Doce interestelar? Pesquisadores descobrem açúcar no espaço
Centro de Astrobiologia da Espanha identifica o primeiro açúcar no espaço interestelar: a eritrulose, comum na framboesa
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Guilherme Latorre
17/07/2026, 11:16 • Atualizado em 17/07/2026, 12:01
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Ashley Barnes/Izaskun Jiménez-Serra/Juan García de la Concepción
Eles estão em tudo. E você vive tentando se livrar deles. Refrigerante, suco, biscoito e até nos salgados, molhos, pão de forma e até na sopa.
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E muito além disso: dentro da formação das suas células e das células de todos os seres vivos. Os açúcares são considerados blocos fundamentais da vida como nós a conhecemos.
Mas a pergunta que intriga cientistas há décadas é: eles vieram de onde?
Imagina o seguinte: os açúcares fazem parte da formação do DNA e do RNA, e desempenham papéis fundamentais no metabolismo dos organismos. O problema é que experimentos em laboratório indicaram que é muito difícil eles se formarem naturalmente fora de processos biológicos.
Segundo os pesquisadores, algumas moléculas já foram localizadas em asteroides e meteoros, o problema é que eles nunca haviam sido detectados no meio interestelar. Até agora.
Um estudo feito pelo Centro de Astrobiologia da Espanha pode ter dado uma nova pista.
A equipe internacional liderada pela pesquisadora Izaskun Jiménez-Serra identificou o primeiro açúcar no espaço interestelar: a eritrulose.
É um tipo de açúcar simples usado amplamente pela indústria cosmética em fórmulas de bronzeadores artificiais. É muito comum na framboesa, por exemplo.
“Nosso trabalho mostra que os açúcares podem se formar de maneira natural no espaço”, explica Izaskun.
Em entrevista ao SBT News, a astrobióloga Rebeca Gonçalves explicou que o açúcar é uma molécula 'super versátil', capaz de fazer ligações com outras moléculas e proteínas, sendo “uma parte essencial da construção da vida na Terra”.
Ela ressalta que encontrar essas moléculas no espaço fortalece o entendimento de que a origem da vida não depende de "um milagre químico exclusivo da Terra", mas sim de "um processo que seja comum na galáxia e no universo".
Analisando o espectro da luz da nuvem molecular, localizada perto do centro de nossa galáxia, a Via Láctea, a equipe identificou marcadores da eritrulose medidos em laboratório. E descobriu que a substância pode se formar dentro de gelos interestelares a partir de álcoois e aldeídos mais simples.
Para entender como é possível identificar uma substância a tantos anos-luz de distância, Rebeca explica que a técnica de espectroscopia funciona porque toda molécula emite fótons e vibra em uma frequência específica no espectro eletromagnético. “Cada molécula tem uma assinatura mesmo, que é única”, ilustra a astrobióloga.
Os cientistas apontam potentes radiotelescópios para as nuvens moleculares, recebem as frequências de ondas de rádio que viajaram pelo espaço e comparam com os dados de laboratório: “se der um match, é inevitavelmente aquela molécula que tá ali naquela nebulosa”.
Com isso, eles estimaram que entre 0,5 e 50 milhões de toneladas desse açúcar acabaram caindo na Terra durante um intenso bombardeio de meteoros que atingiu o planeta entre 4,1 e 3,8 bilhões de anos atrás.
A astrobióloga detalha que esse evento, conhecido como o Intenso Bombardeio Tardio, pode ter trazido do espaço não apenas açúcares, mas diversas outras moléculas fundamentais.
"A Terra foi bombardeada com meteoritos que trouxeram essas moléculas fundamentais para a vida e que abasteceram a Terra com essas moléculas orgânicas, o que pode ter sido um catalisador para a vida ter surgido", diz.
Uma pista importante que pode, no futuro, ajudar a revelar como surgiu a vida no nosso planeta.
"A detecção da eritrulose é muito empolgante porque abre a possibilidade de descobrir no espaço outros açúcares como a ribose, que faz parte do RNA, e outras moléculas importantes para a origem da vida", diz Carlos Briones, coautor do estudo.
Mas será que isso responde à grande pergunta da astrobiologia: estamos sozinhos no universo?
Rebeca Gonçalves faz uma ressalva importante: “Encontrar açúcar não significa encontrar vida. O açúcar é simplesmente uma das milhares de peças e condições que são necessárias para a vida”. Contudo, a descoberta abre um horizonte otimista.
"Se as bases fundamentais da vida, como a gente conhece, são mais comuns do que a gente imagina, então pode ser que a vida seja comum também", diz.
