Política

PF faz buscas em endereços do pastor Marcio Poncio

9ª fase da operação Unha e Carne confiscou documentos em salas comerciais do pastor, preso na 5ª fase, e na casa de sobrinho do bicheiro Adilsinho

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Ighor Nóbrega
Agentes da Polícia Federal no Rio de Janeiro | Divulgação

Agentes da Polícia Federal no Rio de Janeiro | Divulgação

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (29) a nona fase da Operação Unha e Carne, que apura crimes de organização criminosa armada e lavagem de dinheiro por agentes públicos do Rio de Janeiro.

Essa etapa da investigação é uma continuação da quinta fase, que levou à prisão do pastor Márcio Poncio e a buscas ao ex-deputado federal Marco Antônio Cabral (Solidariedade), filho do ex-governador Sérgio Cabral.

Os agentes cumprem nesta manhã quatro mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca. Os endereços incluem salas comerciais de Poncio e a casa de Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, também preso na quinta fase. As ações foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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Segundo a PF, documentos extraídos dos telefones dos investigados indicaram novos endereços, empresas e ativos utilizados pela organização criminosa para a ocultação e movimentação de recursos ilícitos.

A rede incluía ainda imóveis de alto padrão, veículos de luxo, aeronaves executivas e até espaços religiosos. Eles estavam listados em nome de familiares e colaboradores do grupo, mas pertenciam aos líderes da quadrilha.

“As medidas buscam a arrecadação de documentos, dispositivos eletrônicos, registros contábeis e demais elementos de prova relacionados à investigação", informou a Polícia Federal.

Agentes públicos corrompidos

A Operação Unha e Carne ocorre no âmbito da decisão do STF no julgamento da chamada ADPF das Favelas, que determina atuação da PF para investigar a atuação de organizações criminosas no Rio de Janeiro e as conexões delas com agentes públicos.

As quatro primeiras fases da força-tarefa foram deflagradas entre dezembro de 2025 e maio deste ano, apurando um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de ações da polícia para a facção Comando Vermelho (CV), a principal do Rio de Janeiro.

Elas levaram às prisões do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar, que vazou dados de um inquérito que resultou na prisão do então deputado estadual TH Jóias por ligação com facção criminosa.

A quinta etapa, utilizada como base para a deflagração desta quinta (29), apurou indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo “capo” da nova cúpula do jogo do bicho e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do estado.

O pastor e empresário Márcio Poncio, preso nesta etapa, foi solto em 12 de julho por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que substituiu a prisão preventiva por domiciliar.

Pastor da Igreja da Nuvem, empresário do ramo do tabaco e suplente de deputado federal, Márcio Poncio ganhou notoriedade nacional como patriarca da família Poncio, famosa nas redes sociais. Ele é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K.

Nos últimos anos, a família esteve no centro de diversas polêmicas que ganharam repercussão nacional, incluindo disputas familiares e episódios envolvendo adoção e testes de DNA.

Já na oitava fase da Unha e Carne, deflagrada em 15 de outubro, a polícia prendeu o deputado estadual reeleito Márcio Canella (União Brasil-RJ) e o ex-secretário estadual de Polícia Civil Marcus Amin.

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