Itapeva, no interior de São Paulo, registrou mais de 4,3 mil casos de gastroenterite desde setembro até o início de novembro. A cidade enfrenta uma crise sanitária após a identificação de um parasita em amostras de água pelo Instituto Adolfo Lutz. O microrganismo foi encontrado em quatro bairros: região central, Vila Maringá, Vila Nova e Bairro de Cima.
Diante do aumento dos casos, a prefeitura encaminhou ao governo estadual, na quinta-feira (5), um pedido de decretação de estado de calamidade pública. Segundo informações da administração municipal, um decreto sobre a situação deve ser publicado ainda nesta semana.
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O parasita identificado é o Cryptosporidium, também chamado de criptosporídio, que apresenta resistência ao cloro utilizado no tratamento convencional da água. A contaminação pode provocar doenças gastrointestinais.
Como medida preventiva, algumas escolas da cidade suspenderam as aulas. Na Vila Maria, por exemplo, a Escola Municipal Professor Antônio Maçano está sem atividades desde terça-feira (3). Nas unidades da zona rural, as aulas foram mantidas com apoio no fornecimento de água potável pela prefeitura e pela Sabesp.
Moradores também relatam dificuldades para conseguir água potável. Segundo relatos, embora a prefeitura tenha disponibilizado caminhões-pipa para reforçar o abastecimento, a água distribuída apresenta coloração diferente, o que gera preocupação e medo de consumi-la.
O que diz a Sabesp?
Em coletiva de imprensa na quinta-feira (5), a Sabesp anunciou um pacote de medidas de R$ 50 milhões para reforçar o tratamento e o monitoramento da água em Itapeva. São elas:
- Instalação de uma tecnologia de ultrafiltração: para reforçar a segurança da água distribuída, a Sabesp começou a implantar uma tecnologia de ultrafiltração nas Estações Produtoras de Água Pilão e Aranhas. O sistema utiliza membranas capazes de reter microrganismos e partículas muito pequenas, funcionando como uma barreira adicional às etapas convencionais de tratamento. Serão instaladas cinco unidades, com capacidade conjunta para tratar 230 litros de água por segundo. Segundo a companhia, duas unidades já estão a caminho de Itapeva e a instalação deve começar nesta sexta-feira (6).
- Criação de uma Comissão Técnica Independente: será responsável por avaliar os processos de tratamento e distribuição de água, aprofundar as análises técnicas e recomendar eventuais medidas adicionais.
- Criação de pontos gratuitos de abastecimento: instalação de dez pontos gratuitos de abastecimento em diferentes regiões de Itapeva. Cada local terá reservatórios com capacidade para 5 mil litros de água, com prioridade para equipamentos públicos e famílias em situação de vulnerabilidade.
- Kits de higiene: a companhia também distribuirá kits de higiene acompanhados de orientações sobre prevenção de doenças gastrointestinais.
- Suspensão da cobrança das tarifas de água e esgoto por 30 dias: será aplicada automaticamente às contas emitidas entre 6 de novembro e 5 de dezembro, sem necessidade de solicitação dos clientes. Para as contas referentes ao período de 5 de outubro a 5 de novembro, os consumidores que já realizaram o pagamento receberão um crédito.
A Sabesp informou que, desde 1º de outubro, realizou mais de 250 análises de amostras coletadas em diferentes pontos do sistema de abastecimento, incluindo testes específicos para identificação de agentes microbiológicos.
Até a conclusão das apurações, a Sabesp orienta que a população siga as recomendações da Secretaria de Estado da Saúde.
Orientações gerais à população
A Prefeitura de Itapeva, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, publicou algumas orientações à população para evitar doenças relacionadas à ingestão de água contaminada:
- Ferver a água por pelo menos cinco minutos antes de beber, cozinhar ou preparar alimentos, garantindo mais segurança no consumo.
- Redobrar os cuidados com a higiene pessoal, lavando bem as mãos com água e sabão, especialmente após utilizar o banheiro, trocar fraldas e antes de preparar alimentos.
- Ficar atento aos possíveis sintomas de doenças relacionadas à contaminação da água, como diarreia, cólicas abdominais, náuseas e vômitos.
- Diante do aparecimento desses sintomas, a recomendação é que a pessoa procure atendimento em uma unidade de saúde para avaliação e receber as orientações necessárias.