Doce interestelar? Pesquisadores descobrem açúcar no espaçoCentro de Astrobiologia da Espanha identifica o primeiro açúcar no espaço interestelar: a eritrulose, comum na framboesaMundo2026-07-17T11:16:30.397ZEles estão em tudo. E você vive tentando se livrar deles. Refrigerante, suco, biscoito e até nos salgados, molhos, pão de forma e até na sopa. E muito além disso: dentro da formação das suas células e das células de todos os seres vivos. Os açúcares são considerados blocos fundamentais da vida como nós a conhecemos. Mas a pergunta que intriga cientistas há décadas é: eles vieram de onde? Imagina o seguinte: os açúcares fazem parte da formação do DNA e do RNA, e desempenham papéis fundamentais no metabolismo dos organismos. O problema é que experimentos em laboratório indicaram que é muito difícil eles se formarem naturalmente fora de processos biológicos. Segundo os pesquisadores, algumas moléculas já foram localizadas em asteroides e meteoros, o problema é que eles nunca haviam sido detectados no meio interestelar. Até agora. Um estudo feito pelo Centro de Astrobiologia da Espanha pode ter dado uma nova pista. A equipe internacional liderada pela pesquisadora Izaskun Jiménez-Serra identificou o primeiro açúcar no espaço interestelar: a eritrulose. É um tipo de açúcar simples usado amplamente pela indústria cosmética em fórmulas de bronzeadores artificiais. É muito comum na framboesa, por exemplo. “Nosso trabalho mostra que os açúcares podem se formar de maneira natural no espaço”, explica Izaskun. Em entrevista ao SBT News, a astrobióloga Rebeca Gonçalves explicou que o açúcar é uma molécula 'super versátil', capaz de fazer ligações com outras moléculas e proteínas, sendo “uma parte essencial da construção da vida na Terra”. Ela ressalta que encontrar essas moléculas no espaço fortalece o entendimento de que a origem da vida não depende de "um milagre químico exclusivo da Terra", mas sim de "um processo que seja comum na galáxia e no universo". Analisando o espectro da luz da nuvem molecular, localizada perto do centro de nossa galáxia, a Via Láctea, a equipe identificou marcadores da eritrulose medidos em laboratório. E descobriu que a substância pode se formar dentro de gelos interestelares a partir de álcoois e aldeídos mais simples. Para entender como é possível identificar uma substância a tantos anos-luz de distância, Rebeca explica que a técnica de espectroscopia funciona porque toda molécula emite fótons e vibra em uma frequência específica no espectro eletromagnético. “Cada molécula tem uma assinatura mesmo, que é única”, ilustra a astrobióloga. Os cientistas apontam potentes radiotelescópios para as nuvens moleculares, recebem as frequências de ondas de rádio que viajaram pelo espaço e comparam com os dados de laboratório: “se der um match, é inevitavelmente aquela molécula que tá ali naquela nebulosa”. Com isso, eles estimaram que entre 0,5 e 50 milhões de toneladas desse açúcar acabaram caindo na Terra durante um intenso bombardeio de meteoros que atingiu o planeta entre 4,1 e 3,8 bilhões de anos atrás. A astrobióloga detalha que esse evento, conhecido como o Intenso Bombardeio Tardio, pode ter trazido do espaço não apenas açúcares, mas diversas outras moléculas fundamentais. "A Terra foi bombardeada com meteoritos que trouxeram essas moléculas fundamentais para a vida e que abasteceram a Terra com essas moléculas orgânicas, o que pode ter sido um catalisador para a vida ter surgido", diz. Uma pista importante que pode, no futuro, ajudar a revelar como surgiu a vida no nosso planeta. "A detecção da eritrulose é muito empolgante porque abre a possibilidade de descobrir no espaço outros açúcares como a ribose, que faz parte do RNA, e outras moléculas importantes para a origem da vida", diz Carlos Briones, coautor do estudo. Mas será que isso responde à grande pergunta da astrobiologia: estamos sozinhos no universo? Rebeca Gonçalves faz uma ressalva importante: “Encontrar açúcar não significa encontrar vida. O açúcar é simplesmente uma das milhares de peças e condições que são necessárias para a vida”. Contudo, a descoberta abre um horizonte otimista. "Se as bases fundamentais da vida, como a gente conhece, são mais comuns do que a gente imagina, então pode ser que a vida seja comum também", diz.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/doce-interestelar-pesquisadores-descobrem-acucar-no-espaco
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