Relator diz que é preciso investigar condutas de Onyx Lorenzoni na fraude do INSS
Apesar de não indiciar ex-ministro da Previdência de Bolsonaro, deputado Alfredo Gaspar sustenta que é necessário aprofundar as investigações


Nathalia Fruet
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar, recomendou que a Polícia Federal aprofunde as investigações sobre a conduta do ex-ministro de Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, no esquema que fraudou empréstimos de aposentados do INSS.
O parlamentar sustenta no relatório apresentado nesta sexta-feira (27) que foi Lorenzoni quem bancou a indicação de José Carlos Oliveira para o Ministério da Previdência, quando o político gaúcho deixou a pasta para disputar a eleição de 2022 e que, sob a gestão de Onyx, Oliveira ocupou cargos-chave no INSS, como para a diretoria de benefícios e depois para a presidência do INSS.
Alberto Gaspar afirma que foi durante o período que Oliveira estava nessas funções que aconteceu o desbloqueio irregular de R$ 15 milhões para uma das instituições que participava do esquema, e que foi também nesse período que investigações internas sobre as irregularidades foram encerradas sem a devida explicação sobre os desvios.
Segundo o relator, Oliveira (posteriormente denominado Ahmed Mohamad Oliveira Andrade) foi identificado pela PF como um dos "pilares institucionais" do esquema fraudulento.
Ainda segundo Gaspar, o indicado por Onyx para a diretoria de benefícios do INSS assinou acordos com entidades de fachada, entre elas a AMBEC e, depois, como ministro, liberou novas entidades como a AMAR Brasil, uma das que mais fraudou os empréstimos do INSS, e cujo o operador Felipe Macedo, doou R$ 60 mil para a campanha de Onyx Lorenzoni ao governo gaúcho.
Gaspar destaca que a nomeação de José Carlos Oliveira não foi ato administrativo rotineiro, mas sim uma cadeia de indicações de pessoas que atuaram de forma direta para desviar dinheiro dos aposentados. O relatório diz que é, justamente, quando Onyx deixa o ministério e faz o sucessor que acabam com a necessidade da revalidação periódica das autorizações de desconto, o que eliminou o último mecanismo de controle efetivo sobre o que estava sendo retirado dos pensionistas.
A coluna procurou o ex-ministro Onyx Lorenzoni, no entanto, ele não respondeu as nossas ligações. A defesa de Lorenzoni sempre sustentou que enquanto ele foi ministro da Previdência ele não tinha poder discricionário para definir quais associações poderiam negociar os empréstimos dos aposentados.









