Israel realiza ataques em Líbano e atinge alvo do Hezbollah
Força Aérea israelense bombardeou infraestrutura do Hezbollah no Líbano enquanto sistemas de defesa interceptam mísseis iranianos

Antonio Souza
A Força Aérea Israelense iniciou uma nova onda de ataques contra alvos em Beirute, capital do Líbano, na noite desta quinta-feira (5). Segundo os militares, o bombardeio teve como alvo infraestruturas do grupo armado Hezbollah no bairro de Dahieh, na zona sul da cidade.
De acordo com as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), a operação faz parte da ofensiva contra posições da organização apoiada pelo Irã.
A capital libanesa tem sido alvo de ataques nos últimos dias. Na última segunda-feira (2), o exército israelense informou que matou o chefe do quartel-general de inteligência do Hezbollah, Hussein Makled, em um ataque em Beirute.
Bombardeios no Irã
O bombardeio ocorre horas depois de forças israelenses lançarem mísseis em direção ao Irã. A ação foi uma retaliação aos ataques iranianos lançados contra Tel Aviv e Jerusalém.
Segundo o exército, os sistemas de defesa aérea foram acionados para interceptar as ameaças, enquanto o Comando da Defesa Civil enviou alertas diretamente para celulares da população nas áreas sob risco.
As autoridades orientaram os moradores a seguir as instruções de segurança e procurar abrigos, afirmando que as medidas são essenciais para reduzir o risco de vítimas.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (28). O bombardeio, que deixou centenas de mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de "voltar a perseguir suas ambições nucleares", mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
Em pronunciamento, Trump afirmou que a operação contra o Irã vai continuar até que todos os objetivos militares dos Estados Unidos sejam alcançados. Disse, também, que o país irá vingar a morte dos três militares durante a retaliação iraniana. "Eu faço um apelo à Guarda Revolucionária, aos militares do Irã, policiais: entreguem as suas armas e recebam total imunidade, ou encarem a morte certa", disse.
Já à revista The Atlantic, o presidente norte-americano revelou que a nova liderança iraniana manifestou interesse em negociar com Washington e que ele concordou em abrir diálogo. Questionado sobre quando as conversas devem ocorrer, respondeu que não poderia precisar uma data. A declaração, contudo, foi rejeitada pelo chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, que disse que o país não irá negociar com os Estados Unidos.









