Política

Lula condena ataque dos EUA na Venezuela: "Ultrapassa linha inaceitável"

Presidente também criticou captura do ditador Nicolás Maduro, dizendo que ato representa precedente perigoso para comunidade internacional

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Camila Stucaluc
03/01/2026, 13:09 • Atualizado em 03/01/2026, 23:57
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condenou o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela, realizado na madrugada deste sábado (3). Em publicação nas redes sociais, o político disse que a agressão militar, aliada à captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, “ultrapassa uma linha inaceitável”.

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“Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, escreveu.

Lula acrescentou que a “ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe” e “ameaça a preservação da região como zona de paz”. O presidente cobrou uma resposta da comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas (ONU), dizendo que o órgão precisa responder de forma rigorosa.

“A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, finalizou.

O ataque norte-americano ocorreu por volta das 1h50 da madrugada (2h50 no horário de Brasília) deste sábado (3), em Caracas. Ao menos outras sete explosões foram ouvidas na capital venezuelana, além de aeronaves sobrevoando a região. Os estados de Miranda, Aragua e La Guaira também foram alvos, com bombardeios em alvos civis e militares.

Pouco tempo depois, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, informando que ambos deixaram o país. A Procuradora-geral norte-americana, Pamela Bondi, disse que o venezuelano foi indiciado por crimes envolvendo narcotráfico e posse de dispositivos explosivos.

Em coletiva, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse que não sabe o atual paradeiro do casal e que exigirá "prova imediata de vida" para ambos. Assim como outras autoridades do governo, a política criticou a ação norte-americana, dizendo que Washington tenta mudar o regime do país à força.

A escalada ocorreu após quatro meses de tensão militar entre os países. Em setembro do ano passado, os Estados Unidos iniciaram uma operação naval contra o narcotráfico no Caribe e no Pacífico, perto das costas da Venezuela e da Colômbia. O país acusa cartéis latino-americanos de transportarem drogas para o território norte-americano pelo mar.

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