Lula foca em soberania e Flávio mira Moraes no 7 de Setembro
Desfile cívico em Brasília e manifestação na Paulista contrastam diferentes mensagens exploradas pelas campanhas no Dia da Independência

Lula em evento cívico do Dia da Independência e Flávio Bolsonaro em atos do 7 de Setembro na Paulista | Reprodução
A menos de um mês do primeiro turno, as manifestações pelos 204 anos da Independência do Brasil nesta segunda-feira (7) expuseram estratégias diferentes nas mensagens dos principais candidatos a presidente no 7 de Setembro.
A campanha foi tomada de assalto pela crise sem precedentes que abala o Supremo Tribunal Federal (STF) e a imagem do ministro Alexandre de Moraes, que aparece em relatório da Polícia Federal (PF) como emissário de mensagens com o então banqueiro Daniel Vorcaro inclusive no dia de sua prisão, em novembro de 2025.
A abertura de uma investigação contra o ministro e seu impeachment no Senado são os motes de um ato convocado pela direita na Avenida Paulista, sob o comando do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para esta segunda.
Com tempo frio e nublado em São Paulo, o monitor da Universidade de São Paulo (USP) estimou que 28,5 mil pessoas estiveram na Paulista, menos do que nos atos realizados em 2024 e 2025. Flávio aposta que a pressão popular pode ser decisiva no julgamento em prol da abertura de um inquérito contra Moraes no Supremo. A data do julgamento ainda não foi marcada e depende do presidente da Corte, Edson Fachin. Mendonça já liberou a ação para julgamento no plenário.
Ao longo de seu discurso, Flávio buscou atrelar o adversário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Moraes e disse que, caso eleito, dará anistia ao pai Jair Bolsonaro e o levará junto consigo na rampa do Planalto para fazer a passagem da faixa presidencial.
Também estiveram no ato nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB); o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG); o pastor Silas Malafaia; o presidente do PL, Valdemar Costa Neto; dentre outros nomes da direita que disputam neste ano cadeiras na Câmara e no Senado.
Uma ausência, porém, foi marcante: a da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Segundo sua assessoria, a razão para não comparecer foi a falta de autorização de Moraes para que um novo cuidador pudesse acompanhar o ex-presidente Jair Bolsonaro enquanto ela estivesse fora de Brasília.
Por outro lado, estiveram no palanque nome como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB); além de candidatos a deputado e senador da direita, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Guilherme Derrite (PP-SP).
Lula em Brasília
Lula, por outro lado, teve como mensagem principal a defesa da soberania diante de tentativas de interferência estrangeira, em um recado aos Estados Unidos. A mensagem foi o eixo central da declaração feita em cadeia nacional na noite de domingo.
Pela manhã, o desfile tradicional do 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios trouxe como slogan a frase “A Força que Une o Brasil", com referências também ao combate ao feminicídio.
Ministros do Supremo mais próximos de Lula, como Flávio DIno e Cristiano Zanin, além de Alexandre de Moraes, não compareceram. Por outro lado, Lula esteve acompanhado dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP); da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB); e do STF, Edson Fachin.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, participaram da solenidade. Já o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não foi ao desfile.
Em publicação nas redes, Lula cutucou a família Bolsonaro ao dizer que há brasileiros atuando contra o interesse do país.
“Há os que jogam contra. Se travestem de patriotas, mas militam por interesses estrangeiros. Somos um país soberano, e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém. O Brasil é dos brasileiros”, escreveu o presidente.
Augusto Cury: ato em Copacabana
Agora isolado no terceiro lugar das pesquisas, o escritor Augusto Cury (Avante) realizou um ato pautado no fim da polarização e no apaziguamento do país em caminhada pela manhã na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, entre os postos 5 e 6.
Cury não comentou sobre a crise no Supremo, mas mandou um "abraço muito especial" para o ministro André Mendonça. Também prometeu investir fortemente em microempresas e estimular o empreendedorismo no Brasil caso eleito.
Renan Santos e Zema: manifestações paralelas em SP
Tanto Renan Santos (Missão) quanto Romeu Zema (Novo) fizeram atos contra STF paralelos ao de Flávio em São Paulo.
O mote das manifestações de Renan foram críticas aos “traidores da nação”, no Obelisco do Ibirapuera. O candidato do Missão pediu para abrir a "caixa-preta" do Master e avaliou que a sociedade brasileira perdeu a capacidade de se indignar diante dos escândalos recentes. Também pediu que Moraes e o ministro Dias Toffoli fossem presos e cutucou o adversário Augusto Cury.
Já Zema escolheu a Paulista, e na parte da manhã cobrou a implantação de uma lista tríplice para a escolhe de ministros do Supremo. O candidato do Novo estendeu um banner gigante da série "Os Intocáveis", em que critica abusos de autoridade principalmente dos magistrados.
Caiado em Goiânia
Ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) escolheu o território amigo de Goiânia para um desfile cívico do 7 de Setembro na Avenida Tocantins, em frente ao Teatro Goiânia.
Caiado focou as críticas em Lula e disse que Goiás era o único lugar que poderia "comemorar a Independência", já que o resto do país teria sido entregue ao crime organizado pelo governo federal.
"Lula devolveu o Brasil ao crime e à corrupção. Não tem autoridade moral para falar de patriotismo, muito menos de soberania", afirmou.















