Ibovespa oscila e volta a cair, apesar da Petrobras; dólar mantém queda
Sessão é marcada por volatilidade, com investidores reagindo a um ambiente ainda carregado de incertezas e maior aversão ao risco por conta da guerra no Irã


Exame.com
O Ibovespa mudou de direção ao longo do pregão desta sexta-feira (27). Após encontrar suporte no fim da manhã e ensaiar recuperação, o movimento perdeu força no início da tarde, levando o índice de volta ao campo negativo. Às 14h08, o principal índice acionário recuava 0,40%, aos 182.025 pontos.
No câmbio, o dólar também refletia essa dinâmica, mas seguia em queda frente ao real, ainda que em menor intensidade. No mesmo horário, a moeda americana recuava 0,27%, cotada a R$ 5,243, após ter registrado perdas mais acentuadas ao longo da manhã.
Dos 82 papéis que compõem o índice, apenas 10 operavam em alta no mesmo horário. O desempenho positivo das petroleiras, em especial da Petrobras (PETR3 e PETR4), de peso no índice, impede uma queda maior do índice. As empresas do setor acompanham a valorização do petróleo no mercado internacional.
A Vale (VALE3), também de peso na composição, virou para alta, mas passou a operar praticamente estável com leve alta de 0,32%. Por outro lado, o número empresas no campo negativo passou de 41 para 55, entre elas as ações do Itaú (ITUB4), que caem mais de 1%.
A sessão é marcada por volatilidade, com investidores reagindo a um ambiente ainda carregado de incertezas e maior aversão ao risco por conta da guerra no Irã que, neste sábado, 28, completa um mês. A falta de gatilhos mais claros para sustentar ganhos tem limitado uma recuperação mais consistente da bolsa.
O que está no radar do mercado
A alta dos preços do petróleo segue influenciando o humor dos investidores nesta sessão, mantendo um viés mais cauteloso nos mercados globais e pressionando ativos de risco, como ações.
Apesar de sinais pontuais de trégua no conflito envolvendo Estados Unidos e Irã que completa um mês neste sábado, 28, o mercado ainda avalia que um eventual acordo de cessar-fogo envolve custos elevados e desafios políticos relevantes, o que reduz as chances de uma resolução rápida.
Com a proximidade do fim de semana, cresce também a tendência de redução de exposição ao risco, diante do receio de novos desdobramentos no cenário geopolítico.
No cenário doméstico, os investidores repercutem a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo IBGE, que apontou uma taxa de desemprego em 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, acima da projeção do mercado e superior ao resultado anterior de 5,4% no trimestre encerrado em janeiro.
Na mesma direção, a taxa de subutilização avançou de 13,8% para 14,1%, enquanto a população desocupada aumentou de 5,9 milhões para 6,2 milhões. Já a população ocupada recuou de 102,7 milhões para 102,1 milhões, levando o nível de ocupação de 58,7% para 58,4%.
Para Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, o dado indica uma acomodação do mercado de trabalho após um período de desempenho mais robusto.
"Sem, por ora, caracterizar uma mudança de tendência mais estrutural, com a continuidade do avanço da renda reforçando que o mercado ainda preserva elementos de sustentação. Assim, seguimos avaliando o quadro como compatível com um processo gradual de normalização, cuja atualização do modelo com o dado divulgado nos mostra uma continuidade de mesmo patamar para a próxima leitura da PNAD, com menor impacto sazonal", afirmou.
O cenário também é descrito como complexo para a análise do Banco Central por Antonio Ricciardi, economista do Daycoval.
"Vale observar que os rendimentos seguem pressionados. Nos nossos estudos oito dos dez setores da atividade econômica permanecem com escassez de mão de obra. O que leva os rendimentos continuarem pressionados e a massa salarial permanecer em alta, o que é um problema para a condição da política monetária do Banco Central", disse.









