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Espelhos no espaço vão transformar a noite em dia

Entenda o projeto de empresa americana que quer refletir o Sol para produzir energia à noite

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Guilherme Latorre
18/07/2026, 10:00 • Atualizado em 18/07/2026, 10:00
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Imagem da Reflect Orbital | Foto: Divulgação

Imagem da Reflect Orbital | Foto: Divulgação

O Sol da meia-noite é um fenômeno natural em que a estrela brilha vinte e quatro horas por dia nas mais altas e mais baixas latitudes do planeta. São cidades inteiras em países como Noruega, Suécia, Finlândia, Islândia e no estado americano do Alasca que passam semanas e até meses o tempo todo de dia.

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Mas o oposto também é verdadeiro. No inverno, algumas cidades do Alasca, da Rússia e da Noruega passam meses em completa escuridão. É o fenômeno da noite polar.

Agora, essa luz solar contínua pode ser replicada com o uso de espelhos no espaço.

A FCC, que é a agência dos Estados Unidos responsável por autorizar novos satélites, acabou de dar permissão para o lançamento de um espelho espacial.

O projeto é da startup Reflect Orbital, que pretende lançar ainda este ano um espelho de 18x18 metros para o espaço e refletir, nada mais, nada menos, do que a luz do Sol.

A ideia deles é garantir luz solar sob demanda, 24 horas por dia, em qualquer lugar do mundo.

É o fim da noite como a conhecemos.

"Desde o início, temos projetado nossos satélites para serem muito precisos" e "queremos controlar com precisão para onde vai a nossa luz solar e queremos iluminar apenas as áreas que desejam essa luz solar", disse o CEO da Reflect Orbital, Ben Nowack.

O objetivo da ideia, digna de um vilão de cinema, é garantir luz onde ela não existe.

Acabar com os gargalos da produção de energia solar, iluminar cidades, áreas públicas e obras de infraestrutura. A luz sob demanda do projeto poderia aliviar os meses de escuridão total no círculo polar, impulsionar a agricultura e a produção de alimentos, e atuar até em áreas de desastres para garantir luz para socorristas o tempo todo.

"Durante os terremotos venezuelanos, uma dúzia de pessoas entrou em contato e disse: 'Ei, quando escureceu, foi muito difícil encontrar pessoas nos escombros. Há alguma maneira de você iluminar a área e ajudar os socorristas a salvar todas essas vidas?'", disse Ben.

Em tese, a empresa conseguiria direcionar a luz para o local exato da emergência em apenas 30 segundos.

Energia solar

Fora dos desastres, a energia solar deve ser um dos principais focos da companhia. Inclusive, foi o que garantiu a viabilidade do projeto. Em um teste de demonstração, eles colocaram um espelho em um balão e refletiram o Sol para um painel solar em terra. O resultado foi impressionante. A geração de energia aumentou de 58 watts para mais de 200 watts.

"O maior problema com a energia solar, que na verdade não é o fato de ser barata ou de que você tenha que levar cabos de energia a lugares, é que o Sol se põe todas as noites e todas as fazendas solares ao redor do mundo param de produzir eletricidade. É como uma usina de carvão que não pode comprar carvão depois das 19h... nós podemos consertar isso", garantiu o CEO.

Claro que a ideia não é isenta de críticas. E não são poucas.

Existem ameaças profundas para a astronomia. O risco de milhares de espelhos em órbita na observação do espaço é real. Podem sobrecarregar os equipamentos sensíveis dos laboratórios e aumentar a poluição luminosa na atmosfera, mesmo em áreas em que os espelhos não estejam atuando.

Transformar a noite em dia também pode perturbar os ciclos de sono e vigília de seres humanos e animais, desorientar a migração de animais e até o crescimento e desenvolvimento das plantas.

Especialistas alertam ainda para o risco para a aviação, para o trânsito e até para o aumento expressivo de lixo espacial.

Os planos da companhia, fundada em 2021, são ambiciosos. No outono passado, a Reflect Orbital abriu inscrições para testes no serviço de iluminação. Recebeu mais de 164 mil solicitações de 157 países.

O primeiro satélite, depois da aprovação da FCC, deve decolar ainda em 2026 em um foguete Falcon 9 da SpaceX. Os primeiros testes de iluminação serão feitos por 5 minutos em uma área de quase 5 quilômetros quadrados.

Se tudo der certo, a meta é lançar 36 satélites em 2027, 5 mil até 2030 e, até 2035, ter 50 mil satélites em órbita.

"Esta licença é o primeiro passo para testarmos rigorosamente a eficácia da nossa tecnologia e as salvaguardas que desenvolvemos", pontuou Ben Nowack. E completou: "Todas as coisas negativas que as pessoas dizem sobre nós, você também poderia dizer sobre as lâmpadas... 'oh, é poluição luminosa', 'oh, está arruinando o céu noturno', 'oh, está mantendo as pessoas acordadas'. As pessoas escolhem instalar lâmpadas nas cidades por vários motivos".

"Se houver um caso em que queremos atender um cliente, mas há uma pessoa próxima que não quer a luz, geralmente não atenderemos esse cliente".

Para encerrar esta reportagem, eu não consigo deixar de lembrar do vilão Gustav Graves, do filme 007 - Um Novo Dia para Morrer. Além de ter trilha sonora da Madonna e ser o último filme com Pierce Brosnan, o longa traz um vilão que cria o projeto Icarus, literalmente um satélite capaz de concentrar a luz solar em um laser mortal.

"Nós recebemos muito essa pergunta: 'Isso vai ser um laser mortal?'. A resposta é não. É muito difícil conseguir energia suficiente no solo para causar algum dano. Nós seremos significativamente mais fracos do que a luz do Sol por um tempo muito longo", disse o CEO da Reflect Orbital, Ben Nowack.

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