Câmara de SP aprova projeto que altera o nome da Rua Peixoto Gomide
Via pode deixar de homenagear político e passar a levar nome da filha, morta pelo próprio pai em 1906
Antonio Souza
Rua Peixoto Gomide, nos bairro dos Jardins no centro de SP | Google Street View
A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira votação nesta quarta-feira (18), um projeto de lei que altera o nome da Rua Peixoto Gomide, nos Jardins, para Rua Sophia Gomide.
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O texto, de autoria da bancada feminista do PSOL, argumenta que a atual denominação homenageia Peixoto Gomide, que matou a filha, Sophia Gomide, em 1906, dentro da casa da família.
Segundo o projeto, a mudança do nome da rua busca dar visibilidade à vítima e promover uma reparação histórica. Sophia Gomide é apontada como uma vítima de feminicídio.
A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo de revisão de homenagens públicas a pessoas envolvidas em episódios de violência, especialmente contra mulheres. A proposta também busca valorizar a memória da vítima, em vez do agressor.
O projeto foi aprovado com 33 votos favoráveis, contra nenhum voto contrário ou abstenção.
O texto ainda precisa passar por uma segunda votação na Câmara. Se aprovado novamente, será encaminhado para sanção do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).
O crime
Segundo relata o artigo publicado pela pesquisadora Maíra Rosin, no dia 23 de julho de 2021, o crime ocorreu em 20 de janeiro de 1906. Naquele dia, o então presidente do Senado do Estado de São Paulo, Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior, deixou a mesa de almoço e seguiu para a sala de estar da casa da família.
No local, encontrou a filha, Sophia Gomide, então com 22 anos, sentada em uma poltrona enquanto fazia um bordado. Ele se aproximou, apontou um revólver para a cabeça da jovem e disparou. Sophia morreu imediatamente.
Em seguida, o político foi até um cômodo ao lado, sentou-se ao piano e atirou contra o próprio ouvido. A cena foi presenciada por familiares, que acompanharam tudo em desespero.
Ainda segundo o artigo, os jornais da época atribuíram o crime a “uma alucinação, cujos sintomas já dias antes haviam se manifestado brandamente”.
Os velórios aconteceram na cena do crime e o sepultamento foi realizado com honras. Sophia, que se casaria na semana seguinte, foi velada em seu vestido de noiva.
Câmara de SP aprova projeto que altera o nome da Rua Peixoto GomideVia pode deixar de homenagear político e passar a levar nome da filha, morta pelo próprio pai em 1906Brasil2026-03-19T03:36:55.724ZA Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira votação nesta quarta-feira (18), um projeto de lei que altera o nome da Rua Peixoto Gomide, nos Jardins, para Rua Sophia Gomide. O texto, de autoria da bancada feminista do PSOL, argumenta que a atual denominação homenageia Peixoto Gomide, que matou a filha, Sophia Gomide, em 1906, dentro da casa da família. + Segundo o projeto, a mudança do nome da rua busca dar visibilidade à vítima e promover uma reparação histórica. Sophia Gomide é apontada como uma vítima de feminicídio. A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo de revisão de homenagens públicas a pessoas envolvidas em episódios de violência, especialmente contra mulheres. A proposta também busca valorizar a memória da vítima, em vez do agressor. O projeto foi aprovado com 33 votos favoráveis, contra nenhum voto contrário ou abstenção. + O texto ainda precisa passar por uma segunda votação na Câmara. Se aprovado novamente, será encaminhado para sanção do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). O crime Segundo relata o artigo publicado pela pesquisadora Maíra Rosin, no dia 23 de julho de 2021, o crime ocorreu em 20 de janeiro de 1906. Naquele dia, o então presidente do Senado do Estado de São Paulo, Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior, deixou a mesa de almoço e seguiu para a sala de estar da casa da família. No local, encontrou a filha, Sophia Gomide, então com 22 anos, sentada em uma poltrona enquanto fazia um bordado. Ele se aproximou, apontou um revólver para a cabeça da jovem e disparou. Sophia morreu imediatamente. + Em seguida, o político foi até um cômodo ao lado, sentou-se ao piano e atirou contra o próprio ouvido. A cena foi presenciada por familiares, que acompanharam tudo em desespero. Ainda segundo o artigo, os jornais da época atribuíram o crime a “uma alucinação, cujos sintomas já dias antes haviam se manifestado brandamente”. Os velórios aconteceram na cena do crime e o sepultamento foi realizado com honras. Sophia, que se casaria na semana seguinte, foi velada em seu vestido de noiva.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/camara-de-sp-aprova-projeto-que-altera-o-nome-da-rua-peixoto-gomide-1