EUA: Apoio a Israel perde força no Partido Democrata
Projeto para suspender US$ 3,3 bilhões em ajuda foi rejeitado, mas expôs o crescente desgaste do apoio democrata a Israel em meio à guerra em Gaza
Duda Ventura
18/07/2026, 10:00 • Atualizado em 18/07/2026, 10:00
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Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu | 10/11/2025/Reuters/Ronen Zvulun
Mais da metade dos deputados democratas que votaram na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos na quarta-feira (15) apoiou a suspensão da ajuda americana a Israel. A proposta, apresentada como emenda a um projeto de lei sobre gastos com relações exteriores, previa o bloqueio de cerca de US$ 3,3 bilhões (cerca de R$ 16,9 bilhões) em assistência destinada ao principal aliado de Washington no Oriente Médio.
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A medida, no entanto, foi derrotada por 314 votos a 104. Apenas um republicano, o deputado Thomas Massie, do Kentucky, apoiou a iniciativa de corte. Entre os democratas, 103 votaram a favor do corte, 98 foram contra e outros 10 optaram por registrar voto "presente", sem assumir posição.
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Embora rejeitada, a votação expôs uma mudança significativa dentro do Partido Democrata. Por décadas, o apoio a Israel foi um consenso quase inquestionável entre parlamentares da legenda. Agora, cresce a ala que critica a condução da guerra em Gaza pelo governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e defende uma revisão da relação entre Washington e seu principal aliado na região – especialmente com o conflito contra o Irã ativo.
Fachada da Casa Branca, em Washington D.C. | Foto: Kylie Cooper/Reuters - 24.10.2025
“Israel sempre foi uma questão com posição bipartidária de apoio e defesa", explica Alexandre Pires, professor de relações internacionais e economia do Ibmec-SP. “O Partido Democrata vem buscando uma nova identidade política e eleitoral. O caminho que tem prevalecido é de uma guinada mais à esquerda também em tópicos de política externa.”
Nas semanas que antecederam a votação, os democratas divergiram sobre como se posicionar. Muitos afirmaram ser contrários ao corte da assistência humanitária embutido no bloqueio, mas defenderam o voto favorável por considerarem que essa era a única forma de demonstrar insatisfação com a atuação do governo israelense.
Um dos exemplos é o deputado Hakeem Jeffries, de Nova York, líder da minoria democrata na Câmara e cotado para presidir a Casa no ano que vem. Embora tenha votado contra o corte da ajuda, Jeffries defendeu uma "grande reformulação" da relação entre Estados Unidos e Israel e indicou que um futuro governo democrata no Congresso poderia condicionar a assistência ao cumprimento de normas de direitos humanos pelos israelenses contra os palestinos.
“De modo geral, os conservadores têm defendido um menor engajamento dos governo americano em conflitos regionais, especialmente a respeito da via militar. Os progressistas têm tido uma visão mais polarizada, se colocando contrários a quaisquer iniciativas do governo Trump, ainda que no passado tenham se engajado militarmente em vários conflitos”, aponta o professor Pires.
Fumaça após explosão em Gaza vista do sul de Israel
A votação ocorreu em um momento de forte tensão no Oriente Médio. Nesta semana, a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã se intensificou, enquanto autoridades israelenses afirmaram que pretendem manter tropas em zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza.
O debate também reflete mudanças na base eleitoral democrata. O apoio irrestrito a Israel tem provocado desgaste entre eleitores jovens e progressistas, segmentos importantes para o partido. Segundo uma pesquisa do New York Times em parceria com o Siena College, realizada em maio, 74% dos eleitores democratas são contrários ao envio de ajuda econômica e militar adicional a Israel.
Alexandre Pires argumenta que Israel tem vivido uma queda histórica do apoio internacional. “O antissemitismo tem se amalgamado ao antissionismo. O governo Netanyahu acaba sendo, simplesmente, a personificação do alvo dos ataques a Israel. Mesmo que um governo mais de centro vença as próximas eleições, não haveria uma reversão imediata da visão negativa da comunidade internacional a respeito de Israel.”
