Política

VÍDEO: deputada do PL faz ‘blackface’ durante discurso contra mulheres trans na Alesp

Com encenação no plenário, Fabiana Bolsonaro pretendia argumentar que as transsexuais não podem dizer que são mulheres, mesmo que se 'maquiem'

A deputada estadual Fabiana Barroso (PL-SP) — que adotou o nome Fabiana "Bolsonaro" nas eleições de 2022, e não é parente do ex-presidente — pintou o rosto e os braços de marrom em plenário durante discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), nesta quarta-feira (18). A prática, chamada blackface, é considerada racista por remeter a estereótipos históricos usados para ridicularizar pessoas pretas.

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Com a encenação, Fabiana pretendia argumentar que, da mesma forma que pessoas brancas não podem afirmar serem pretas, mesmo que tentem construir essa imagem, mulheres transsexuais não podem dizer que são mulheres. O ato ocorre uma semana depois que a deputada federal Erika Hilton (PSOL) assumiu a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.

"Eu sou uma mulher branca. Tive os privilégios de uma pessoa branca em todo o decorrer da minha vida. Eu pergunto: e agora? Eu virei negra?", afirma Fabiana, enquanto pinta o rosto de marrom. "Eu senti o desprezo da sociedade por ser uma pessoa negra, que jamais deveria existir?"

Mais adiante no discurso, Fabiana faz uma menção nominal a Erika Hilton. Ela diz que a eleição da deputada para a presidência da Comissão da Mulher foi algo que a "entristeceu muito" e lamenta que a sociedade esteja, segundo ela, tentando tirar as oportunidades de mulheres cis ao colocar mulheres trans para ocupar os mesmos espaços.

Fabiana afirma também que mulheres trans nunca conhecerão as dores de uma mulher, ainda que "se maquiem" como uma, e sugeriu que pessoas trans criem sua própria comissão na Câmara para debater pautas que dizem respeito a essa população. Ela ainda cobrou um posicionamento das feministas sobre essa suposta "opressão".

"Não adianta se maquiar de mulher. Não vai saber o que uma mulher passa. E que bom, significa que você, que é trans, tem a sua própria pauta para cuidar. Crie uma comissão para cuidar das transexuais do país", disse a deputada. "Não é uma luta que demoramos muito para alcançar? Então cadê as feministas para cobrar o nosso lugar, que estão arrancando agora?"

A atitude gerou reação imediata entre colegas parlamentares. As deputadas Ediane Maria, líder do PSOL na Alesp, e Beth Sahão (PT) entraram com representação no Conselho de Ética contra a deputada Fabiana Bolsonaro (PL) pelos crimes de racismo e transfobia durante fala na tribuna da Casa. Nas redes sociais, políticos e internautas repudiaram o ato e cobraram apuração rigorosa.

"Você está ofendendo sim, Fabiana", escreveu o deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ). "Não só ofendendo como cometendo CRIME. Dois crimes, aliás: racismo e transfobia. "Que o Conselho de Ética da Alesp nem pense duas vezes em tratar desse caso."
"É nisso que a política tem se transformado", afirmou a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG). "A deputada Fabiana Bolsonaro usou o blackface- uma prática historicamente racista - pra atacar toda comunidade trans."
"Não se trata de opinião, exagero ou 'interpretação'", disse a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). A deputada Fabiana Bolsonaro encenou hoje na ALESP uma prática que carrega uma história profunda de racismo, humilhação e desumanização: o blackface. É fundamental que haja apuração rigorosa e responsabilização nos termos da lei. Não podemos normalizar o absurdo."

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