Conselho da UE autoriza assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul
Aval político libera assinatura do tratado após 25 anos de negociações, mas acordo ainda depende de aprovação do Parlamento Europeu
Vicklin Moraes
09/01/2026, 17:06 • Atualizado em 09/01/2026, 17:24
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Presidente Lula em encontro com a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen | Foto: reprodução/Ricardo Stuckert
O Conselho da União Europeia, órgão que representa os governos dos 27 países do bloco, autorizou nesta sexta-feira (9) a assinatura do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. A decisão concede aval político ao texto negociado, mas o tratado ainda não entrou em vigor. O avanço ocorre após mais de 25 anos desde o início das negociações entre os dois blocos econômicos.
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Com a autorização, os governos da UE concordaram que o acordo pode ser formalmente assinado. Na prática, o sinal verde abrange dois instrumentos. O primeiro é o Acordo de Parceria Abrangente, que vai além do comércio e inclui cooperação política, diálogo institucional e compromissos em áreas como meio ambiente, direitos humanos e desenvolvimento sustentável. O segundo é um acordo comercial interino, que permite antecipar a aplicação de parte das regras comerciais sem aguardar a ratificação completa por todos os parlamentos nacionais europeus.
Segundo comunicado da União Europeia, o tratado cria uma das principais zonas de livre comércio do mundo, com redução progressiva de tarifas, facilitação do comércio e regras comuns para investimentos. O bloco afirma ainda que o texto incorpora mecanismos de proteção para setores sensíveis, especialmente o agrícola, além de compromissos ambientais reforçados.
Apesar do aval do Conselho, o processo ainda exige novas etapas. O acordo precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e, no caso do Acordo de Parceria Abrangente, também pelos parlamentos nacionais de vários países da UE e pelos países do Mercosul. Somente após essas aprovações o tratado poderá entrar plenamente em vigor.
Mais cedo, os embaixadores da União Europeia já haviam concedido aprovação provisória à assinatura do acordo. A Comissão Europeia, que concluiu as negociações há cerca de um ano, e países como Alemanha e Espanha defendem o tratado como parte central da estratégia europeia para abrir novos mercados, compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e reduzir a dependência da China, garantindo acesso a minerais considerados essenciais.
Os opositores, liderados pela França, maior produtor agrícola da União Europeia, afirmam que o acordo tende a ampliar as importações de produtos alimentícios mais baratos, como carne bovina, aves e açúcar, pressionando os agricultores europeus. Nesta sexta-feira, produtores rurais realizaram protestos em diversos países do bloco, com bloqueios de rodovias na França e na Bélgica e manifestações na Polônia.
Em meio a um cenário internacional marcado pelo avanço do protecionismo e do unilateralismo, o governo brasileiro avalia que o acordo sinaliza apoio ao comércio internacional como vetor de crescimento econômico, com benefícios para ambos os blocos.
Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o Acordo entre Mercosul-União Europeia, um dos maiores tratados de livre comércio do mundo. A decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de…
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a decisão do Conselho é histórica. Segundo ela, a Europa envia um “sinal forte” de compromisso com crescimento, empregos e a defesa dos interesses de consumidores e empresas europeias, ao criar, com o Mercosul, um mercado de cerca de 700 milhões de pessoas e novas oportunidades econômicas.
Today’s Council decision to support the EU-Mercosur deal is historic.
Europe is sending a strong signal.
We are serious about creating growth, jobs and securing the interests of Europeans consumers and businesses.
Conselho da UE autoriza assinatura do acordo de livre comércio com o MercosulAval político libera assinatura do tratado após 25 anos de negociações, mas acordo ainda depende de aprovação do Parlamento EuropeuMundo2026-01-09T17:06:42.362ZO Conselho da União Europeia, órgão que representa os governos dos 27 países do bloco, autorizou nesta sexta-feira (9) a assinatura do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. A decisão concede aval político ao texto negociado, mas o tratado ainda não entrou em vigor. O avanço ocorre após mais de 25 anos desde o início das negociações entre os dois blocos econômicos. Com a autorização, os governos da UE concordaram que o acordo pode ser formalmente assinado. Na prática, o sinal verde abrange dois instrumentos. O primeiro é o Acordo de Parceria Abrangente, que vai além do comércio e inclui cooperação política, diálogo institucional e compromissos em áreas como meio ambiente, direitos humanos e desenvolvimento sustentável. O segundo é um acordo comercial interino, que permite antecipar a aplicação de parte das regras comerciais sem aguardar a ratificação completa por todos os parlamentos nacionais europeus. Segundo comunicado da União Europeia, o tratado cria uma das principais zonas de livre comércio do mundo, com redução progressiva de tarifas, facilitação do comércio e regras comuns para investimentos. O bloco afirma ainda que o texto incorpora mecanismos de proteção para setores sensíveis, especialmente o agrícola, além de compromissos ambientais reforçados. Apesar do aval do Conselho, o processo ainda exige novas etapas. O acordo precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e, no caso do Acordo de Parceria Abrangente, também pelos parlamentos nacionais de vários países da UE e pelos países do Mercosul. Somente após essas aprovações o tratado poderá entrar plenamente em vigor. Mais cedo, A Comissão Europeia, que concluiu as negociações há cerca de um ano, e países como Alemanha e Espanha defendem o tratado como parte central da estratégia europeia para abrir novos mercados, compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e reduzir a dependência da China, garantindo acesso a minerais considerados essenciais. Os opositores, liderados pela França, maior produtor agrícola da União Europeia, afirmam que o acordo tende a ampliar as importações de produtos alimentícios mais baratos, como carne bovina, aves e açúcar, pressionando os agricultores europeus. Nesta sexta-feira, produtores rurais realizaram protestos em diversos países do bloco, com bloqueios de rodovias na França e na Bélgica e manifestações na Polônia. Após a decisão do Conselho Em declaração, afirmou que, após 25 anos de negociações, foi aprovado um dos maiores acordos de livre comércio do mundo, unindo dois blocos que somam cerca de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto conjunto estimado em US$ 22,4 trilhões. Em meio a um cenário internacional marcado pelo avanço do protecionismo e do unilateralismo, o governo brasileiro avalia que o acordo sinaliza apoio ao comércio internacional como vetor de crescimento econômico, com benefícios para ambos os blocos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a decisão do Conselho é histórica. Segundo ela, a Europa envia um “sinal forte” de compromisso com crescimento, empregos e a defesa dos interesses de consumidores e empresas europeias, ao criar, com o Mercosul, um mercado de cerca de 700 milhões de pessoas e novas oportunidades econômicas. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/conselho-da-ue-autoriza-assinatura-do-acordo-de-livre-comercio-com-o-mercosul