Política

Vacina suspensa foi aplicada em meio milhão de pessoas

Ministério da Saúde identificou 42 episódios de reação adversa e investiga duas mortes; casos representam só 0,008% do total

Avatar de Victor Schneider
Victor Schneider
08/06/2026, 22:33 • Atualizado em 08/06/2026, 23:22
compartilhar
Homem receba imunizante na rede primária de saúde |  Rafael Nascimento/MS

Homem receba imunizante na rede primária de saúde | Rafael Nascimento/MS

A vacina contra a dengue suspensa nesta segunda-feira (8) pelo Ministério da Saúde foi aplicada em meio milhão de brasileiros de janeiro até o fim de maio. A prioridade foi para profissionais da atenção primária à saúde, que receberam 417,4 mil doses, ou 83% do total.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Os outros 83,6 mil imunizantes produzidos pelo Instituto Butantan foram aplicados dentro da estratégia ampliada de vacinação nos municípios de Botucatu (SP), Nova Lima (MG) e Maranguape (CE), além da região de Araguaína (TO), que entrou no programa em março.

Ao todo, o governo federal contabilizou 3.703 casos em que imunizados registraram sintomas compatíveis com a dengue, como febre alta, dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dores nas articulações, manchas vermelhas na pele, náuseas e cansaço extremo. Esse volume representa 0,7% dos vacinados.

42 casos foram considerados severos, em que houve dor abdominal, vômito persistente e sangramentos, associados à versão grave da dengue. Esses episódios levaram a três internações em unidades intensivas, com duas terminando em morte, todos de profissionais da atenção primária. Ainda assim, essa fatia representa só 0,008% do total de vacinados.

Conforme informou nesta segunda o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os casos serão investigados e ainda não há informações suficientes para atribuir correlação entre a vacina e mortes, mas a decisão foi por suspender temporariamente as aplicações em todo o Sistema Único de Saúde (SUS).

Padilha afirmou que as reações foram "absolutamente inesperadas" e não haviam sido identificadas nos estudos clínicos ou nas fases 2 e 3 dos testes da vacina, que antecedem a aprovação pela Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária).

Esses imunizantes foram produzidos nacionalmente e não tem relação com os lotes encomendados da chinesa WuXi Vaccines, que firmou contrato com o governo federal para alavancar a produção das vacinas de olho no segundo semestre.

Dados do governo mostram que foram administradas 501.044 doses da vacina Butantan-DV de 17 de janeiro a 30 de maio, com 417.432 em profissionais de saúde e 83.612 nas cidades escolhidas para os testes iniciais da vacinação ampliada. O público-alvo focou em brasileiros de 15 a 59 anos.

Para quem tomou a vacina nos últimos 21 dias, a recomendação é manter estado de monitoramento para evolução de sintomas associados à dengue.

A Butantan-DV, de dose única, foi aprovado em novembro do ano passado pela Anvisa após análise dos dados de cinco anos de acompanhamento dos 16 mil participantes voluntários do ensaio clínico.

Casos graves

Conforme o Ministério da Saúde, os três episódios considerados mais graves ocorreram entre março e abril:

  • Caso 1: mulher de 39 anos apresentou febre, mialgia e náuseas seis dias após receber a vacina. O quadro evoluiu para sintomas compatíveis com dengue grave, incluindo choque, levando à internação em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). A paciente respondeu positivamente ao tratamento e recebeu alta hospitalar;
  • Caso 2: mulher de 48 anos imunizada desenvolveu sintomas de dengue grave, que evoluiu para um quadro de meningoencefalite 19 dias depois, levando ao óbito;
  • Caso 3: um homem de 58 anos apresentou quadro febril cinco dias após receber a vacina. A condição progrediu para sintomas de dengue grave, acompanhados de choque refratário, levando ao óbito.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Caso Bruno e Dom: mandante de assassinato irá a júri popular

Caso Bruno e Dom: mandante de assassinato irá a júri popular

Imagem da notícia: Após impor sigilo, governo publicará autorização de bets

Após impor sigilo, governo publicará autorização de bets

Imagem da notícia: MP denuncia ex-professor da USP por estupro e outros crimes

MP denuncia ex-professor da USP por estupro e outros crimes

Imagem da notícia: Justiça é alvo de movimentos autoritários, diz Fachin

Justiça é alvo de movimentos autoritários, diz Fachin

Imagem da notícia: Caso Bruno e Dom: mandante de assassinato irá a júri popular

Caso Bruno e Dom: mandante de assassinato irá a júri popular

Imagem da notícia: Após impor sigilo, governo publicará autorização de bets

Após impor sigilo, governo publicará autorização de bets

Imagem da notícia: MP denuncia ex-professor da USP por estupro e outros crimes

MP denuncia ex-professor da USP por estupro e outros crimes

Imagem da notícia: Justiça é alvo de movimentos autoritários, diz Fachin

Justiça é alvo de movimentos autoritários, diz Fachin

Últimas notícias

Rio estima recuperar R$ 1,4 bilhão aplicado no Master

Governador em exercício também afirmou que estado deve aderir ao Propag no prazo e negocia uso de crédito da Petrobras

Trump indica Todd Blanche para comandar Justiça dos EUA

Atual interino e ex-advogado pessoal do republicano é formalmente indicado ao cargo em meio à forte resistência no Senado

Vacina da dengue suspensa: tomei o imunizante, e agora?

Ministério da Saúde recomenda observação por 21 dias após vacinação; especialistas afirmam que não há motivo para pânico e explicam suspensão

Ibovespa fecha em leve queda e dólar vai a R$ 5,18

As bolsas de Nova York recuperaram parte das perdas registradas na sessão anterior e encerraram o pregão desta segunda-feira em direções opostas

Butantan mantém estudos após vacina de dengue suspensa

Aplicação foi interrompida pelo Ministério da Saúde após reações adversas; três internações e dois óbitos estão sob investigação

Juiz dos EUA barra taxa de R$ 520 mil para emissão de visto

Leo Sorokin decidiu que Trump não tinha autoridade para impor a cobrança para a concessão de vistos H-1B, destinados a profissionais estrangeiros qualificados