Política

Oposição apresenta queixa-crime contra Gilmar Mendes por falas sobre vazamentos de Vorcaro

Ministro do STF fez duras críticas a congressistas e atribuiu à CPMI do INSS a responsabilidade por vazamentos, sem citar nomes

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Congressistas da oposição liderados pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) vão protocolar uma queixa-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por declarações durante a sessão de quinta-feira (26) atribuindo à CPMI do INSS a responsabilidade por vazamentos de conversas íntimas do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Master.

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Em declaração no Salão Verde da Câmara nesta sexta (27), Sóstenes disse que a ação é uma oportunidade para que Gilmar tenha “a chance de dar nome aos bois".

“Eu não entendi os motivos que o levaram, como decano da Corte, a fazer ontem os ataques que fez aos membros da CPMI. Deixou em xeque dúvidas sobre todos os membros, incluindo assessores e concursados, que tiveram acesso à sala-cofre. É leviano o ministro da envergadura dele fazer as acusações que fez reiteradas vezes sem dar nomes a quem vazou tais informações", afirmou o deputado.

Na quinta (26), Gilmar deu um duro recado a congressistas que acompanhavam a sessão da Corte que acabou barrando a prorrogação da CPMI. O decano disse que a conduta dos parlamentares, tanto no procedimento adotado para quebrar os sigilos como na análise do conteúdo privado de Vorcaro, não foi republicana e exigia um pedido público de desculpas.

Gilmar criticou sobretudo os indícios de que as regras para acesso à sala-cofre com materiais sobre as quebras de sigilo – como a vedação ao uso de celulares ou equipamentos eletrônicos – teriam sido burladas. Depois do episódio, no início de março, o ministro André Mendonça mandou a Polícia Federal recolher o material e refazer a perícia para retirar conteúdos da vida íntima de Vorcaro.

“[...] O problema maior é depois. A falta de total – e eu vou usar a expressão dura, escrúpulo – porque se divulga, confiado exatamente na impunidade [...] Pessoas adultas, muitos deles já velhos, que já passaram dos 60 anos, entrando em sala-cofre da CPMI com óculos para depois ficar contando coisas que nada tem a ver com a investigação. Isso é indigno do Parlamento", disse Gilmar.

Para Sóstenes, ministros do Supremo e a Polícia Federal "vivem vazando informações de investigações". Ele diz que o caso envolvendo o Master, "por envolver pessoas poderosas no Brasil e inclusive ministros do Supremo, está incomodando muito", em referência a Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Além de Sóstenes, assinam a queixa-crime os senadores Magno Malta (PL-ES), Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicanos-DF), e os deputados Marcel van Hattem (Novo-RS), Coronel Chrisóstomo (PL-RO), Coronel Fernanda (PL-MT) e Hélio Lopes (PL-RJ).

Procurado pelo SBT News, a assessoria do ministro Gilmar Mendes disse que ele não vai comentar sobre o caso.

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