Política

Moraes dá 48h para PGR avaliar esclarecimentos de Bolsonaro sobre descumprimento de medidas

Defesa chamou relatório da PF de "peça política" e negou risco de fuga; ministro pode decidir converter prisão domiciliar de ex-presidente em prisão preventiva

C
Camila Stucaluc
23/08/2025, 09:46 • Atualizado em 24/08/2025, 00:54
compartilhar

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 48 horas para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre os esclarecimentos prestados pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em relação ao descumprimento das medidas cautelares. Embora vença no domingo (24), o prazo pode ser prorrogado até o próximo dia útil, isto é, na segunda-feira (25).

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Bolsonaro é réu no processo que apura a tentativa de golpe de Estado em 2022, cujo julgamento está marcado para o dia 2 de setembro. No início de agosto, Moraes determinou a prisão domiciliar do ex-presidente devido ao descumprimento das medidas cautelares, com o uso irregular das redes sociais.

Nesta semana, um relatório da Polícia Federal, que resultou no indiciamento de Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro (PL) por coação no processo da trama golpista, revelou novos descumprimentos das medidas. O documento mostra que o ex-presidente continuou produzindo conteúdo para as redes sociais e que se comunicou com o ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto – também investigado no processo.

Com base no relatório, Moraes também apontou que Bolsonaro apresentou “acentuado risco de fuga, com a finalidade de evitar o cumprimento da lei”. Isso porque os investigadores confirmaram que o ex-presidente tinha, em seu celular, um rascunho de pedido de asilo à Argentina, no qual alegava perseguição política e que estava próximo de ser preso injustamente. Dizia, ainda, temer pela própria vida.

Na manifestação enviada ao STF, a defesa negou que Bolsonaro tenha descumprido a ordem de não usar redes sociais, sustentando que o ex-presidente nunca esteve proibido de usar o WhatsApp. Em relação ao pedido de asilo, os advogados defenderam que o próprio relatório da Polícia Federal reconhece que o documento é um "rascunho antigo enviado por terceiro", o que não prova uma tentativa de fuga.

“O relatório da Polícia Federal causa espanto. Encaixa-se como uma peça política, com o objetivo de desmoralizar um ex-presidente da República (que, quer queiram as autoridades policiais ou não, ainda é um líder político), expondo sua vida privada e acusando-o de fatos tão graves quanto descabidos. Parece incrível, mas boa parte do relatório dedica-se a um disse-me-disse sem qualquer relevância para a investigação”, disse a defesa.

O parecer dos advogados será avaliado pela PGR, que enviará uma manifestação ao STF. Posteriormente, Moraes deverá decidir se converterá a prisão domiciliar de Bolsonaro em prisão preventiva. Isso porque, ao determinar a prisão domiciliar do ex-presidente, o ministro alertou que “o descumprimento das regras ou de qualquer uma das medidas cautelares implicará sua revogação e a decretação imediata da prisão preventiva”.

Indiciamento

Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo foram indiciados pela Polícia Federal na quarta-feira (20), sob a suspeita de obstrução do julgamento da trama golpista, em curso no STF. O relatório apontou que ambos promoveram articulações internacionais para deslegitimar instituições brasileiras, visando abrir caminho para a anistia do ex-presidente e outros réus na ação penal.

Segundo os investigadores, Eduardo teve participação direta em encontros, audiências e manifestações públicas nos Estados Unidos em que pediu a adoção de medidas contra ministros do STF. Para sustentar a narrativa de perseguição política, ele recorreu a entrevistas e publicações em redes sociais, buscando apoio de congressistas norte-americanos.

O relatório acrescenta que houve articulações para incluir sanções em projetos de parlamentares dos Estados Unidos, em sintonia com setores da direita norte-americana. Em uma dessas ocasiões, Eduardo chegou a mencionar a possibilidade de tarifa comercial de 50% sobre produtos brasileiros, medida que, de fato, foi anunciada dias depois pelo presidente Donald Trump.

No caso de Jair Bolsonaro, a Polícia Federal apontou as mensagens trocadas com Eduardo, que mostraram a coordenação do plano entre pai e filho. As conversas com Silas Malafaia e com um advogado ligado à empresa de mídia do presidente Donald Trump também foram apresentadas como provas, bem como o rascunho de pedido de asilo político na Argentina.

No relatório, os investigadores sustentaram que as ações visavam "impedir o pleno exercício do Poder Judiciário Brasileiro nas ações penais em curso que apuram os atos de tentativa de golpe de Estado". Agora, cabe agora ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidir se apresenta ou não denúncia contra Bolsonaro, Eduardo e os demais citados no documento.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Motta confirma votação da 6x1 no plenário até quinta (28)

Motta confirma votação da 6x1 no plenário até quinta (28)

Imagem da notícia: Anvisa aprova primeira caneta nacional de semaglutida

Anvisa aprova primeira caneta nacional de semaglutida

Imagem da notícia:  Ônibus perde controle e atinge casa na zona oeste de SP

Ônibus perde controle e atinge casa na zona oeste de SP

Imagem da notícia: Polícia prende quadrilha por aplicar "golpe do paco" no DF

Polícia prende quadrilha por aplicar "golpe do paco" no DF

Imagem da notícia: Motta confirma votação da 6x1 no plenário até quinta (28)

Motta confirma votação da 6x1 no plenário até quinta (28)

Imagem da notícia: Anvisa aprova primeira caneta nacional de semaglutida

Anvisa aprova primeira caneta nacional de semaglutida

Imagem da notícia:  Ônibus perde controle e atinge casa na zona oeste de SP

Ônibus perde controle e atinge casa na zona oeste de SP

Imagem da notícia: Polícia prende quadrilha por aplicar "golpe do paco" no DF

Polícia prende quadrilha por aplicar "golpe do paco" no DF

Últimas notícias

PF faz operação contra crimes eleitorais em Macapá

Ação mira organização criminosa suspeita de desviar recursos da prefeitura para promover ataques digitais contra adversários políticos

Falsos médicos são alvo de operação em São Paulo

Polícia Civil investiga cerca de 2 mil atendimentos irregulares e nove mortes em hospital particular da capital paulista

Colisão entre trem e ônibus escolar deixa mortos na Bélgica

Acidente ocorreu em um cruzamento na cidade de Buggenhout; duas crianças estão entre os óbitos

FGTS: como consultar saque-aniversário para demitidos

Pagamento de R$ 8,5 bilhões beneficia cerca de 10,5 milhões de trabalhadores que tiveram contrato encerrado entre 2020 e 2025

NR-1: empresas ainda precisam se preparar, diz especialista

Nova norma trabalhista passa a exigir que empresas incluam a saúde mental nas estratégias de gestão e prevenção no ambiente de trabalho

Caso Master: Cláudio Castro é alvo da PF

Segundo investigação, gestão do ex-governador do RJ é suspeita de transferir cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência para fundos do banco de Vorcaro