Tarifas: Lula usa soberania como falsa narrativa, diz Flávio
Senador vai participar de audiência na terça (7) e falará contra incidência das sobretaxas; empresários veem ação com pouco efetividade e foco político


Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro e Donald Trump em visita realizada à Casa Branca no início de junho | Reprodução
Às vésperas de participar de audiência pública nos Estados Unidos contra o tarifaço sobre produtos brasileiros, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse nesta segunda-feira (6) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se aproveita da ameaça para criar uma "falsa narrativa de defesa da soberania" brasileira. As audiências precedem a decisão final sobre as sobretaxas, prevista para ser comunicada em 15 de julho.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio também criticou Lula por não enviar representantes do governo para falar na sessão, que discutirá entre terça (7) e quarta (8) se haverá ou não a aplicação das tarifas. O senador está em Washington D.C. e tem participação prevista na audiência de terça em argumentação sucinta, de cinco minutos, com pedidos para que a punição não seja aplicada.
“Eu queria entender o que passa na cabeça de uma pessoa que não enxerga a força que o Lula faz para que os produtos brasileiros sejam tarifados pelos Estados Unidos para ele usar a falsa narrativa de defesa da soberania. Ele está se lixando para a soberania brasileira. Por causa do efeito Lula é que hoje o Brasil tem chance de ser tarifado", disse Flávio no vídeo.
Na última semana, o senador já enviado carta aos EUA sugerindo, entre outras medidas, retirar o Brasil do Mercosul caso eleito presidente em troca de livrar o país das taxas.
Por sua vez, o governo brasileiro acionou a Embaixada nos EUA para acompanhar as sessões como observador, já que o Itamaraty vê essas audiências como um rito restrito a entes do setor privado, como empresários, e prefere manter as tratativas com os americanos por vias oficias, a nível de governo.
Como mostrou a coluna da Raquel Landim, outros empresários brasileiros com participação prevista nas audiências veem pouca efetividade na participação de Flávio. Para eles, a ação é mais voltada à política interna brasileira, já que a família Bolsonaro tem sido responsabilizada pelas tarifas dada as articulações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro com a Casa Branca e o timing do anúncio das tarifas poucos dias após visita de Flávio ao americano Donald Trump.
A tarifa em análise sobre os produtos brasileiros foi proposta em junho pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas desleais e prejudiciais ao comércio americano. Entre os pontos citados estão críticas ao Pix, à política de combate à corrupção, às tarifas sobre a importação de etanol, à proteção da propriedade intelectual e ao desmatamento ilegal, entre outros temas.
O USTR sugeriu sobretaxa de 25% sobre as exportações que chegarão aos Estados Unidos. Estão de fora dessa cobrança produtos como carnes bovinas, café, suco de laranja e peças de aeronaves, que compõem parte relevante das vendas brasileiras e trouxeram impacto à inflação doméstica americana durante a vigência do último tarifaço no ano passado.














