Política

"Ninguém vai passar pano” na investigação que cita filho de Lula, afirma presidente do INSS, ao SBT News

Em entrevista ao Sala de Imprensa, Gilberto Waller avalia que apuração vai punir responsáveis por fraude bilionária no INSS, independentemente de lado político

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Basília Rodrigues , Victoria Abel, Hariane Bittencourt
18/01/2026, 22:32 • Atualizado em 19/01/2026, 02:44
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O presidente do INSS, Gilberto Waller, afirmou ao SBT News que “ninguém vai passar pano” na investigação que cita o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, sobre fraude em recursos de aposentados e pensionistas.

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“Sendo bem sincero, não conheço o que tem dentro da ação policial para saber da relação de A, B ou C no esquema. A gente fica sabendo pelo relato da imprensa. E como o próprio presidente da República já falou: a apuração tem que ir ao fim, doa a quem doer. Se tiver, tenho certeza que ninguém vai passar pano sobre essa situação. Toda apuração vai até o fim e os responsáveis deverão ser responsabilizados”, disse em entrevista exclusiva ao programa Sala de Imprensa.

Waller afirmou que todas as investigações estão sendo feitas contra quem causou prejuízos a aposentados e pensionistas, independentemente de relações políticas ou partidárias.

A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que apura citações a Fábio Luís Lula da Silva verificadas no âmbito do inquérito sobre fraudes no INSS. Em uma representação revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo, a PF diz que o filho de Lula "em tese, poderia atuar como sócio oculto" de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A Operação Sem Desconto apurou a existência de repasses à empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha.

Na última fase da operação, o STF decretou 16 mandados de prisão, entre eles do número 2 do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal; além de buscas e apreensões, como no endereço do vice líder do governo no Senado, Weverton Rocha (PDT-MA).

Durante a entrevista, o presidente do INSS reiterou que o esquema de fraude envolvendo entidades associativas teve início em 2019, no governo Bolsonaro, o que possibilitou a entrada de instituições fraudulentas e fantasmas. Em 2025, várias associações foram descredenciadas e servidores demitidos.

Apesar da investigação divulgar que o prejuízo chegaria a R$ 6,3 bilhões, Waller afirma que o cálculo foi superestimado porque levou em consideração o valor da taxa mais alta de associação, que variava de R$ 20 a R$ 70. Na prática, ao cruzar dados, o INSS encontrou suspeita de fraude em R$ 3,5 bilhões. Desse total, R$ 2,8 bilhões já foram devolvidos aos segurados. O processo de ressarcimento termina em 14 de fevereiro.

“Por sermos gigantes, nós INSS, sofremos o abalo de pessoas de uma quadrilha que se adentrou para roubar aposentados e pensionistas. Esse roubo que já acontecia há algum tempo, foi descoberto agora pela investigação. É bom prisão, é bom se aprofundar porque isso demonstra que ninguém do INSS, nem do governo, pode estar de acordo com isso que foi feito. Então a cada fase da operação, dói e machuca, ter que responder de novo por fraudes. Mas a cada vez que faz, é uma forma de virar página e mostrar: roubar nosso aposentado e pensionista dá prisão. E não pode ser qualquer tipo de punição, são as pessoa mais vulneráveis”, disse.

Waller comentou sobre o resultado de buscas e apreensões que a investigação chegou até o momento. “R$ 20 para quem recebe salário mínimo é a diferença se vai comer ou não aquele dia, se vai comprar leite ou pão, se vai tomar água ou um refrigerante. É muito diferente observar que esse valor era roubado para uma pessoa andar de Porshe, ter R$ 500 milhões na conta, a pessoa comprar um apartamento que tem elevador que leva o carro. Isso choca, isso dói, isso machuca a todos”, disse.

“Ninguém pode ficar impune, seja quem for, seja qual posição ocupe”, concluiu.

Assista à entrevista de Gilberto Waller na íntegra:

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