Enquanto uma onda de vendas derrubou bolsas de tecnologia dos Estados Unidos à Ásia, a Índia seguiu na direção oposta. A baixa exposição do mercado local ao núcleo do boom de inteligência artificial (IA), a queda do petróleo e a volta do capital estrangeiro transformaram as ações indianas em uma alternativa.
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O Nifty 50, principal índice da National Stock Exchange (NSE), que reúne 50 das maiores empresas listadas na Índia, avançou 2,01%. Já o Sensex, índice de referência da Bombay Stock Exchange (BSE), composto por 30 grandes companhias indianas, subiu 2,17%.
Na semana, os dois índices acumularam ganhos de 8,6% e 8,8%, respectivamente, no melhor desempenho semanal desde fevereiro de 2021. Do outro lado, a liquidação atingiu em cheio as bolsas mais expostas ao setor de tecnologia na Ásia.
O Kospi, da Coreia do Sul, caiu cerca de 6% nesta sexta, assim como o Nikkei, do Japão. Taiwan recuou 4,5%.
Fora do epicentro da queda da inteligência artificial
Parte da resistência da Índia vem de uma característica que, durante boa parte do ano, foi vista como fraqueza. O mercado acionário indiano tem exposição relativamente menor à cadeia de semicondutores e à infraestrutura necessária para IA do que bolsas como as de Taiwan e Coreia do Sul.
Ao longo de 2026, investidores globais privilegiaram mercados com maior participação de fabricantes de chips e outras empresas ligadas ao boom da IA. A concentração deixou a Índia para trás. Com a mudança de humor, essa mesma distância do setor passou a funcionar como proteção relativa.
A queda de 5,5% do Nasdaq na quinta-feira, 5, veio em meio ao aumento das dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em data centers e infraestrutura de IA. A pressão se espalhou nesta sexta pelos mercados asiáticos mais dependentes dessa cadeia.
As ações indianas estão funcionando como uma espécie de refúgio diante da venda de papéis tecnológicos. No fim de outubro, o Nifty 50 figurava entre os índices de melhor desempenho da Ásia, enquanto mercados mais ligados ao chamado trade de IA recuavam.
Segundo analistas da Anand Rathi ouvidos pela Reuters, o mercado pode começar a distinguir companhias que precisam financiar a construção da infraestrutura de IA daquelas capazes de ganhar com a adoção da tecnologia pelas empresas, mas com necessidade menor de capital.
"Acreditamos que o mercado poderá diferenciar cada vez mais as empresas que financiam a estruturação da IA daquelas que estão posicionadas para monetizar sua adoção no ambiente corporativo com menores necessidades de capital.", afirmaram os analistas.
Queda do petróleo joga a favor da Índia
O segundo fator veio do mercado de commodities, já que a Índia importa quase 90% do petróleo de que necessita. Por isso, períodos de petróleo caro costumam pressionar a inflação, as contas externas e a rupia, além de elevar custos para empresas e consumidores.
Parâmetro global de preços do petróleo, o Brent acumulava queda de quase 20% na semana nessa sexta-feira. Para a economia indiana, a redução representa alívio na conta de importações e diminui uma das principais fontes recentes de pressão sobre a moeda local.
A rupia avançou para 93,90 por dólar nesta sexta e atingiu seu maior nível desde abril. Na semana, a moeda ganhou 1,1% e se tornou a segunda de melhor desempenho entre as principais moedas asiáticas.
O movimento ocorre depois de meses difíceis. A rupia chegou à mínima histórica de 96,96 por dólar em maio e ainda acumula desvalorização de 4,5% em 2026.
A queda recente do petróleo também ganhou força depois das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. A vitória democrata nas duas Casas do Congresso mexeu simultaneamente com as apostas sobre petróleo e empresas ligadas à infraestrutura de IA.
Estrangeiros voltam depois de retirada recorde
Investidores estrangeiros compraram US$ 1,6 bilhão em ações indianas somente na quinta-feira, 5, o maior volume líquido para um único dia em quase seis anos, segundo dados provisórios das bolsas compilados pela Reuters.
Nos cinco pregões encerrados na quinta, as compras chegaram a US$ 2,2 bilhões. Dados divulgados nesta sexta já indicavam entradas de quase US$ 3 bilhões ao longo da semana.
A mudança é significativa porque ocorre depois de uma fuga prolongada. Investidores estrangeiros venderam um recorde de US$ 30 bilhões em ações indianas até outubro deste ano.
Isso também significa que os estrangeiros chegaram ao atual movimento com exposição relativamente baixa à Índia, abrindo espaço para recomposição de posições caso a rotação para fora das empresas de IA continue.
"Os mercados indianos recuperaram seu brilho", resumiu Aishvarya Dadheech, fundador e diretor de investimentos da Fident Asset Management, à Reuters.
Entretanto, apesar da alta recente, a Índia ainda não apagou as perdas acumuladas em 2026. O Nifty 50 recua 4,2% no ano e o Sensex perde 4,9%, enquanto o índice MSCI de mercados emergentes acumula avanço de cerca de 7%.
O mercado indiano não ficou protegido de todos os riscos globais, mas passou a oferecer uma combinação diferente da encontrada nos principais mercados asiáticos atingidos pela venda de tecnologia.
