Política

Pauta de costumes "não tem nada a ver com realidade que estamos vivendo", comenta Lula sobre PL do aborto

Para presidente, debate é "cru" e assunto deveria ser razões que motivam necessidade do procedimento: "Estamos retrocedendo nesta pauta"

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Carlos Catelan
18/06/2024, 13:24 • Atualizado em 18/06/2024, 13:29
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"O tema Brasil não é esse", disse o presidente da República | Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

"O tema Brasil não é esse", disse o presidente da República | Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou, nesta terça-feira (18), que a pauta de costumes "não tem nada a ver com realidade que estamos vivendo" ao comentar tramitação do projeto de lei Antiaborto por Estupro (PL nº 1.904 de 2024) na Câmara dos Deputados.

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Segundo declarou o petista em entrevista à rádio CBN, "esse negócio de ficar discutindo o aborto legal" é um "debate cru". O PL equipara o procedimento acima de 22 semanas de gestação ao homicídio simples e teve regime de urgência aprovado na última quarta (12), em votação que durou 23 segundos e foi organizada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Para Lula, o assunto deveria ser outro: as razões pelas quais o procedimento se faz necessário, sobretudo em crianças. Ele fez referência a casos de estupro contra menores, provocando gravidez. "Estamos no século XXI e estamos retrocedendo nesta pauta", disse o chefe do Executivo, apontando que é preciso combater abuso, violação do corpo e da vontade de mulheres. Também lamentou a falta de políticas públicas de educação sexual.

“Eu, Luiz Inácio Lula da Silva, sou contra o aborto, para ficar bem claro. Agora, enquanto chefe de Estado, o aborto deve ser tratado como assunto de saúde pública. Porque você não pode continuar permitindo que a madame vá fazer o aborto em Paris e que uma coitada morra em casa, tentando furar o útero com uma agulha de tricô", exemplificou.

Lula indicou que, em muitos casos, crianças e adolescentes "escondem" a gravidez por medo da reação dos pais. "Ela esconde de todo mundo, quando vai cuidar, já está adiantado [...] Então, eu acho que precisaríamos estar discutindo outra coisa. A gente vai ter ou não que levar educação sexual para as escolas? A gente vai ter que ensinar meninos e meninas a se comportar?", questionou. "Este é o drama que estamos vivendo", disse.

Segundo analisou o presidente, "é preciso, de forma civilizada, a gente discutir" o assunto com seriedade. "Esta discussão é um pouco mais madura, não é banal", declarou ao comentar fala de deputados religiosos que disseram, após forte repercussão do tema, que o PL era uma forma de "testar" a isonomia de Lula. "Eu não preciso de teste, quem precisa de teste são eles", disse.

"O que é triste é que um deputado apresenta um projeto de lei em que o estuprador pode pegar uma pena menor que a estuprada. O que é isso? [...] Essa coisa nem deveria ter entrado em pauta [...] o tema do Brasil não é esse", continuou.

O presidente também negou ter supostamente subestimado opositores no Congresso. "Não subestimei, não, porque eles estão fazendo o papel que eles sempre souberam fazer".

Para Lula, o país não tinha a experiência de uma "extrema direita ativista" como tem hoje. "É uma extrema direita pouco pragmática na política e muito nas mentiras", analisou.

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