Política

Lei das Saidinhas: veja o que muda após Lula sancionar, com veto, nova legislação sobre presos

Congresso tem 30 dias para deliberar sobre veto presidencial, que pode marcar novo embate entre governo e Legislativo

C
Carlos Catelan
Lei das Saidinhas: veja o que muda após Lula sancionar, com veto, nova legislação sobre presos

Sancionada nessa quinta-feira (11), a chamada Lei das Saidinhas, que restringe as saídas temporárias de presos do regime semiaberto, foi vetada em parte pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Contrariando até governistas, o chefe do Executivo barrou trecho que proibia detentos de visitar familiares em feriados e datas comemorativas.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Havia orientação de líderes do governo no Congresso de que Lula se abstivesse, deixando a sanção do PL ser realizada pelo Legislativo. A canetada ficaria por parte dos congressistas, por se tratar de um tema polêmico (a chamada "sanção tácita", segundo o art. 66 da Constituição).

No entanto, Lula acabou seguindo conselho do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, que recomendou vetar trecho que impedia visitas a familiares.

A matéria é de autoria da ala conservadora. Inicialmente, proibia todas as saídas temporárias. Após um ano paralisada por falta de apoio, o relator no Senado, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho "01" do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), colocou no dispositivo a permissão para estudos e trabalho de detentos que cumprem pena no semiaberto.

Tramitação delicada: agora, o PL retorna para as mãos dos parlamentares, que devem decidir (em até 30 dias corridos) pela manutenção ou derrubada do veto parcial. A votação ocorre em plenária conjunta de Câmara e Senado, devendo ter maioria absoluta (mínimo de 257 votos de deputados e 41 de senadores) para rejeição. Só então é promulgada a lei.

Como apontou Afonso Benites, editor do SBT News em Brasília, no Brasil Agora desta sexta (12), "Lula queria um meio-termo, pra não ter embate tão grande com o Congresso. Única coisa que ele achou possível de ser derrubada foi a questão do convívio com a família. Seguiu conselho, orientação de Lewandowski", apontou em conversa com a apresentadora Iasmin Costa.

Segundo Benites, havia temor de que a manutenção na íntegra do texto aprovado no Congresso pudesse "afrontar a Constituição e ter problema futuramente junto ao STF [Supremo Tribunal Federal]". Lula, então, acatou a orientação de Lewandowski.

As mudanças

Após mudanças serem apreciadas por governistas e partidos de esquerda e centro, a tramitação no Congresso começou — estava garantido que presos poderiam frequentar cursos profissionalizantes, ensino médio ou graduação fora dos limites penitenciários.

Como é a Lei de Execução Penal: concede a saída temporária para visitas à família, datas comemorativas (feriados), atividades de retorno ao convívio social e cursos profissionalizantes.

A legislação atual é permitida a encarcerados do regime semiaberto que não tenham cometido crimes hediondos com resultado em morte. Devem cumprir também alguns requisitos: "bom comportamento" e cumprimento de parte da pena (1/6 para réus primários e 1/4 para reincidentes), além de ter autorização judicial.

Como ficaria com o PL do Congresso: permite a "saidinha" somente para estudos e atividades laborais.

Neste cenário pretendido pelos legisladores, além daqueles condenados por crimes hediondos (resultando ou não em morte), a saída temporária é vetada aos condenados por crimes com violência grave ou ameaça.

Como ficaria a Lei das Saidinhas a partir do veto presidencial: mantém saídas temporárias em casos de datas comemorativas (como Dia das Mães e Natal) para visitas aos familiares, além da possibilidade de estudar ou trabalhar fora. Entretanto, a possibilidade de ser uma solicitação do preso (até sete dias, cinco vezes durante o ano) é extinta.

Lula não alterou o definido pelos congressistas acerca de quem poderá ser beneficiado: somente presos do semiaberto que não tenham cometido crimes graves com violência ou ameaça.

Criminosos que ficam impedidos:

  • Estupradores;
  • Homicidas (assassinos);
  • Latrocidas (roubo seguido de morte);
  • Traficantes.

