Cidades

Operação contra exploração sexual de menores prende 8 no RJ

Grupo incluía assessor parlamentar e sargento da PM; criminosos chantageavam vítimas com vídeos de abusos para forçar novos atos sexuais no Grande Rio

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Bruna Carvalho

Uma ação da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro desarticulou uma rede criminosa especializada na exploração e violência sexual contra adolescentes. Durante o cumprimento de mandados judiciais nesta quarta-feira (28), oito suspeitos foram presos, incluindo um assessor parlamentar e um sargento da Polícia Militar.

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Entre os detidos está Carlos Bittencourt, assessor de uma deputada federal do PSOL, localizado e preso em sua residência. De acordo com as investigações policiais, o servidor encomendava gravações com cenas explícitas de violência sexual envolvendo uma adolescente.

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As equipes também prenderam o sargento da Polícia Militar Maurício Douglas Souza Chagas, identificado pelos investigadores em vídeos mantendo relações com outra jovem.

Prisões no Grande Rio e chantagem com gravações

Além das prisões do sargento e do assessor, outros seis investigados foram capturados nas cidades de Niterói, São Gonçalo e Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Dois alvos continuam foragidos, entre eles um mototaxista apontado como o responsável por abordar a primeira jovem nas proximidades de uma instituição de ensino.

O esquema operava por meio de coerção contínua e extorsão psicológica:

  • Os membros da rede gravavam os atos de estupro e violência cometidos contra as jovens;
  • As gravações eram posteriormente utilizadas para chantagear as vítimas;

Os envolvidos ameaçavam espalhar o material na internet para coagir as adolescentes a comparecerem a novos encontros sexuais forçados.

A descoberta do crime ocorreu após os familiares de uma adolescente de 16 anos estranharem mudanças bruscas em seu comportamento e identificarem lesões físicas no corpo da garota. O irmão da jovem acessou o aparelho celular dela e encontrou arquivos gravados de violência sexual, incluindo episódios em que a jovem aparecia sendo abusada.

Os responsáveis procuraram imediatamente a polícia e entregaram o material, dando início ao inquérito.

Desdobramento de operação

A ação desta quarta-feira representa a continuidade de uma investigação iniciada no mês de julho, ocasião em que os policiais prenderam Matheus Rodrigues Gonçalves, de 36 anos. Apontado como articulador da organização, Matheus atuava como assessor parlamentar de um vereador do PSOL na capital fluminense. Os levantamentos policiais indicam que parte dos crimes sexuais acontecia no imóvel particular do funcionário público.

A apreensão e a perícia técnica em computadores, telefones celulares e câmeras de segurança permitiram identificar os demais integrantes da rede criminosa que foram alvo dos novos mandados.

A primeira vítima a relatar os fatos à polícia foi inserida no programa federal de proteção a testemunhas. O delegado titular do caso, Antônio Silvino, ressaltou a relevância de novas denúncias:

"Cada vítima é mais um processo para esse pessoal, e essa vítima está protegida", enfatizou o delegado, conclamando outras jovens que tenham sido alvo do grupo a procurarem a delegacia para prestar depoimento.

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