Política

"Passo econômico e geopolítico importante", diz Celso Amorim sobre avanço do acordo UE-Mercosul

Embaixador classificou sinal verde como positivo, especialmente em um momento de crise do multilateralismo

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O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, disse nesta sexta-feira (9) que a aprovação da assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia é um passo importante, no contexto em que o multilateralismo é posto à prova em todo o mundo.

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"Acho um passo importante dos pontos de vista econômico (diversificação) e geopolítico, no momento em que o mundo está crescentemente fragmentado e o multilateralismo está em crise", afirmou ao SBT News.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também comemorou a medida. "Acordo histórico, não apenas pelo seu significado econômico, mas sobretudo pelo significado geopolítico. Uma nova avenida de cooperação se abre nesse momento conturbado, mostrando um novo caminho de pluralidade e oportunidade", escreveu nas redes sociais.

O Conselho da União Europeia, órgão que representa os governos dos 27 países do bloco, autorizou a assinatura do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. A decisão concede aval político ao texto negociado, mas o tratado ainda não entrou em vigor. O avanço ocorre após mais de 25 anos desde o início das negociações entre os dois blocos econômicos.

Com a autorização, os governos da UE concordaram que o acordo pode ser formalmente assinado. O que deve acontecer no próximo dia 17, no Paraguai.

Entraves

O avanço do acordo encontra resistências que se explicam no protecionismo de países como França e Itália. Agricultores temem que haja concorrência desleal com produtos como carne bovina e açúcar produzidos por países do Mercosul.

Em dezembro, o presidente Lula (PT) deu uma espécie de ultimato e afirmou que deixaria de insistir no pacto caso o acordo não saísse.

No fim daquele mês, havia a expectativa da assinatura na Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, em Foz do Iguaçu, o que não aconteceu.

Quando soube dos entraves que dificultariam o avanço do acordo, em meados de dezembro, Lula afirmou, durante evento no Planalto: "Se a gente não fizer agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente".

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