Estresse além do limite? Veja sinais de alerta e como evitar o esgotamento
Especialista explica como diferenciar o estresse produtivo do crônico em meio ao aumento de afastamentos no Brasil


Camilly Rosaboni
Com a rotina acelerada, o estresse passou a fazer parte do cotidiano de muita gente. Mas ele nem sempre é um vilão. Apesar de causar desconforto, pode ter um papel importante no desenvolvimento humano — desde que não se torne constante.
O Brasil registrou, em 2025, mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, segundo o Ministério da Previdência Social — um aumento de 15,66% em relação a 2024, quando foram concedidos 472.328 benefícios. Os principais motivos continuam sendo transtornos de ansiedade e episódios depressivos.
Ainda assim, é fundamental diferenciar o estresse que impulsiona daquele que adoece. Segundo o psiquiatra Daniel Sócrates, doutor pela Universidade Federal de São Paulo, existe um nível saudável de estresse. “Há um tipo de estresse que é natural e até necessário para o desempenho. O problema começa quando ele deixa de ser pontual e se torna crônico”, explica.
Como diferenciar o estresse produtivo do que adoece?
O chamado estresse produtivo — também conhecido como positivo — está ligado a momentos de desafio e adaptação. Ele pode aumentar o foco, a energia e a capacidade de tomar decisões.
“Uma apresentação importante, um novo projeto ou uma meta desafiadora podem gerar esse tipo de ativação. É o corpo se preparando para performar melhor”, afirma Sócrates.
O problema surge quando esse estado deixa de ser temporário e passa a ser permanente. “O organismo não foi feito para viver em alerta contínuo. Quando isso acontece, o estresse deixa de ser funcional e se torna tóxico”, alerta. Nesses casos, pode evoluir para quadros como ansiedade generalizada, exaustão emocional e burnout.
Entre os principais sinais de alerta, estão:
- Cansaço constante, mesmo após descanso;
- Irritabilidade e dificuldade de concentração;
- Sensação de sobrecarga permanente;
- Alterações no sono;
- Queda de desempenho;
- Falta de prazer em atividades antes prazerosas.
Segundo o médico, um dos sinais mais importantes é a dificuldade de recuperação. “A pessoa descansa, mas não melhora. Isso indica que o corpo já entrou em um estado de esgotamento”, explica.
Do ponto de vista biológico, o estresse prolongado afeta diretamente o cérebro. A liberação contínua de cortisol — conhecido como o hormônio do estresse — pode comprometer áreas ligadas à memória, ao foco e à regulação emocional.
“Com o tempo, o cérebro entra em um modo de sobrevivência. Isso reduz a criatividade, a clareza mental e a capacidade de tomar decisões estratégicas — justamente o oposto do que se espera de profissionais de alta performance”, destaca.
Como controlar o estresse
Cuidar do nível de estresse é essencial para a saúde física e mental. O primeiro passo é reconhecer os sinais e adotar estratégias de proteção.
Entre as principais orientações, estão:
- Diferencie urgência de excesso: nem tudo precisa ser resolvido imediatamente.
- Estabeleça pausas reais: intervalos sem estímulos são essenciais para o cérebro se recuperar.
- Observe seu corpo: cansaço persistente não é normal — é sinal.
- Reavalie limites: alta performance não deve significar exaustão constante.
- Procure ajuda especializada: intervenção precoce evita quadros mais graves.
“Alta performance sustentável não é sobre aguentar mais — é sobre saber a hora de parar, ajustar e se recuperar”, finaliza o psiquiatra.
*Sob supervisão









