Política

Tarifas: Lula usa soberania como falsa narrativa, diz Flávio

Senador vai participar de audiência na terça (7) e falará contra incidência das sobretaxas; empresários veem ação com pouco efetividade e foco político

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SBT News
06/07/2026, 20:42 • Atualizado em 06/07/2026, 20:43
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Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro e Donald Trump em visita realizada à Casa Branca no início de junho | Reprodução

Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro e Donald Trump em visita realizada à Casa Branca no início de junho | Reprodução

Às vésperas de participar de audiência pública nos Estados Unidos contra o tarifaço sobre produtos brasileiros, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse nesta segunda-feira (6) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se aproveita da ameaça para criar uma "falsa narrativa de defesa da soberania" brasileira. As audiências precedem a decisão final sobre as sobretaxas, prevista para ser comunicada em 15 de julho.

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Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio também criticou Lula por não enviar representantes do governo para falar na sessão, que discutirá entre terça (7) e quarta (8) se haverá ou não a aplicação das tarifas. O senador está em Washington D.C. e tem participação prevista na audiência de terça em argumentação sucinta, de cinco minutos, com pedidos para que a punição não seja aplicada.

“Eu queria entender o que passa na cabeça de uma pessoa que não enxerga a força que o Lula faz para que os produtos brasileiros sejam tarifados pelos Estados Unidos para ele usar a falsa narrativa de defesa da soberania. Ele está se lixando para a soberania brasileira. Por causa do efeito Lula é que hoje o Brasil tem chance de ser tarifado", disse Flávio no vídeo.

Na última semana, o senador já enviado carta aos EUA sugerindo, entre outras medidas, retirar o Brasil do Mercosul caso eleito presidente em troca de livrar o país das taxas.

Por sua vez, o governo brasileiro acionou a Embaixada nos EUA para acompanhar as sessões como observador, já que o Itamaraty vê essas audiências como um rito restrito a entes do setor privado, como empresários, e prefere manter as tratativas com os americanos por vias oficias, a nível de governo.

Como mostrou a coluna da Raquel Landim, outros empresários brasileiros com participação prevista nas audiências veem pouca efetividade na participação de Flávio. Para eles, a ação é mais voltada à política interna brasileira, já que a família Bolsonaro tem sido responsabilizada pelas tarifas dada as articulações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro com a Casa Branca e o timing do anúncio das tarifas poucos dias após visita de Flávio ao americano Donald Trump.

A tarifa em análise sobre os produtos brasileiros foi proposta em junho pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas desleais e prejudiciais ao comércio americano. Entre os pontos citados estão críticas ao Pix, à política de combate à corrupção, às tarifas sobre a importação de etanol, à proteção da propriedade intelectual e ao desmatamento ilegal, entre outros temas.

O USTR sugeriu sobretaxa de 25% sobre as exportações que chegarão aos Estados Unidos. Estão de fora dessa cobrança produtos como carnes bovinas, café, suco de laranja e peças de aeronaves, que compõem parte relevante das vendas brasileiras e trouxeram impacto à inflação doméstica americana durante a vigência do último tarifaço no ano passado.

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