Israel diz ter matado chefe de inteligência do Hezbollah em ataque em Beirute
Exército israelense afirmou que "atacou com precisão" integrantes do alto escalão do grupo e dezenas de centros de comando


Emanuelle Menezes
O exército israelense informou nesta segunda-feira (2) que matou o chefe do quartel-general de inteligência do Hezbollah, Hussein Makled, em um ataque em Beirute, no Líbano. Militantes do grupo, aliado do Irã, lançaram foguetes e drones contra o norte de Israel em retaliação à morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei – alvo de um bombardeio no último sábado (28).
Segundo as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), Makled morreu em um "ataque preciso em Beirute". Mais cedo, o exército israelense já havia informado que integrantes do alto escalão do Hezbollah e dezenas de centros de comando do grupo foram atingidos em "resposta aos foguetes disparados do Líbano para Israel".
"O IDF está preparado para um cenário de múltiplas frentes e para combater qualquer ameaça a Israel e aos civis israelenses", diz a publicação.
Pelo menos 31 pessoas morreram e outras 149 ficaram feridas no Líbano.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (28). O bombardeio, que deixou centenas de mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de "voltar a perseguir suas ambições nucleares", mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
Em pronunciamento, Trump afirmou que a operação contra o Irã vai continuar até que todos os objetivos militares dos Estados Unidos sejam alcançados. Disse, também, que o país irá vingar a morte dos três militares durante a retaliação iraniana. "Eu faço um apelo à Guarda Revolucionária, aos militares do Irã, policiais: entreguem as suas armas e recebam total imunidade, ou encarem a morte certa", disse.
Já à revista The Atlantic, o presidente norte-americano revelou que a nova liderança iraniana manifestou interesse em negociar com Washington e que ele concordou em abrir diálogo. Questionado sobre quando as conversas devem ocorrer, respondeu que não poderia precisar uma data. A declaração, contudo, foi rejeitada pelo chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, que disse que o país não irá negociar com os Estados Unidos.









