Mateus Simões articula união da direita em MG e reconhece força de Lula no estado
Ao SBT News, governador mineiro detalha estratégia eleitoral, critica o PT e revela pedido feito por Jair Bolsonaro para a composição de sua chapa



Amanda Klein
Eduardo Gayer
Vicklin Moraes
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), afirmou nesta sexta-feira (27) que sua prioridade para as eleições de 2026 é a unificação das forças de direita no estado. Em entrevista ao SBT News, Simões revelou que mantém conversas constantes com lideranças, como o senador Cleitinho(Republicanos-MG) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-RJ), para evitar a fragmentação do setor e consolidar uma candidatura única ao governo mineiro.
Palanque triplo e fidelidade ao Zema
Mesmo filiado ao PSD — partido que sinaliza a pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência — Simões foi categórico ao definir suas prioridades nacionais. Ele afirmou que seu palanque em Minas Gerais pertence prioritariamente a Romeu Zema (Novo), caso este confirme a candidatura ao Planalto.
Entretanto, o governador indicou que o palanque mineiro será aberto e poderá abrigar tanto Zema quanto Flávio Bolsonaro, excluindo um alinhamento automático com o nome oficial de seu próprio partido. “O PSD sabe, desde que me filiei, que em Minas o meu palanque é do governador Romeu Zema. Não há dúvida sobre isso”, pontuou.
O "acordo" com Jair Bolsonaro
Um dos pontos centrais da entrevista foi a revelação de um diálogo com o ex-presidente Jair Bolsonaro ocorrido no ano passado. Segundo Simões, Bolsonaro solicitou formalmente que uma das vagas ao Senado na chapa do atual governador fosse reservada a um nome do "bolsonarismo".
“O presidente Bolsonaro me pediu uma única coisa: que eu garantisse uma vaga ao Senado na minha chapa. Tenho trabalhado para isso. Uma vaga está bloqueada para o candidato do PL”, afirmou Simões. Ele citou o nome do deputado Domingos Sávio como o favorito para o posto, mas não descartou a inclusão do senador Carlos Viana, que ganhou tração política após presidir a CPMI do INSS.
Críticas ao PT e a Rodrigo Pacheco
Ao analisar a oposição, Mateus Simões avaliou que o Partido dos Trabalhadores (PT) vive uma "franca decadência" estrutural em Minas Gerais, apesar da popularidade individual do presidente Lula. Para o governador, o partido ainda carrega o desgaste da gestão de Fernando Pimentel, o que dificulta a construção de candidaturas competitivas ao governo estadual.
Simões também comentou a situação do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Segundo ele, Pacheco estaria "desanimado" com a disputa ao governo e buscaria, na verdade, uma indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). O governador defendeu que, se Pacheco decidir concorrer, deveria fazê-lo assumindo-se como o candidato oficial de Lula, em vez de buscar siglas de centro como o MDB para "esconder" a cor partidária.
Cenário de polarização
Questionado sobre o risco de ser "espremido" pela polarização nacional, Simões demonstrou confiança na força da base aliada, que elegeu mais de 800 prefeitos no estado recentemente, contra apenas 49 da ala de esquerda.
“A direita tem boas chances de vencer a esquerda na disputa presidencial em Minas, mas precisamos unificar o palanque estadual. Se os deputados começarem a se dissipar em diferentes projetos, perdemos energia”, concluiu o governador.









