Política

Projeto que libera mototáxi em São Paulo é aprovado em 1º turno na Câmara

Proposta deverá passar por segunda votação na próxima semana antes de ir à sanção do prefeito Ricardo Nunes

Avatar de Camila Stucaluc
Camila Stucaluc

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou em primeira votação, na noite de quinta-feira (4), o projeto de lei que regulamenta o transporte individual de passageiros por motos — conhecido como mototáxi — na capital. Antes de ir à sanção do prefeito Ricardo Nunes (MDB), o texto ainda será votado uma segunda vez, na próxima segunda-feira (8).

Relatada pelo vereador Paulo Frange (MDB), o projeto estipula uma série de pré-requisitos aos motociclistas, como idade mínima de 21 anos e necessidade de CNH (Carteira Nacional de Habilitação) na categoria “A” ou “AB” (com no mínimo dois anos de emissão e anotação de Exercício de Atividade Remunerada). O texto determina ainda a aprovação em curso especializado para o transporte de passageiros em motos.

Também há a necessidade de apresentação de antecedentes criminais praticados contra a mulher, por crimes contra a dignidade sexual, inexistência de infração gravíssima de trânsito nos 12 meses anteriores ao cadastro, atestado de exame toxicológico com janela de detecção mínima de 90 dias e inscrição como contribuinte regular no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

Os condutores ainda deverão disponibilizar aos passageiros capacete em bom estado de conservação homologado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Além disso, será preciso fornecer touca descartável e portar o documento comprobatório de cadastro e do certificado de segurança da motocicleta, apresentando-os para consulta do usuário e das autoridades.

Em outra frente, a proposta estabelece obrigações às empresas. Entre as exigências, estão: atuação apenas de condutores cadastrados e veículos certificados pela prefeitura, compartilhamento de dados para fiscalização e segurança, exibição do cadastro do motociclista e do certificado do veículo no aplicativo e a manutenção de seguro obrigatório para passageiros.

As plataformas também deverão adotar um limitador de velocidade, garantir áreas de descanso para os condutores e se responsabilizar pelo cumprimento das regras pelos motoristas. Informações como origem e destino das viagens, tempo de espera, valores cobrados, avaliação do serviço, sinistros e dados de telemetria deverão ser fornecidos ao Poder Público com proteção à privacidade.

O texto ainda limita a área de circulação das motos usadas no serviço. Por exemplo, fica proibida a operação do transporte de motocicletas por aplicativo em corredores exclusivos de ônibus, vias de trânsito rápido, na região do Minianel Viáriom, na Zona de Máxima Restrição de Circulação e durante eventos climáticos. O embarque e o desembarque em terminais e estações serão regulamentados pela gestão municipal.

Por fim, o projeto estabelece critérios técnicos para as motos utilizadas, como multas e sanções aos condutores e às plataformas. A proposta determina que a regulamentação se aplicará a todo transporte remunerado por motocicleta, independentemente da nomenclatura utilizada e da existência, ou não, de intermediação por plataforma tecnológica ou qualquer outro meio.

Discussão

O serviço de mototáxi vem causando uma queda de braço entre a prefeitura e empresas de transporte por aplicativo desde o início do ano. Apesar da gestão ter um decreto que proíbe o serviço na capital desde 2023, a 99 iniciou atividades com moto em janeiro, alegando que a oferta é autorizada pela Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU).

O impasse evoluiu para uma guerra judicial, com o prefeito Ricardo Nunes reforçando o perigo do serviço devido ao alto número de acidentes com motos. Do outro lado, as empresas defenderam que trabalham com tecnologias para evitar acidentes.

No início de setembro, o Tribunal de Justiça de São Paulo classificou como inconstitucional o decreto que suspende o serviço de moto por aplicativo na cidade. O mesmo foi feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que concordou com o argumento da Confederação Nacional de Serviços de que a legislação sobre transportes e trânsito é de competência da União, não cabendo a interferência de governos estaduais e municipais.

Agora, as autoridades correm para aprovar um projeto de lei que regulamente o serviço na capital paulista. Favorável à proposta, o vereador Sargento Nantes (PP) reforçou que o texto foi elaborado após sessões públicas e consultas a pessoas do setor e das plataformas. “É o projeto perfeito? Estamos ajustando ainda. Mas o que há de se destacar é que os vereadores desta Casa têm a oportunidade de votar algo criado pela voz do povo”, disse.

A vereadora Amanda Paschoal (PSOL), por sua vez, criticou a falta de debate sobre o texto. “O projeto está sendo discutido de forma atropelada e o governo só está fazendo isso porque a justiça obrigou. nós temos tempo para conseguir melhorar o projeto, tem outros projetos [alternativos] na Casa que são suficientes, que são melhores, que poderiam estar sendo debatidos”, defendeu.

Últimas notícias