Brasil registra recorde de feminicídios em 2025
País registrou 1.470 casos em um ano; média é de quatro mulheres assassinadas por dia, segundo o Ministério da Justiça


Vicklin Moraes
O Brasil registrou recorde de feminicídios em 2025, com 1.470 casos entre janeiro e dezembro, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número supera o total de 2024, quando foram contabilizados 1.464 registros, até então a maior marca da série histórica.
Os dados indicam que quatro mulheres foram assassinadas por dia no país no último ano. A taxa nacional chegou a 0,69 caso por 100 mil habitantes, o maior índice dos últimos dez anos. Na comparação anual, houve aumento de ao menos 0,41% em relação a 2024.
O mês de abril concentrou o maior número de ocorrências, com 138 feminicídios. São Paulo lidera o ranking estadual, com 233 casos, seguido por Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104). Ao todo, 15 estados registraram crescimento nos casos entre 2024 e 2025, com as maiores altas percentuais nas regiões Norte e Nordeste. Por outro lado, 11 unidades da federação apresentaram redução no número de ocorrências.
O balanço, no entanto, ainda é parcial. Estados como Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo não haviam enviado, até o fechamento do levantamento, os dados referentes aos crimes registrados em dezembro, o que pode elevar ainda mais o total nacional.
Os números ganham dimensão humana em casos como o de Tainara Souza Santos, de 31 anos, morta após ser atropelada e arrastada pelo ex-namorado na Marginal do Rio Tietê, em São Paulo. A vítima morreu na véspera de Natal, no Hospital das Clínicas, após 25 dias de internação. Tainara teve as duas pernas amputadas, passou por cinco cirurgias e deixa dois filhos, de 12 e 7 anos. Segundo a investigação, ela foi atropelada de forma intencional pelo ex-companheiro, Douglas Alves da Silva, de 26 anos.

A tipificação do feminicídio foi criada em 2015, para caracterizar a morte de mulheres em razão do gênero. Em uma década, 13.448 mulheres foram assassinadas no Brasil por esse motivo, o que representa uma média anual de 1.345 vítimas.
Em 2024, o feminicídio deixou de ser apenas uma qualificadora do homicídio e passou a ser crime autônomo, com penas que variam de 20 a 40 anos de prisão. A mudança faz parte do chamado Pacote Antifeminicídio, que endureceu punições e promoveu alterações na Lei Maria da Penha, no Código de Processo Penal e na Lei de Execução Penal.
Em casos com agravantes, a pena pode chegar a 60 anos de prisão, tornando o feminicídio o crime com a punição mais severa prevista atualmente na legislação brasileira.