Progressão de pena

Há no cumprimento penal a possibilidade de um condenado progredir de um regime a outro "menos grave". São observados antecedentes, disciplina, responsabilidades e indícios de ajustamento. Em alguns casos, a depender do juiz responsável, pode ser solicitado um exame criminológico.

O exame define questões individuais a serem cumpridas pelo preso antes de seu retorno ao convívio social. Trata-se de uma avaliação psicológica que o classifica conforme antecedentes e personalidade durante o encarceramento.

Regimes:

  • Fechado — preso permanece 24 horas na unidade prisional, podendo ou não ter direito a banho de sol;
  • Semiaberto — passa parte do dia fora da unidade prisional. As "saidinhas" se aplicam a eles;
  • Aberto — indivíduo ainda possui pendências jurídicas e precisa se apresentar ao juízo responsável para comprovar o cumprimento das obrigações determinadas pela Justiça.

Quem realiza: uma comissão técnica de cinco profissionais, entre eles um psicólogo, um assistente social, um médico psiquiatra e representantes da área do direito e da segurança pública.

Como é feito: não há uma diretriz nacional que defina o que deve ser analisado neste exame. Especialistas alertam para possíveis incongruências técnicas.

Como ficaria com a aprovação do novo PL: torna-se obrigatória, além da boa conduta e comportamento, a apresentação do exame criminológico para apreciação da progressão de regime.

Tornozeleiras

Ao definir uma progressão do condenado ao regime aberto, caberá ao juiz de execução — neste novo possível cenário — determinar o monitoramento eletrônico do preso. Isso também serve àquele em liberdade condicional, seja do regime semiaberto ou aberto.

Como é atualmente: somente é permitido o uso de tornozeleira, expressamente, em casos de progressão ao regime semiaberto para saídas temporárias e prisão domiciliar.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Refit tem autorização de funcionamento revogada

Refit tem autorização de funcionamento revogada

Imagem da notícia: Petrobras manterá estratégia de preços com subvenção

Petrobras manterá estratégia de preços com subvenção

Imagem da notícia: Boulos cobra Senado por fim da escala 6x1 antes da eleição

Boulos cobra Senado por fim da escala 6x1 antes da eleição

Imagem da notícia: Boulos defende investigação de Lulinha e rebate oposição

Boulos defende investigação de Lulinha e rebate oposição

Imagem da notícia: Refit tem autorização de funcionamento revogada

Refit tem autorização de funcionamento revogada

Imagem da notícia: Petrobras manterá estratégia de preços com subvenção

Petrobras manterá estratégia de preços com subvenção

Imagem da notícia: Boulos cobra Senado por fim da escala 6x1 antes da eleição

Boulos cobra Senado por fim da escala 6x1 antes da eleição

Imagem da notícia: Boulos defende investigação de Lulinha e rebate oposição

Boulos defende investigação de Lulinha e rebate oposição

Últimas notícias

Senado dos EUA aprova Daniel Perez para embaixador no Brasil

Indicação de Daniel Perez pelo governo Trump passa por margem apertada no Senado, mas ainda depende do aval de Brasília

Governo faz acordo para levar CNU a estados e municípios

Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e entidades vão promover estudos para viabilizar expansão de modelo do concurso

Ciclone-bomba provoca ventania, morte e suspensão de aulas

Rajadas de até 125 km/h suspendem aulas, afetam energia e colocam estados em alerta nesta sexta-feira (7)

Casa Branca associa Homem-Aranha ao ICE na caça a imigrante

Publicação nas redes sociais recebe críticas ao usar super-herói como referência à atuação do governo Trump contra pessoas em situação irregular nos EUA

PF prende empresário ligado ao PCC que estava foragido

Felipe Renan Jacobs, investigado por lavagem de dinheiro, foi preso pela Polícia Federal em Curitiba após permanecer foragido da Operação Carbono Oculto

Cleitinho e Republicanos mantêm novela e terão novo encontro

Ao SBT News, dirigente do partido disse que irá deixar conversa fluir. Republicanos quer ter candidato próprio na disputa ao governo de Minas Gerais