Fraudes em descontos: operação da PF mira senador Weverton, número 2 da Previdência e filho do "Careca do INSS"
Agentes e auditores cumpriram 68 mandados, sendo 16 de prisão preventiva, em seis estados e no Distrito Federal



Anita Prado
Eduardo Gayer
Felipe Moraes
Kenzô Machida
Nova fase da operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), que investiga fraudes via descontos irregulares em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mirou diversos alvos nesta quinta-feira (18). Agentes realizaram buscas contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula (PT) no Senado, e prenderam o secretário-executivo da Previdência Social, Adroaldo da Cunha Portal, e Romeu Carvalho Antunes, filho do "Careca do INSS", Antônio Carlos Camilo Antunes, detido em setembro por suspeita de envolvimento no esquema.
Agentes cumpriram, ao todo, 68 mandados expedidos pelo ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça: 16 de prisão preventiva e 52 de busca e apreensão. O número 2 da Previdência, Adroaldo Portal, teve prisão domiciliar decretada e foi demitido do cargo pelo ministro Wolney Queiroz, que nomeará um procurador para o cargo. Um assessor do senador Weverton também foi preso.

Outro alvo de mandado de prisão foi o advogado Eric Douglas Martins Fidelis, filho de André Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS preso em novembro em outra fase da Sem Desconto.
A assessoria do senador Weverton se manifestou em breve nota à imprensa. Leia:
"O senador Weverton Rocha informa que recebeu com surpresa a busca na sua residência, com serenidade se coloca à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas assim que tiver acesso integral à decisão."
Mais tarde, equipe do parlamentar emitiu outro comunicado a jornalistas:
"Confio plenamente nas instituições e no Estado Democrático de Direito, reafirmando meu respeito ao trabalho da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal.
Ressalto que a decisão da Corte é clara ao reconhecer a ausência de provas que me vinculem a práticas ilícitas ou ao recebimento de recursos irregulares. Relações profissionais de terceiros não podem ser usadas para me imputar responsabilidade sem fatos concretos.
Sigo exercendo meu mandato com serenidade e colaborando para o esclarecimento dos fatos, certo de que a verdade prevalecerá e minha inocência será plenamente reconhecida."
Mandados e medidas cautelares miraram suspeitos de envolvimento no esquema em seis estados (Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e São Paulo) e no Distrito Federal.
Segundo a PF, fase deflagrada hoje objetiva aprofundar investigações e "esclarecer a prática dos crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial".

Ação desta quinta mobilizou 177 policiais federais e 36 auditores da CGU. A operação Sem Desconto vem sendo deflagrada em diversas fases desde abril, quando a primeira revelou escândalo. Valores desviados de aposentados e pensionistas por meio de descontos associativos não autorizados chegam a pelo menos R$ 6,3 bilhões.
Além do inquérito do STF, fraudes também são investigadas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, em andamento no Congresso Nacional.










