Política

Impacto ambiental de licença da Petrobras na Foz do Amazonas ainda não preocupa, diz geólogo

Christian Della Giustina, da UnB, diz que liberação concedida nesta segunda (20) é apenas fase inicial de estudos, longe de exploração comercial de petróleo

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Lara Curcino, Victória Melo

A licença concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) à Petrobras para perfurar um poço na Bacia da Foz do Amazonas, em águas profundas do Amapá, ainda não terá impacto ambiental capaz de causar grandes preocupações. A avaliação é do geólogo Christian Della Giustina, doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (UnB).

A licença foi dada pelo Ibama à estatal nesta segunda-feira (20), após anos de busca pelo aval que visa verificar um amplo potencial de reservas de petróleo para a abertura de uma nova fronteira exploratória.

O geólogo explicou que a liberação obtida pela Petrobras ainda é apenas para fase inicial, em uma etapa de pesquisas, que vão avaliar a viabilidade da obtenção de petróleo para fins comerciais na região.

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“A legislação brasileira prevê que qualquer empreendimento que tenha algum impacto ambiental ou potencial de poluição deve passar pelo processo de licenciamento ambiental, então foi o caso agora da Petrobras, que obteve uma licença para pesquisa. O termo “exploração” na mineração significa estudo. Então, não vai ser retirado ainda petróleo de forma comercial, é uma primeira etapa. Se confirmada a existência de petróleo em volumes viáveis, aí sim vão abrir uma outra fase do licenciamento e novamente vão ser avaliados todos os riscos do ponto de vista socioeconômico e ambiental à fauna, à flora e ao ambiente físico da região”, disse ele.

O tema encontra resistência por parte de segmentos da sociedade e de parte do próprio governo, devido aos riscos socioambientais associados à exploração. O especialista detalhou que a busca por petróleo na Foz do Amazonas tem potencial de danos ao meio ambiente, mas há um processo rigoroso que visa garantir a mitigação desses impactos.

“O petróleo é um tipo de mineração, algo que tem ali naquele local e que não tem na maior parte das áreas. É uma anomalia geológica e que está em um ambiente peculiar, mais raro, com espécies endêmicas. Explorá-lo, portanto, é um risco. Só que em um processo de licenciamento ambiental tudo isso precisa ser discutido, inclusive com a sociedade, e medidas de mitigação, de segurança e de compensação precisam ser muito bem detalhadas. Todo empreendimento desse porte vai ter um impacto ambiental e por isso é enquadrado como passível do processo de licenciamento ambiental. E aí os órgãos competentes, como o Ibama, precisam colocar isso na balança para que todos esses impactos e riscos ambientais se convertam em melhorias para a sociedade que vive ali na região. [...] É um processo longo e complexo”, pontuou ele.

Christian afirmou ainda que acredita que a Petrobras tem tecnologia suficiente, sendo especialista na extração de petróleo, para garantir segurança à operação e minimizar os danos ao meio ambiente.

“A Petrobras é referência em tecnologia de exploração e acredito que ela tenha atendido isso na negociação com o Ibama. A empresa tem tecnologia suficiente para garantir segurança e está preparada para um eventual acidente ou impacto mais significativo. Eu acredito que isso vai gerar uma cadeia produtiva muito importante para população da região”, disse.

Licença à Petrobras

Em comunicado ao mercado, a companhia afirmou que a perfuração está prevista para ser iniciada "imediatamente", com a duração estimada de cinco meses. O objetivo da companhia com a atividade é obter mais informações geológicas e avaliar se há petróleo e gás na área com escala econômica.

O setor petrolífero acredita que há um potencial significativo para a descoberta de grandes reservas de petróleo e gás na Foz do Amazonas, com base em grandes descobertas em regiões geologicamente semelhantes no Suriname e na Guiana.

O Ibama já havia negado uma licença para a Petrobras em 2023, mas retomou o processo após um pedido de reconsideração da companhia, que veio com mudanças em seu planejamento exploratório.

"O Brasil não pode abrir mão de conhecer seu potencial", disse em nota o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, após o anúncio da licença, nesta segunda.

"Fizemos uma defesa firme e técnica para garantir que a exploração seja feita com total responsabilidade ambiental, dentro dos mais altos padrões internacionais, e com benefícios concretos para brasileiras e brasileiros."

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, comentou em nota que a companhia espera obter "excelentes resultados nessa pesquisa e comprovar a existência de petróleo na porção brasileira dessa nova fronteira energética mundial".

Ela destacou ainda que a conclusão desse processo, com a efetiva emissão da licença, "é uma conquista da sociedade brasileira e revela o compromisso das instituições nacionais com o diálogo e com a viabilização de projetos que possam representar o desenvolvimento do país".

Segundo ela, "foram quase cinco anos de jornada, nos quais a Petrobras teve como interlocutores governos e órgãos ambientais municipais, estaduais e federais".

"Nesse processo, a companhia pôde comprovar a robustez de toda a estrutura de proteção ao meio ambiente que estará disponível durante a perfuração em águas profundas do Amapá", destacou.

Já o Ibama afirmou que “a emissão da licença ocorre após rigoroso processo de licenciamento ambiental, que contou com elaboração de Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), realização de três audiências públicas, 65 reuniões técnicas setoriais em mais de 20 municípios dos estados do Pará e do Amapá, vistorias em todas as estruturas de resposta à emergência e unidade marítima de perfuração, além da realização de uma Avaliação Pré-Operacional, que envolveu mais de 400 pessoas, incluindo funcionários e colaboradores da Petrobras e equipe técnica”.

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