Como a Índia resistiu à queda das ações de tecnologiaPetróleo mais barato e volta do capital estrangeiro ajudam Índia a se destacar em meio à queda global
Mundo2026-11-06T14:43:10.971ZEnquanto uma onda de vendas derrubou bolsas de tecnologia dos Estados Unidos à Ásia, a Índia seguiu na direção oposta. A baixa exposição do mercado local ao núcleo do boom de inteligência artificial (IA), a queda do petróleo e a volta do capital estrangeiro transformaram as ações indianas em uma alternativa. 🤳Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! O Nifty 50, principal índice da National Stock Exchange (NSE), que reúne 50 das maiores empresas listadas na Índia, avançou 2,01%. Já o Sensex, índice de referência da Bombay Stock Exchange (BSE), composto por 30 grandes companhias indianas, subiu 2,17%. Na semana, os dois índices acumularam ganhos de 8,6% e 8,8%, respectivamente, no melhor desempenho semanal desde fevereiro de 2021. Do outro lado, a liquidação atingiu em cheio as bolsas mais expostas ao setor de tecnologia na Ásia. O Kospi, da Coreia do Sul, caiu cerca de 6% nesta sexta, assim como o Nikkei, do Japão. Taiwan recuou 4,5%. Fora do epicentro da queda da inteligência artificial Parte da resistência da Índia vem de uma característica que, durante boa parte do ano, foi vista como fraqueza. O mercado acionário indiano tem exposição relativamente menor à cadeia de semicondutores e à infraestrutura necessária para IA do que bolsas como as de Taiwan e Coreia do Sul. Ao longo de 2026, investidores globais privilegiaram mercados com maior participação de fabricantes de chips e outras empresas ligadas ao boom da IA. A concentração deixou a Índia para trás. Com a mudança de humor, essa mesma distância do setor passou a funcionar como proteção relativa. A queda de 5,5% do Nasdaq na quinta-feira, 5, veio em meio ao aumento das dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em data centers e infraestrutura de IA. A pressão se espalhou nesta sexta pelos mercados asiáticos mais dependentes dessa cadeia. As ações indianas estão funcionando como uma espécie de refúgio diante da venda de papéis tecnológicos. No fim de outubro, o Nifty 50 figurava entre os índices de melhor desempenho da Ásia, enquanto mercados mais ligados ao chamado trade de IA recuavam. Segundo analistas da Anand Rathi ouvidos pela Reuters, o mercado pode começar a distinguir companhias que precisam financiar a construção da infraestrutura de IA daquelas capazes de ganhar com a adoção da tecnologia pelas empresas, mas com necessidade menor de capital. "Acreditamos que o mercado poderá diferenciar cada vez mais as empresas que financiam a estruturação da IA daquelas que estão posicionadas para monetizar sua adoção no ambiente corporativo com menores necessidades de capital.", afirmaram os analistas. Queda do petróleo joga a favor da Índia O segundo fator veio do mercado de commodities, já que a Índia importa quase 90% do petróleo de que necessita. Por isso, períodos de petróleo caro costumam pressionar a inflação, as contas externas e a rupia, além de elevar custos para empresas e consumidores. Parâmetro global de preços do petróleo, o Brent acumulava queda de quase 20% na semana nessa sexta-feira. Para a economia indiana, a redução representa alívio na conta de importações e diminui uma das principais fontes recentes de pressão sobre a moeda local. A rupia avançou para 93,90 por dólar nesta sexta e atingiu seu maior nível desde abril. Na semana, a moeda ganhou 1,1% e se tornou a segunda de melhor desempenho entre as principais moedas asiáticas. O movimento ocorre depois de meses difíceis. A rupia chegou à mínima histórica de 96,96 por dólar em maio e ainda acumula desvalorização de 4,5% em 2026. A queda recente do petróleo também ganhou força depois das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. A vitória democrata nas duas Casas do Congresso mexeu simultaneamente com as apostas sobre petróleo e empresas ligadas à infraestrutura de IA. Estrangeiros voltam depois de retirada recorde Investidores estrangeiros compraram US$ 1,6 bilhão em ações indianas somente na quinta-feira, 5, o maior volume líquido para um único dia em quase seis anos, segundo dados provisórios das bolsas compilados pela Reuters. Nos cinco pregões encerrados na quinta, as compras chegaram a US$ 2,2 bilhões. Dados divulgados nesta sexta já indicavam entradas de quase US$ 3 bilhões ao longo da semana. A mudança é significativa porque ocorre depois de uma fuga prolongada. Investidores estrangeiros venderam um recorde de US$ 30 bilhões em ações indianas até outubro deste ano. Isso também significa que os estrangeiros chegaram ao atual movimento com exposição relativamente baixa à Índia, abrindo espaço para recomposição de posições caso a rotação para fora das empresas de IA continue. + Refúgio não significa imunidade na Índia "Os mercados indianos recuperaram seu brilho", resumiu Aishvarya Dadheech, fundador e diretor de investimentos da Fident Asset Management, à Reuters. Entretanto, apesar da alta recente, a Índia ainda não apagou as perdas acumuladas em 2026. O Nifty 50 recua 4,2% no ano e o Sensex perde 4,9%, enquanto o índice MSCI de mercados emergentes acumula avanço de cerca de 7%. O mercado indiano não ficou protegido de todos os riscos globais, mas passou a oferecer uma combinação diferente da encontrada nos principais mercados asiáticos atingidos pela venda de tecnologia.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/india-se-destaca-em-meio-a-queda-global-das-acoes-de-tecnologia
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