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Caso Porsche: amigo de Fernando Sastre confirma embriaguez

Júri popular de empresário acusado de provocar a morte do motorista de app ao bater com seu Porsche em 2024, teve início nesta quarta-feira (28)

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Começou nesta quarta-feira, no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, o julgamento de Fernando Sastre, acusado de conduzir uma Porsche em alta velocidade e provocar a morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos. em março de 2024.

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O réu responde perante a Justiça pelos crimes de homicídio qualificado, praticado com dolo eventual, e lesão corporal gravíssima. A sessão, iniciada com atraso de uma hora e meia em relação ao horário previsto, contou na primeira etapa com os depoimentos de testemunhas oculares e familiares da vítima.

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O primeiro a ser interrogado pelos jurados e pelas partes foi Marcus Vinicius Machado Rocha, amigo do réu que ocupava o banco do carona do Porsche na hora da colisão.

Antes de iniciar sua fala, ele solicitou à juíza Melanie Liesenberg que prestasse declarações sem a presença de Fernando na sala de audiência, justificando o pedido pelo afastamento de amizades comuns após o episódio.

Durante a oitiva, Marcus Vinicius confirmou que Fernando consumiu bebidas alcoólicas antes de assumir o volante e relatou que o amigo apresentava um comportamento exaltado, falando em tom acima do habitual.

A testemunha narrou que amigos e familiares haviam pedido para que ele não dirigisse naquela madrugada. Segundo o passageiro, Fernando retirou o carro da vaga devagar, mas acelerou bruscamente na sequência, momento a partir do qual a testemunha afirmou não ter mais lembranças do ocorrido.

Colisão

A colisão aconteceu na madrugada de 31 de março de 2024 em uma movimentada avenida na zona leste da capital paulista. De acordo com a acusação apresentada pelo Ministério Público, Fernando passou por dois estabelecimentos onde ingeriu álcool e trafegava a uma velocidade superior a 150 km/h, em uma via pública cujo limite máximo estabelecido pela sinalização era de 50 km/h. Com a violência da batida na traseira de seu automóvel de trabalho, Ornaldo não resistiu aos ferimentos múltiplos.

Em plenário, o filho da vítima, Luan Morais, compartilhou a dor cotidiana provocada pela perda repentina do pai, pontuando a disparidade de situações na noite do crime:

"Eu acordo todo dia pensando nisso, eu vou dormir pensando nisso. Meu sentimento é de revolta mesmo, porque meu pai saiu para trabalhar e o Fernando estava curtindo com os amigos", desabafou Luan durante a sessão.

Tese da defesa e condução coercitiva

Em contraposição à acusação de que o empresário assumiu conscientemente o risco de causar a morte, a equipe de defesa de Fernando Sastre sustenta que não houve intenção deliberada no ocorrido e busca afastar a tese de embriaguez profunda.

O advogado Jonas Marzagão declarou que a quantidade consumida pelo grupo não condiz com o relato do Ministério Público:

"Os depoimentos vão mostrar que ele não estava embriagado do jeito que falam. A comanda são oito drinks para quatro pessoas. Marcus Vinícius assume que tomou dois drinks; Juliana, dois; e a Giovana, dois. Então, no máximo, sobrariam dois para o Fernando", argumentou o defensor.

Intimada formalmente pela acusação para comparecer como testemunha no plenário, a namorada do réu, Giovana Pinheiro Silva, não esteve presente e não encaminhou justificativa legal à vara judicial. Diante do não comparecimento, a juíza Melanie Liesenberg acolheu o pedido do Ministério Público e expediu mandado de condução coercitiva para assegurar o testemunho de Giovana perante a Corte.

O conselho de sentença é composto por sete jurados, sendo quatro mulheres e três homens, responsáveis pela decisão final sobre a condenação ou absolvição do réu.

A previsão do Tribunal de Justiça de São Paulo é de que os debates entre acusação e defesa e a leitura da sentença sejam finalizados nesta quinta-feira.

Relembre o caso

O motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, morreu após o veículo em que estava ser atingido por uma Porsche na madrugada do dia 31 de dezembro de 2024, no Tatuapé, zona leste de São Paulo. O condutor do veículo era o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, de 24 anos.

Ornaldo dirigia um Renault Sandero branco pela Avenida Salim Farah Maluf, por volta das 02h, quando foi atingido na traseira. Segundo testemunhas, ele estava em alta velocidade e perdeu o controle do veículo durante uma ultrapassagem.

Ornaldo foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado para o Hospital Municipal do Tatuapé, onde deu entrada com quadro de parada cardiorrespiratória. Segundo os médicos que o atenderam, ele morreu "devido a traumatismos múltiplos não especificados".

Ornaldo da Silva Viana tinha 52 anos | Reprodução/Redes sociais
Ornaldo da Silva Viana tinha 52 anos | Reprodução/Redes sociais

Fernando Sastre de Andrade Filho virou réu por homicídio doloso qualificado e lesão corporal gravíssima. Segundo a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), na noite do crime, o empresário ingeriu álcool em dois estabelecimentos antes de dirigir o Porsche, e trafegava a 150 km/h quando colidiu com o veículo de Ornaldo.

Marcus, seu amigo, estava no banco de passageiro do Porsche conduzido por Fernando Sastre e precisou ficar dez dias internado. Ele chegou a ficar em coma induzido na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e precisou passar por duas cirurgias: de retirada do baço e para colocar drenos nos pulmões.

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