Marco Aurélio critica Moraes e Gonet e vê “suicídio” do STF
Ao programa Sala de Imprensa, ministro aposentado do STF defende Mendonça e PF, se diz "estarrecido" com crise e fala que Corte deveria "dar a mão à palmatória"
Basília Rodrigues , José Matheus Santos
Marco Aurélio Mello em sessão no STF | Nelson Jr./STF
O ministro aposentado Marco Aurélio Mello afirmou ao SBT News que o Supremo Tribunal Federal (STF) está diante de uma crise suicida. Em entrevista ao programa Sala de Imprensa, Mello disse que se arrependeu por ter apoiado a indicação do ministro Alexandre de Moraes à Corte, em 2017, e que ele "perdeu a mão" como magistrado.
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"Ele (Moraes) vem errando a mão, por isso vem sendo execrado pela população. A solução será dada pelas instituições, inicialmente pelo Supremo, que é competente para julgar integrantes do tribunal em crimes comuns. Ou a reação será do próprio Senado da República, em crimes de responsabilidade", avaliou.
"A essa altura, se arrependimento matasse, vocês não estariam conversando comigo", desabafou sobre o apoio inicial a Moraes.
"O juiz é um servidor público que deve conta ao cidadão", sentenciou.
Na entrevista, o ex-magistrado destacou o fato de Alexandre de Moraes ser, pela regra de alternância da Corte, o próximo presidente do STF. "Moraes galgando a presidência, nós brasileiros não morreremos de tédio". Atualmente, Moraes é vice-presidente da Corte e assume o posto principal em 2027.
Marco Aurélio utilizou a expressão "sair à rua", que marcou discussão em outro momento de crise no STF entre Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes, para cobrar reação da Corte diante do embate atual entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes.
"Saiam à rua, ouçam a população. Aliás, eles não conseguem sair à rua sem um batalhão de seguranças. É o caso, ao meu ver, deem a mão à palmatória. A evolução é própria ao homem. Não podemos continuar sob pena de suicídio do Supremo. O quadro atual é de desgaste absoluto", enfatizou.
O ministro se disse "estarrecido com os fatos" e "atônito" com a condução de decisões e investigações pela Suprema Corte.
"O desgaste é grande para a instituição. Todos estão lá de passagem", disse.
Mello também criticou a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em procedimento em que é citado.
"O ministro André Mendonça diante de um contexto que vem da Polícia Federal quis ouvir o Ministério Público, encaminhou o relatório, não fez qualquer investigação, só que esse relatório citava o próprio Paulo Gonet como envolvido nas conversas de Vorcaro. Indago se poderia o próprio procurador geral da República atuar, a resposta é desenganadamente negativa", disse. Para Marco Aurélio, Gonet deveria submeter o caso a outro procurador.
Sobre a Polícia Federal, o ministro aposentado fez elogios e disse não considerar a possibilidade de interferência na PF por parte do ministro Mendonça, a menos que apareçam provas.
"Até aqui a Polícia Federal merece a minha admiração. Os integrantes da PF têm tido um procedimento digno, procedimento de agente público, às claras. Não posso presumir que tenha havido pressão. Isso não é o normal, é anormal. E o anormal tem que ser provado", pontuou.
Questionado pelo SBT News se chegou a ligar para Moraes ou Mendonça para entender a crise ou prestar solidariedade, o ministro respondeu que o STF não é um "clube do bolinha". "Não há espaço para se prestar solidariedade tendo em conta o ofício judicante. O ofício judicante é implementado sem se aguardar qualquer retorno, atuando aquele que o implementa de acordo com conhecimento técnico e principalmente com a formação humanística", disse.
Marco Aurélio está aposentado há cinco anos, mas diz que "não vestiu o pijama". Ele reativou o cadastro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e tem recebido honorários para emitir pareceres.
O programa Sala de Imprensa vai ao ar todo fim de semana no SBT News. A edição inédita pode ser conferida na TV e no YouTube, além de conteúdo nas redes do canal.
