Flávio Bolsonaro repete fake news sobre urna eletrônica
TSE nega desde 2020 que urnas brasileiras sejam produzidas por empresa venezuelana
Basília Rodrigues
O senador Flávio Bolsonaro | REUTERS/Mateus Bonomi
O pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), usou uma informação, que já foi declarada falsa pela Justiça Eleitoral, para convencer embaixadores e diplomatas de mais de 40 países a se preocuparem com a confiabilidade do processo eleitoral brasileiro. Havia representantes, por exemplo, da Espanha, Alemanha, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos, segundo organizadores.
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O senador repetiu o tom do discurso feito pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022, que acabou levando à inelegibilidade dele por levantar suspeitas contra o processo eleitoral no país.
Em evento em Brasília, nesta terça-feira (21), Flávio disse que há suspeita dos Estados Unidos de fraudes em processo eleitoral eletrônico na Venezuela e associou essa desconfiança ao sistema usado no Brasil. O senador citou conclusões, segundo ele, de um relatório da CIA.
"Uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, tenha havido uma programação para alteração das votações daquele país das eleições de 2004 a 2020", disse.
"Não vou entrar em mais detalhes. Muitas das máquinas usadas em eleições brasileiras tem a mesma origem da empresa venezuelana", associou.
Flávio disse, porém, que não estaria questionando o sistema brasileiro, mas pedindo que países enviem mais observadores e pessoas com conhecimento na tecnologia para acompanhar as eleições no Brasil.
Ao falar do pai, disse que ser "alguém que tinha preocupação segurança e transparência do processo eleitoral e apenas manifestava preocupações para que embaixadores levassem esse cenário de preocupação para seus países".
Desde 2020, o TSE desmente esse boato e assegura que as urnas não são produzidas pela empresa venezuelana. "São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país", afirmou o tribunal na época.
Procurado pelo SBT News, o TSE reafirmou a explicação que já havia divulgado. O texto esclarece que as urnas brasileiras foram projetadas por servidores e técnicos a serviço da Justiça Eleitoral e são produzidas, sob a sua direta coordenação, por empresas selecionadas mediante licitações públicas e de ampla concorrência.
O encontro do qual Flávio participou integra o ciclo "Debatendo o Brasil", série de eventos reservados entre pré-candidatos à Presidência e embaixadores estrangeiros.
A iniciativa é promovida pela Novo Selo Comunicação, agência especializada em comunicação estratégica e gestão de reputação, em parceria com o The Brazilian Report, veículo jornalístico em inglês voltado à cobertura do Brasil para o público internacional.
A série de eventos já havia recebido, antes de Flávio, os presidenciáveis Renan Santos e Romeu Zema e o presidente do TSE, ministro Nunes Marques.
Outro lado
Em nota enviada ao SBT News, a defesa de Flávio Bolsonaro reafirma o que ele disse aos embaixadores que não está questionando o processo eleitoral brasileiro. Mas não esclarece por que ele usou informação incorreta para falar das urnas brasileiras.
"Não é verdade que o pré-candidato Flávio Bolsonaro tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil. Em sua fala, o pré-candidato se limitou a relatar dois fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa: 1) o fato originalmente gerador da inelegibilidade de seu pai, Jair Bolsonaro (uma notória reunião com embaixadores); 2) um relatório recentemente divulgado pela CIA, a respeito de fraudes nas eleições venezuelanas."
A nota ressalta que a fala de Flávio foi “brevíssima” e não pode ser descontextualizada.
Leia a nota na íntegra:
Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma que ‘não está questionando o sistema de votação brasileiro’ e exorta os diplomatas ali presentes a mandarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional afastada qualquer descontextualização das falas do pré-candidato, sua equipe de pré-campanha reafirma sua integridade, confiança no sistema eleitoral brasileiro e sua crença irrestrita de que as missões de observação internacional devem ser fortemente estimularas, pois contribuem para o ‘aperfeiçoamento do processo eleitoral, ampliando a transparência, a integridade e a confiança pública nas eleições.
