Política

Vice de Flávio frustra Faria Lima: 'balde de água fria'

Faria Lima esperava que o senador Flávio Bolsonaro escolhesse o seu coordenador de campanha, Rogério Marinho, para o cargo de vice

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Valentina Moreira, Nathalia Fruet
Alfredo Gaspar (PL-AL) | Divulgação/Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Alfredo Gaspar (PL-AL) | Divulgação/Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Integrantes do principal centro financeiro do país, a Faria Lima, têm criticado sob reserva a escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor a chapa de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa à Presidência. A decisão frustrou a expectativa de que o senador optasse por Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a sua campanha eleitoral.

Marinho era visto como a melhor opção para o mercado financeiro depois que Flávio não conseguiu coligar com o partido Republicanos e precisou desistir de Daniella Marques.

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O nome do senador para a vaga de vice já era discutido na Faria Lima antes do entrave, mas enfrentava resistência devido à sua atuação no governo Bolsonaro, quando entrou em conflito com decisões do então ministro da Fazenda, Paulo Guedes. Apesar disso, contava a seu favor o fato de ter sido relator da Reforma Trabalhista, aprovada durante o governo Michel Temer, além de ter uma boa articulação com o empresariado.

Às vésperas do anúncio, Marinho passou a ser o preferido da Faria Lima, que apostou na sua escolha em detrimento de Priscila Costa (PL-CE), deputada federal que também estava a lista de cotados. Havia ainda a esperança de que Michelle Bolsonaro entrasse na chapa para melhorar as chances eleitorais de Flávio.

A realidade foi na contramão do que o mercado desejava. Na quarta-feira (5), o filho 01 do ex-presidente anunciou que Gaspar ficaria com a vaga, escolha considerada um “balde de água fria” pelas pessoas consultadas pela reportagem. O deputado tem trajetória distante do meio empresarial e sua indicação foi lida como um aceno para conchavos políticos com o Centrão, em especial porque sua candidatura como vice favorece a disputa de Arthur Lira ao Senado por Alagoas.

O engajamento de Michelle também não aconteceu: o evento de anúncio ocorreu sem a presença da ex-primeira-dama, que decidiu ficar em casa cuidando do ex-presidente Jair Bolsonaro. Com isso, há uma leitura que Flávio está colocando em risco a sua competitividade contra o presidente Lula (PT).

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