Marco Aurélio critica Moraes e Gonet e vê “suicídio” do STFAo programa Sala de Imprensa, ministro aposentado do STF defende Mendonça e PF, se diz "estarrecido" com crise e fala que Corte deveria "dar a mão à palmatória"Política2026-09-05T15:24:47.321ZO ministro aposentado Marco Aurélio Mello afirmou ao SBT News que o Supremo Tribunal Federal (STF) está diante de uma crise suicida. Em entrevista ao programa Sala de Imprensa, Mello disse que se arrependeu por ter apoiado a indicação do ministro Alexandre de Moraes à Corte, em 2017, e que ele "perdeu a mão" como magistrado. "Ele (Moraes) vem errando a mão, por isso vem sendo execrado pela população. A solução será dada pelas instituições, inicialmente pelo Supremo, que é competente para julgar integrantes do tribunal em crimes comuns. Ou a reação será do próprio Senado da República, em crimes de responsabilidade", avaliou. "A essa altura, se arrependimento matasse, vocês não estariam conversando comigo", desabafou sobre o apoio inicial a Moraes. "O juiz é um servidor público que deve conta ao cidadão", sentenciou. Na entrevista, o ex-magistrado destacou o fato de Alexandre de Moraes ser, pela regra de alternância da Corte, o próximo presidente do STF. "Moraes galgando a presidência, nós brasileiros não morreremos de tédio". Atualmente, Moraes é vice-presidente da Corte e assume o posto principal em 2027. Marco Aurélio utilizou a expressão "sair à rua", que marcou discussão em outro momento de crise no STF entre Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes, para cobrar reação da Corte diante do embate atual entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. "Saiam à rua, ouçam a população. Aliás, eles não conseguem sair à rua sem um batalhão de seguranças. É o caso, ao meu ver, deem a mão à palmatória. A evolução é própria ao homem. Não podemos continuar sob pena de suicídio do Supremo. O quadro atual é de desgaste absoluto", enfatizou. O ministro se disse "estarrecido com os fatos" e "atônito" com a condução de decisões e investigações pela Suprema Corte. "O desgaste é grande para a instituição. Todos estão lá de passagem", disse. Mello também criticou a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em procedimento em que é citado. "O ministro André Mendonça diante de um contexto que vem da Polícia Federal quis ouvir o Ministério Público, encaminhou o relatório, não fez qualquer investigação, só que esse relatório citava o próprio Paulo Gonet como envolvido nas conversas de Vorcaro. Indago se poderia o próprio procurador geral da República atuar, a resposta é desenganadamente negativa", disse. Para Marco Aurélio, Gonet deveria submeter o caso a outro procurador. Sobre a Polícia Federal, o ministro aposentado fez elogios e disse não considerar a possibilidade de interferência na PF por parte do ministro Mendonça, a menos que apareçam provas. "Até aqui a Polícia Federal merece a minha admiração. Os integrantes da PF têm tido um procedimento digno, procedimento de agente público, às claras. Não posso presumir que tenha havido pressão. Isso não é o normal, é anormal. E o anormal tem que ser provado", pontuou. Questionado pelo SBT News se chegou a ligar para Moraes ou Mendonça para entender a crise ou prestar solidariedade, o ministro respondeu que o STF não é um "clube do bolinha". "Não há espaço para se prestar solidariedade tendo em conta o ofício judicante. O ofício judicante é implementado sem se aguardar qualquer retorno, atuando aquele que o implementa de acordo com conhecimento técnico e principalmente com a formação humanística", disse. Marco Aurélio está aposentado há cinco anos, mas diz que "não vestiu o pijama". Ele reativou o cadastro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e tem recebido honorários para emitir pareceres. O programa Sala de Imprensa vai ao ar todo fim de semana no SBT News. A edição inédita pode ser conferida na TV e no YouTube, além de conteúdo nas redes do canal. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/marco-aurelio-critica-moraes-e-gonet-e-ve-suicidio-do-stf