Flávio Bolsonaro repete fake news sobre urna eletrônica TSE nega desde 2020 que urnas brasileiras sejam produzidas por empresa venezuelanaPolítica2026-07-22T00:36:37.358ZO pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), usou uma informação, que já foi declarada falsa pela Justiça Eleitoral, para convencer embaixadores e diplomatas de mais de 40 países a se preocuparem com a confiabilidade do processo eleitoral brasileiro. Havia representantes, por exemplo, da Espanha, Alemanha, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos, segundo organizadores. O senador repetiu o tom do discurso feito pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022, que acabou levando à inelegibilidade dele por levantar suspeitas contra o processo eleitoral no país. Em evento em Brasília, nesta terça-feira (21), Flávio disse que há suspeita dos Estados Unidos de fraudes em processo eleitoral eletrônico na Venezuela e associou essa desconfiança ao sistema usado no Brasil. O senador citou conclusões, segundo ele, de um relatório da CIA. "Uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, tenha havido uma programação para alteração das votações daquele país das eleições de 2004 a 2020", disse. "Não vou entrar em mais detalhes. Muitas das máquinas usadas em eleições brasileiras tem a mesma origem da empresa venezuelana", associou. Flávio disse, porém, que não estaria questionando o sistema brasileiro, mas pedindo que países enviem mais observadores e pessoas com conhecimento na tecnologia para acompanhar as eleições no Brasil. Ao falar do pai, disse que ser "alguém que tinha preocupação segurança e transparência do processo eleitoral e apenas manifestava preocupações para que embaixadores levassem esse cenário de preocupação para seus países". Desde 2020, o TSE desmente esse boato e assegura que as urnas não são produzidas pela empresa venezuelana. "São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país", afirmou o tribunal na época. Procurado pelo SBT News, o TSE reafirmou a explicação que já havia divulgado. O texto esclarece que as urnas brasileiras foram projetadas por servidores e técnicos a serviço da Justiça Eleitoral e são produzidas, sob a sua direta coordenação, por empresas selecionadas mediante licitações públicas e de ampla concorrência. O encontro do qual Flávio participou integra o ciclo "Debatendo o Brasil", série de eventos reservados entre pré-candidatos à Presidência e embaixadores estrangeiros. A iniciativa é promovida pela Novo Selo Comunicação, agência especializada em comunicação estratégica e gestão de reputação, em parceria com o The Brazilian Report, veículo jornalístico em inglês voltado à cobertura do Brasil para o público internacional. A série de eventos já havia recebido, antes de Flávio, os presidenciáveis Renan Santos e Romeu Zema e o presidente do TSE, ministro Nunes Marques. Outro lado Em nota enviada ao SBT News, a defesa de Flávio Bolsonaro reafirma o que ele disse aos embaixadores que não está questionando o processo eleitoral brasileiro. Mas não esclarece por que ele usou informação incorreta para falar das urnas brasileiras. "Não é verdade que o pré-candidato Flávio Bolsonaro tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil. Em sua fala, o pré-candidato se limitou a relatar dois fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa: 1) o fato originalmente gerador da inelegibilidade de seu pai, Jair Bolsonaro (uma notória reunião com embaixadores); 2) um relatório recentemente divulgado pela CIA, a respeito de fraudes nas eleições venezuelanas." A nota ressalta que a fala de Flávio foi “brevíssima” e não pode ser descontextualizada. Leia a nota na íntegra: Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma que ‘não está questionando o sistema de votação brasileiro’ e exorta os diplomatas ali presentes a mandarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional afastada qualquer descontextualização das falas do pré-candidato, sua equipe de pré-campanha reafirma sua integridade, confiança no sistema eleitoral brasileiro e sua crença irrestrita de que as missões de observação internacional devem ser fortemente estimularas, pois contribuem para o ‘aperfeiçoamento do processo eleitoral, ampliando a transparência, a integridade e a confiança pública nas eleições.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/flavio-bolsonaro-repete-fake-news-sobre-urna-eletronica
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