Política

Planalto avalia reação à decisão dos EUA sobre PCC e CV

Governo Lula tenta equilibrar defesa da soberania nacional, aproximação com Trump e desgaste político da família Bolsonaro

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Hariane Bittencourt
29/05/2026, 14:57 • Atualizado em 29/05/2026, 14:57
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Palácio do Planalto | Divulgação/Antônio Cruz/Agência Brasil

Palácio do Planalto | Divulgação/Antônio Cruz/Agência Brasil

O Palácio do Planalto avalia como reagir à decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

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Em viagem a Sergipe nesta sexta-feira (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanha à distância as discussões envolvendo os ministérios da Justiça e Segurança Pública, das Relações Exteriores, da Fazenda e a Secretaria de Comunicação Social.

Ao mesmo tempo em que pretende reforçar o discurso em defesa da soberania nacional e condenar possíveis interferências externas, o governo busca evitar desgastes na reaproximação entre Lula e Donald Trump, que se encontraram em Washington no início do mês.

Também há preocupação em desvincular o presidente brasileiro de qualquer imagem de defesa a grupos criminosos, em um momento em que o Planalto tenta ampliar o protagonismo na pauta da segurança pública.

No campo eleitoral, uma das estratégias em discussão é reforçar o argumento de que integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recorrem a governos estrangeiros para estimular medidas prejudiciais ao Brasil.

Interlocutores do governo avaliam que pode haver ganhos políticos caso se fortaleça a narrativa de que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro articulou, no ano passado, junto a autoridades americanas, a adoção de sanções contra autoridades brasileiras.

Segundo integrantes do Planalto, esse movimento culminou na aplicação da Lei Magnitsky e no tarifaço anunciado por Donald Trump — medidas cujos impactos ainda afetam a economia brasileira e seguem em discussão em um grupo de trabalho criado pelos dois países após a reunião na Casa Branca.

Agora, a avaliação no governo é de que a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) também pode resultar em medidas prejudiciais ao Brasil, colocando em risco a soberania nacional e abrindo espaço, no limite, para prejuízos econômicos e até para eventual atuação de militares americanos em território brasileiro sob o argumento de combate ao terrorismo.

O governo insiste que facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) têm objetivos distintos dos de organizações terroristas.

Enquanto os grupos criminosos atuam com foco em lucro e controle de atividades ilegais, organizações terroristas seriam movidas por motivações políticas e religiosas e buscariam impor uma nova ordem social.

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