chong, há mais eleitores indecisos em 2026. "Com o início da campanha, isso pode mudar. O eleitor deve se engajar mais na eleição, porque até agora o engajamento tem sido menor do que há quatro anos", afirmou. Chong complementa que a campanha no rádio e na tv "ainda é importante" e as redes sociais "costumam ser vistas com mais desconfiança", devido aos altos índices de fake news. “Sempre o incumbente, quando está à reeleição, melhora seus índices de aprovação durante a campanha” porque tem mais tempo de mostrar o que fez no poder", diz a diretora do Datafolha. "Isso aconteceu com Bolsonaro durante a campanha de 2022, mas ele acabou perdendo", complementa. Voto feminino Atualmente, as mulheres são maioria dos eleitores no Brasil (53%) e há uma tendência, desde 2028, do eleitorado feminino se identificar com propostas à esquerda, na busca por um candidato, segundo Chong. "É uma tendência mundial, não só no Brasil". Segundo a diretora do DataFolha, é importante para qualquer candidato apresente propostas que fazem sentido para mulheres. As pesquisas recentes mostram que o tema mais importante para as mulheres é "saúde", enquanto os homens se preocupam mais com a "segurança". São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/datafolha-e-contra-selo-de-acuracia-de-nunes-marques
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