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Caso Bruno e Dom: mandante de assassinato irá a júri popular

Justiça Federal aceita denúncia do MPF e determina que Rubens Villar Coelho, o "Colômbia", seja julgado pelos assassinatos em junho de 2022

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Antonio Souza
08/06/2026, 22:58 • Atualizado em 08/06/2026, 22:58
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Caso Bruno e Dom: mandante de assassinato irá a júri popular

A Justiça Federal aceitou a denúncia e decidiu levar a júri popular Rubens Villar Coelho, conhecido como "Colômbia", apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como mandante dos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips.

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A decisão acolheu integralmente a denúncia apresentada pelo MPF em junho de 2025, que acusa o réu pelos crimes de duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Bruno e Dom foram vistos pela última vez em 5 de junho de 2022, numa embarcação que seguiria para Atalaia do Norte, no Amazonas. Os restos mortais foram encontrados dez dias depois, em 15 junho, após Amarildo da Costa Oliveira confessar envolvimento no crime.

Segundo a perícia, eles foram mortos a tiros, esquartejados, queimados e, em seguida, enterrados.

Segundo o MPF, a decisão representa um avanço importante na responsabilização de todos os envolvidos no caso. A pronúncia é uma etapa do processo em que a Justiça entende haver indícios suficientes para que o acusado seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. Com a decisão, encerra-se a primeira fase do rito do júri.

Agora, a defesa ainda poderá apresentar recursos. Após o esgotamento dos prazos legais, a Justiça dará início à segunda etapa do processo, quando será marcada a data do julgamento popular.

Caso Bruno e Dom

 A Universidade de Brasília (UnB) realizou, homenagem para lembrar um ano do caso em 2023 | Reprodução Valter Campanato/Agência Brasil
A Universidade de Brasília (UnB) realizou, homenagem para lembrar um ano do caso em 2023 | Reprodução Valter Campanato/Agência Brasil

Bruno Pereira e Dom Phillips foram mortos a tiros em 5 de junho de 2022, em Atalaia do Norte (AM). Dom planejava entrevistar lideranças indígenas e ribeirinhos para um livro chamado "Como Salvar a Amazônia". Bruno, um indigenista experiente, havia deixado a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em 2020, e, desde então, trabalhava como consultor técnico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).

Era o trabalho de Bruno guiar o jornalista britânico. Corpos foram encontrados em 15 de junho.

Em julho de 2022, dois meses após os crimes, o MPF denunciou três pessoas pelos assassinatos: Amarildo da Costa Oliveira (conhecido pelo “Pelado”), Oseney da Costa de Oliveira (“Dos Santos”) e Jefferson da Silva Lima (“Pelado da Dinha”). Os três foram acusados de duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver e presos preventivamente.

A Justiça aceitou a denúncia e decidiu que dois deles – Amarildo e Jefferson – passariam por júri popular. O Ministério Público recorreu para que Oseney também seja julgado pelo tribunal do júri.

Amarildo e Jefferson continuam presos e Oseney aguarda a finalização do julgamento do caso em prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico.

Em junho de 2024, a Justiça Federal aceitou a denúncia do MPF contra outros cinco homens, acusados de participar na ocultação dos corpos de Bruno e Dom. Dos cinco réus – Francisco Conceição de Freitas, Eliclei Costa de Oliveira, Amarílio de Freitas Oliveira, Otávio da Costa de Oliveira e Edivaldo da Costa de Oliveira – os quatro últimos responderão, ainda, por corrupção de menor, por terem convencido um jovem com menos de 18 anos a participar do crime.

Até o momento não há data de julgamento desses acusados.

O MPF não divulga o nome do mandante, apontado como Ruben Dario Villar, conhecido como "Colômbia", mas pede que o sigilo sobre os autos seja levantado, para que mais informações possam ser divulgadas.

A denúncia do MPF contra o mandante foi apresentada ao juízo da Subseção Judiciária Federal de Tabatinga (AM), onde o processo tramita.

Outros acusados

Em julho de 2022, dois meses após os crimes, o Ministério Público Federal denunciou três pessoas pelos assassinatos: Amarildo da Costa Oliveira (conhecido pelo “Pelado”), Oseney da Costa de Oliveira (“Dos Santos”) e Jefferson da Silva Lima (“Pelado da Dinha”). Os três foram acusados de duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver e presos preventivamente.

A Justiça aceitou a denúncia e decidiu que dois deles – Amarildo e Jefferson – passariam por júri popular. O Ministério Público recorreu para que Oseney também seja julgado pelo tribunal do júri.

Amarildo e Jefferson continuam presos e Oseney aguarda a finalização do julgamento do caso em prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico.

Em junho de 2024, a Justiça Federal recebeu a denúncia do MPF contra outros cinco homens, acusados de participar na ocultação dos corpos de Bruno e Dom. Dos cinco réus – Francisco Conceição de Freitas, Eliclei Costa de Oliveira, Amarílio de Freitas Oliveira, Otávio da Costa de Oliveira e Edivaldo da Costa de Oliveira – os quatro últimos responderão, ainda, por corrupção de menor, por terem convencido um jovem com menos de 18 anos a participar do crime.

Manifestação do governo

Em visita à França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou o crime. "Esta data também é um triste marco para os que lutam pelo meio ambiente e os povos indígenas. Há três anos, Bruno Pereira e Dom Phillips, dois gigantes na defesa da Amazônia, foram covardemente assassinados", disse, lembrando também o trabalho de preservação do fotógrafo Sebastião Salgado, morto recentemente. "A melhor maneira de honrá-los é garantir que suas lutas não foram em vão e assegurar que permaneceremos firmes na defesa da democracia, da paz e do desenvolvimento sustentável".

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