Imprensa internacional repercute carta golpista de Flávio
Em carta pública, senador se autoproclamou 'presidente eleito' e depois adotou 'líder do Brasil'; até a consulta, veículos não haviam repercutido a mudança

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Foto: Divulgação/Charles Vieira
A declaração de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que seria o "verdadeiro presidente eleito" do Brasil repercutiu na imprensa internacional nesta quarta-feira (28). Reuters, The Guardian, La Nación e The New York Times noticiaram o posicionamento do senador, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após sua chegada aos Estados Unidos.
Posteriormente, Flávio reescreveu a carta, publicada em sua conta no X (antigo Twitter), e passou a se apresentar como "líder do Brasil", em vez de "verdadeiro presidente eleito do Brasil". Até a consulta das reportagens reunidas nesta matéria, os veículos ainda não haviam repercutido essa alteração.
🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Clique aqui
A agência Reuters destacou que Flávio se declarou o legítimo presidente eleito apesar da derrota para Lula, sem apresentar provas de fraude. O texto também registrou que o senador alegou perseguição política para justificar sua saída do Brasil e agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina.
O britânico The Guardian noticiou a autoproclamação e contextualizou a saída do senador como parte de um movimento entre aliados de Jair Bolsonaro. Segundo o jornal, deixar o Brasil tornou-se uma prática recorrente entre apoiadores do ex-presidente que enfrentam acusações criminais ou condenações no país.
A reportagem apontou que cerca de uma dúzia de políticos ou influenciadores próximos a Jair Bolsonaro deixaram o país nos últimos anos. A observação ampliou a cobertura para além do deslocamento de Flávio, relacionando o episódio à situação de outros integrantes do grupo político.
O argentino La Nación descreveu a saída do senador como uma “fuga cinematográfica”, com passagem pela Argentina e pelo Equador antes do desembarque em Miami. O jornal também destacou os agradecimentos de Flávio a Milei e Trump no comunicado divulgado após sua chegada.
O veículo apontou ainda que o acolhimento do senador pelo governo americano pode aumentar as tensões entre a Casa Branca e Lula. Nesse contexto, ressaltou que o presidente brasileiro saiu fortalecido da eleição de domingo (25), cujo resultado lhe permitirá exercer um quarto mandato.
Já o The New York Times destacou, na abertura da reportagem, que Flávio desembarcou em Miami declarando-se o legítimo presidente eleito do país do qual havia saído. O texto concentrou-se na chegada aos Estados Unidos, no trajeto percorrido pela família e nas investigações que motivaram a ordem de entrega de seus passaportes.
Ao contextualizar a contestação eleitoral, o jornal americano informou que a prorrogação do horário de votação afetou apenas 0,03% dos votos. Também registrou que, segundo as autoridades eleitorais brasileiras, a medida não alterou o resultado, que deu a vitória a Lula por uma diferença de 4,4 milhões de votos.