EUA: Apoio a Israel perde força no Partido DemocrataProjeto para suspender US$ 3,3 bilhões em ajuda foi rejeitado, mas expôs o crescente desgaste do apoio democrata a Israel em meio à guerra em GazaMundo2026-07-18T10:00:00.000ZMais da metade dos deputados democratas que votaram na Câmara dos Representantes dos na quarta-feira (15) apoiou a suspensão da ajuda americana a . A proposta, apresentada como emenda a um projeto de lei sobre gastos com relações exteriores, previa o bloqueio de cerca de US$ 3,3 bilhões (cerca de R$ 16,9 bilhões) em assistência destinada ao principal aliado de Washington no Oriente Médio. A medida, no entanto, foi derrotada por 314 votos a 104. Apenas um republicano, o deputado Thomas Massie, do Kentucky, apoiou a iniciativa de corte. Entre os democratas, 103 votaram a favor do corte, 98 foram contra e outros 10 optaram por registrar voto "presente", sem assumir posição. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Embora rejeitada, a votação expôs uma mudança significativa dentro do Partido Democrata. Por décadas, o apoio a Israel foi um consenso quase inquestionável entre parlamentares da legenda. Agora, cresce a ala que critica a condução da guerra em Gaza pelo governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e defende uma revisão da relação entre Washington e seu principal aliado na região – especialmente com o conflito contra o Irã ativo. “Israel sempre foi uma questão com posição bipartidária de apoio e defesa", explica Alexandre Pires, professor de relações internacionais e economia do Ibmec-SP. “O Partido Democrata vem buscando uma nova identidade política e eleitoral. O caminho que tem prevalecido é de uma guinada mais à esquerda também em tópicos de política externa.” Nas semanas que antecederam a votação, os democratas divergiram sobre como se posicionar. Muitos afirmaram ser contrários ao corte da assistência humanitária embutido no bloqueio, mas defenderam o voto favorável por considerarem que essa era a única forma de demonstrar insatisfação com a atuação do governo israelense. Um dos exemplos é o deputado Hakeem Jeffries, de Nova York, líder da minoria democrata na Câmara e cotado para presidir a Casa no ano que vem. Embora tenha votado contra o corte da ajuda, Jeffries defendeu uma "grande reformulação" da relação entre Estados Unidos e Israel e indicou que um futuro governo democrata no Congresso poderia condicionar a assistência ao cumprimento de normas de direitos humanos pelos israelenses contra os palestinos. “De modo geral, os conservadores têm defendido um menor engajamento dos governo americano em conflitos regionais, especialmente a respeito da via militar. Os progressistas têm tido uma visão mais polarizada, se colocando contrários a quaisquer iniciativas do governo Trump, ainda que no passado tenham se engajado militarmente em vários conflitos”, aponta o professor Pires. A votação ocorreu em um momento de forte tensão no Oriente Médio. Nesta semana, a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã se intensificou, enquanto autoridades israelenses afirmaram que pretendem manter tropas em zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza. O debate também reflete mudanças na base eleitoral democrata. O apoio irrestrito a Israel tem provocado desgaste entre eleitores jovens e progressistas, segmentos importantes para o partido. Segundo uma pesquisa do New York Times em parceria com o Siena College, realizada em maio, 74% dos eleitores democratas são contrários ao envio de ajuda econômica e militar adicional a Israel. Alexandre Pires argumenta que Israel tem vivido uma queda histórica do apoio internacional. “O antissemitismo tem se amalgamado ao antissionismo. O governo Netanyahu acaba sendo, simplesmente, a personificação do alvo dos ataques a Israel. Mesmo que um governo mais de centro vença as próximas eleições, não haveria uma reversão imediata da visão negativa da comunidade internacional a respeito de Israel.”São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/eua-apoio-a-israel-perde-forca-no-partido-democrata