80% das mulheres temem assédio durante o carnaval e quase metade já foi vítima
Enquanto 96% dos brasileiros apoiam campanhas contra o assédio, 18% dos foliões ainda associam a vestimenta feminina à intenção de beijar, aponta estudo
Pessoas em bloco carnavalesco (Rovena Rosa/Agência Brasil)
Leonardo Almeida
Pesquisa revela que 47% das mulheres brasileiras já sofreram alguma forma de assédio durante o carnaval e 80% delas têm medo de passar por alguma experiência do tipo. Segundo a pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, 86% dos entrevistados concordam que existe assédio no carnaval.
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"A gente está falando do direito de ir e vir, mas também do direito ao lazer, e do acesso à cidade, da possibilidade de viver na cidade e de ocupar os espaços públicos. São questões super importantes. Querer ou não participar do Carnaval é uma decisão individual de cada um, mas poder ter acesso a ele é um direito muito importante", revela Maíra Saruê, diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva.
A pesquisa também abordou o nível de concordância com questões ligadas à violência sexual. Para 22% dos entrevistados, quem está curtindo o carnaval sozinho quer ficar com alguém (28% entre os homens e 16% entre as mulheres).
Para Maíra Saruê, os casos de assédio podem afastar as mulheres do carnaval.
"O assédio é uma experiência tão concreta, seja da própria mulher ou de outras mulheres que ela conhece, que muitas, inclusive, acham que o Carnaval não pode ser para qualquer um. Elas ficam com medo de ir e serem assediadas porque acham que os outros vão ter esse pensamento."
A pesquisa também revela:
18% dos participantes, a roupa que uma mulher usa pode indicar intenção de beijar alguém durante a festa (23% entre os homens e 13% entre as mulheres).
86% concordam que combater a violência sexual é responsabilidade de todos.
96% reconhecem a importância de campanhas de combate ao assédio durante o carnaval.