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Helicóptero de Rick teve falhas em gerador antes de queda

Relatório do Cenipa aponta problemas com umidade e piloto automático; órgão apura se defeitos causaram acidente em SC e avalia experiência da tripulação

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Antonio Souza
Helicóptero de Rick teve falhas em gerador antes de queda

O helicóptero que caiu na Serra catarinense, provocando a morte de cinco pessoas, entre elas o cantor Rick, que fazia dupla sertaneja com Renner, já havia apresentado falhas intermitentes nos geradores de energia. A constatação consta no relatório preliminar divulgado nesta quinta-feira (22) pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), exatamente um mês após a tragédia.

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Segundo o documento oficial, os defeitos elétricos nos geradores costumavam acontecer em momentos de exposição da aeronave à umidade, como em voos realizados sob chuva ou no interior de nuvens densas.

Apesar do registro desse histórico mecânico, os investigadores alertam que o relatório inicial ainda não aponta uma causa definitiva para a queda. O órgão analisa se esses problemas do passado tiveram ligação direta com o acidente.

Pane no piloto automático e histórico de vibrações

Além dos geradores, os técnicos do Cenipa identificaram relatos de falhas no sistema de piloto automático, mecanismo computadorizado que ajuda a guiar o helicóptero sem a necessidade de comandos manuais a todo instante. Pelos depoimentos reunidos, o sistema chegava a se desligar sozinho no ar, mas os pilotos conseguiam contornar a situação desligando ou reiniciando o equipamento.

A aeronave também acumulava registros de vibração no rotor principal, que é o conjunto de hélices localizado na parte superior do helicóptero:

  • Pouso forçado no Sul: em março de 2026, a aeronave enfrentou uma emergência e realizou um pouso não programado na cidade de Ibiaçá, no Rio Grande do Sul, devido a uma trepidação intensa durante a viagem;
  • Serviço de manutenção: após inspeção visual imediata, o voo seguiu até o destino, onde o helicóptero passou por reparos nos amortecedores do rotor e a trepidação não se repetiu;
  • Nova checagem: em agosto de 2026, uma medição técnica de rotina confirmou que os níveis de vibração estavam dentro dos padrões exigidos pelos manuais de segurança.

Diferença de horas de voo entre piloto e copiloto

A comissão de investigação também analisa a formação e o nível de preparo prático da tripulação que comandava o voo no momento do desastre. Os dados do Cenipa apontam uma diferença considerável de experiência entre os dois profissionais.

O piloto responsável, Antônio Roberto Nóbrega de Araújo, acumulava mais de 11,3 mil horas de voo em helicópteros e contava com autorização regular para realizar voos por instrumentos, modalidade em que o piloto consegue conduzir a aeronave guiando-se apenas pelas telas e aparelhos de bordo, mesmo sem visão externa por causa de névoa ou chuva.

Por outro lado, o copiloto Leopoldo Barros Teixeira somava 137 horas totais de voo, tinha licença de piloto comercial, mas não possuía a habilitação técnica para operar guiado somente por instrumentos.

O relatório aponta ainda que aquela era a primeira vez em que Leopoldo atuava naquele modelo de aeronave. Ele foi contratado exclusivamente para a viagem daquele dia, entrando como substituto temporário do copiloto que viajava rotineiramente com o grupo.

Nenhuma causa está descartada pelo Cenipa

O Cenipa ressaltou que a apuração sobre o acidente segue aberta e que nenhuma linha de investigação foi abandonada.

Nesta etapa, peritos continuam realizando exames e testes detalhados em peças do helicóptero e no plano de voo. A averiguação avalia a combinação de três frentes:

  • Fatores materiais: funcionamento dos motores, peças, geradores e manutenção preventiva;
  • Fatores operacionais: condições do tempo no trajeto, regras de navegação e peso a bordo;
  • Fatores humanos: tomada de decisão da tripulação, aspectos técnicos, exames médicos e condições psicológicas.

O trabalho continuará até a emissão do laudo conclusivo que apontará todos os fatores que contribuíram para a tragédia.

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