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Oposição tenta derrubar governo na França por possível acordo UE-Mercosul

Partidos devem apresentar nesta sexta (9) moções de desconfiança; Macron afirmou que país votará contra acordo

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Reuters
09/01/2026, 11:06 • Atualizado em 09/01/2026, 11:09
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Agricultores protestam em frente à Assembleia Nacional da França, em Paris | 08/01/2026/Reuters/Benoit Tessier

Agricultores protestam em frente à Assembleia Nacional da França, em Paris | 08/01/2026/Reuters/Benoit Tessier

Os partidos de oposição de extrema-direita e de extrema-esquerda da França apresentarão moções de desconfiança contra o frágil governo minoritário do país em resposta à provável aprovação, nesta sexta-feira (9), do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.

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O partido de extrema-esquerda França Insubmissa (LFI) disse que apresentará uma moção de desconfiança na manhã desta sexta-feira, enquanto o partido de extrema-direita Reunião Nacional (RN) disse que também apresentará uma moção contra a presidente da Comissão Europeia em Bruxelas.

As moções de desconfiança destacam o revés político interno que o governo do presidente da França, Emmanuel Macron, enfrenta em relação ao acordo comercial com as nações sul-americanas, enquanto luta para aprovar um orçamento já atrasado para 2026 em um Parlamento turbulento.

Parece improvável que o RN e o LFI consigam reunir votos suficientes no Parlamento para destituir o governo, liderado pelo primeiro-ministro Sebastien Lecornu. Ainda assim, suas ameaças destacam a perigosa corda bamba política que o governo de Macron continua a percorrer pouco mais de um ano antes da eleição presidencial de 2027.

Lecornu diz que moções enfraquecem voz da França

Macron disse que a França votará contra o acordo com o Mercosul. No entanto, o tratado exige apenas o apoio da maioria qualificada entre os Estados-membros da UE para que seja assinado pela Comissão Europeia e pelo bloco sul-americano. O Parlamento Europeu precisaria então ratificar o acordo.

Em uma postagem no X na noite dessa quinta, o presidente do RN, Jordan Bardella, disse que a promessa de Macron de não votar a favor do acordo era uma mera postura que equivalia a "uma traição aos agricultores franceses".

Em uma publicação separada no X, Marine Le Pen, uma das principais líderes do RN, pediu que Macron "anunciasse, se necessário, a suspensão da contribuição da França para o orçamento da União Europeia".

A líder do LFI na câmara baixa do Parlamento, Mathilde Panot, disse no X que a França havia sido "humilhada" por Bruxelas e no cenário mundial.

"Lecornu e Macron devem sair", escreveu ela.

Lecornu disse que as moções de desconfiança enviam um sinal negativo para o exterior em um momento em que a França deveria tentar demonstrar unidade para convencer outras nações europeias e estava atrasando as negociações para chegar a um acordo sobre um orçamento.

"Apresentar uma moção de desconfiança nesse contexto... é escolher enfraquecer a voz da França em vez de mostrar unidade nacional em defesa de nossa agricultura", postou Lecornu no X.

Espera-se que as nações da UE aprovem nesta sexta-feira a assinatura do acordo de livre comércio do bloco com o Mercosul.

Os apoiadores, incluindo a Alemanha e a Espanha, argumentam que é uma parte vital de um esforço da UE para abrir novos mercados para compensar os negócios perdidos com as tarifas comerciais dos Estados Unidos e para reduzir a dependência da China.

Os opositores, liderados pela França, o maior produtor agrícola da União Europeia, afirmam que o acordo aumentará as importações de produtos alimentícios baratos, prejudicando os agricultores europeus.

(Reportagem de Sybille de la Hamaide, Gabriel Stargardter, Charlotte Van Campenhout e Michel Rose)

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