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Câmara de SP aprova projeto que altera o nome da Rua Peixoto Gomide

Via pode deixar de homenagear político e passar a levar nome da filha, morta pelo próprio pai em 1906

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Rua Peixoto Gomide, nos bairro dos Jardins no centro de SP | Google Street View

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira votação nesta quarta-feira (18), um projeto de lei que altera o nome da Rua Peixoto Gomide, nos Jardins, para Rua Sophia Gomide.

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O texto, de autoria da bancada feminista do PSOL, argumenta que a atual denominação homenageia Peixoto Gomide, que matou a filha, Sophia Gomide, em 1906, dentro da casa da família.

Segundo o projeto, a mudança do nome da rua busca dar visibilidade à vítima e promover uma reparação histórica. Sophia Gomide é apontada como uma vítima de feminicídio.

A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo de revisão de homenagens públicas a pessoas envolvidas em episódios de violência, especialmente contra mulheres. A proposta também busca valorizar a memória da vítima, em vez do agressor.

O projeto foi aprovado com 33 votos favoráveis, contra nenhum voto contrário ou abstenção.

O texto ainda precisa passar por uma segunda votação na Câmara. Se aprovado novamente, será encaminhado para sanção do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

O crime

Segundo relata o artigo publicado pela pesquisadora Maíra Rosin, no dia 23 de julho de 2021, o crime ocorreu em 20 de janeiro de 1906. Naquele dia, o então presidente do Senado do Estado de São Paulo, Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior, deixou a mesa de almoço e seguiu para a sala de estar da casa da família.

No local, encontrou a filha, Sophia Gomide, então com 22 anos, sentada em uma poltrona enquanto fazia um bordado. Ele se aproximou, apontou um revólver para a cabeça da jovem e disparou. Sophia morreu imediatamente.

Em seguida, o político foi até um cômodo ao lado, sentou-se ao piano e atirou contra o próprio ouvido. A cena foi presenciada por familiares, que acompanharam tudo em desespero.

Ainda segundo o artigo, os jornais da época atribuíram o crime a “uma alucinação, cujos sintomas já dias antes haviam se manifestado brandamente”.

Os velórios aconteceram na cena do crime e o sepultamento foi realizado com honras. Sophia, que se casaria na semana seguinte, foi velada em seu vestido de noiva.

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