Política

Meta fiscal: Não levaremos povo pobre a sacrifício, diz Lula

Em críticas ao mercado financeiro, presidente reeleito afirmou que governo tem responsabilidade com as contas públicas e falou em "outro Brasil" no novo mandato

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Por Felipe Moraes
Presidente Lula (PT) discursa após reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula (PT) discursa após reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (6) que "o povo pobre não pagará a conta" de eventuais ajustes fiscais nem será levado a "nenhum sacrifício" para equilíbrio das contas públicas.

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"Alguém pode falar que esse governo não tem responsabilidade fiscal? Alguém pode falar?", questionou o petista. "Para alguém falar que a gente não tem, as pessoas precisam dizer como é que pegamos esse governo. Para vocês da imprensa que estão aqui, vou dizer: pegamos com déficit de 2,8% e estamos entregando orçamento com superávit. 'Ah, não é o que o sistema financeiro quer'. Ele quer tudo. É o que a gente pode fazer", completou.

"A única coisa que ele [o mercado financeiro] tem que saber é que o pobre não pagará a conta. É que nós não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício", seguiu o presidente. Em longo discurso, o mandatário fez uma série de críticas ao mercado financeiro e à imprensa após reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em Brasília.

Lula: "Se coloca como dívida o que não é"

O petista pediu que jornalistas comparem a situação fiscal do Brasil com a de outros países e que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, mostre que a dívida pública "nem é tudo o que aparece". Também reiterou que seu quarto mandato terá "responsabilidade social", sem penalizar populações vulneráveis ou tirar recursos de programas sociais já consolidados como políticas públicas.

"Quantos países do mundo têm a responsabilidade fiscal que nós temos? Qual é a dívida interna dos Estados Unidos, da França, do Japão, da Itália? Perto da nossa, é o dobro em relação ao PIB. Se a gente for analisar a nossa dívida de verdade, nem é tudo o que aparece. Isso é importante, Dario, uma hora você mostrar pra imprensa. Se coloca como dívida pública brasileira o que não é", reclamou.

O mandatário lembrou que nos dois primeiros mandatos, de 2003 a 2010, "fui o único presidente" de país do G20 "que fiz superávit todo ano". "E, mesmo fazendo, a gente conseguiu fazer política de inclusão social."

"Aumentamos salário mínimo quando diziam que não podia aumentar por causa da inflação. Aumentamos massa salarial e aumento real do salário quando diziam que era inflacionário. A gente provou que não era. O que nós precisamos fazer é continuar dizendo o seguinte: esse país vai continuar com responsabilidade social", completou.

Cobrança a ministros e elogio à equipe econômica

Lula também aproveitou o momento aberto a jornalistas para cobrar ministros publicamente e afagar membros da equipe econômica.

"Ninguém nesse país pode falar mais de responsabilidade fiscal do que a minha equipe econômica. Meninos que ganham pouco, se matam de trabalhar, são xingados, brigando com outros ministros porque nós temos que tirar dois tostões de um pra colocar no outro. Ficamos o ano inteiro brigando para manter uma política fiscal com responsabilidade", disse o mandatário, defendendo integrantes do governo em um contexto de pressões do mercado por medidas fiscais.

Lula ainda avisou a ministros que vai acompanhar de perto os projetos de cada pasta e exigir prazos para realizações e divulgações. "A partir de agora, além da Casa Civil, o Lulinha vai ser fiscal do cumprimento de cada coisa que a gente aprovar. Aprovou, quero saber data de entrega, quanto tempo. Quem não quiser fazer cai fora. O Brasil não pode esperar", acrescentou.

Na parte final do discurso, o petista voltou a falar em gratidão aos idosos que saíram de casa para votar nele no segundo turno das eleições de 2026 — "é por eles que tenho pressa" — e que o "Brasil será outro" no mandato que se inicia em 2027. "Nós queremos transformar esse país numa potência econômica. Não queremos ficar dependendo da China, dos Estados Unidos. Queremos ser igual [a] eles ou melhor do que eles, nunca pior", declarou.

"Temos trabalhador, estudante, mulheres, pesquisadores, temos gente demais pra fazer e vai ser nesses quatro anos. Juscelino [Kubitschek] dizia 50 anos em 5. Não quero 50 em 5. Quero apenas em quatro anos tirar o Brasil do estágio de país em vias de desenvolvimento e colocar o Brasil como país desenvolvido, sem depender de ninguém pra crescer e fazer as coisas", seguiu.

O presidente finalizou reforçando que quer "atender às expectativas" de seus eleitores, sobretudo os da terceira idade. "Quero que tenham prazer de dizer que valeu a pena levantar pra votar. O Brasil será outro nesse mandato."

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