CCJ do Senado analisa nesta quarta (10) projeto que altera regras para impeachment de ministros do STF
Proposta muda quórum para abertura de processos, estabelece novos prazos e restringe quem pode apresentar denúncias
Caio Aquino
Weverton Rocha | Agência Brasil
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado se reúne nesta quarta-feira (10) para analisar o projeto que altera a Lei do Impeachment. A expectativa é que o relator, senador Weverton Rocha (PDT-MA), faça a leitura do parecer durante a sessão e que seja concedido pedido de vista, adiando a votação para a próxima semana.
Weverton deve protocolar o relatório ainda nesta terça-feira (9). O texto altera o quórum necessário para iniciar processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta original previa maioria simples, mas o relator vai inserir a exigência de dois terços dos senadores, ao menos 54 votos, para autorizar a abertura.
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A mudança leva em consideração decisão recente do ministro Gilmar Mendes, que definiu que somente aProcuradoria-Geral da República (PGR) pode denunciar ministros do STF ao Senado por supostos crimes de responsabilidade. A determinação, tomada de forma monocrática, será analisada no plenário virtual entre 12 e 19 de dezembro.
O relatório também deve estabelecer prazo de 15 dias para que o presidente do Senado decida se dará andamento ou não aos pedidos de impeachment. A versão inicial do projeto previa 30 dias, e atualmente não há prazo definido para essa análise, o que permite que solicitações permaneçam indefinidamente sem decisão.
Parlamentares da oposição afirmam que as mudanças podem aumentar a chance de que denúncias sejam efetivamente avaliadas. De 2021 até agora, há 81 pedidos parados no Senado contra ministros do STF, a maioria envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
O parecer deve ainda definir quem pode apresentar pedidos de afastamento: partidos com representação no Congresso, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entidades de classe e cidadãos de forma coletiva, por meio de iniciativa popular apoiada por 1% do eleitorado. A proposta é mais restritiva que a lei de 1950, mas mais ampla que a regra estabelecida por Gilmar Mendes na última semana.
A discussão ocorre em meio a movimentações de grupos políticos de direita que buscam ampliar sua bancada no Senado em 2026, visando reunir votos suficientes para avançar em eventuais processos. Apesar das críticas à decisão de Gilmar, o relator descartou incluir dispositivo que preveja perda de cargo por suposto abuso de poder.
Se aprovado na CCJ, o projeto seguirá para análise no plenário do Senado.
CCJ do Senado analisa nesta quarta (10) projeto que altera regras para impeachment de ministros do STFProposta muda quórum para abertura de processos, estabelece novos prazos e restringe quem pode apresentar denúnciasPolítica2025-12-09T16:42:44.161ZA Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado se reúne nesta quarta-feira (10) para analisar o projeto que altera a Lei do Impeachment. A expectativa é que o relator, senador Weverton Rocha (PDT-MA), faça a leitura do parecer durante a sessão e que seja concedido pedido de vista, adiando a votação para a próxima semana. Weverton deve protocolar o relatório ainda nesta terça-feira (9). O texto altera o quórum necessário para iniciar processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta original previa maioria simples, mas o relator vai inserir a exigência de dois terços dos senadores, ao menos 54 votos, para autorizar a abertura. A mudança leva em consideração decisão recente do ministro Gilmar Mendes, que definiu que somente a Procuradoria-Geral da República (PGR) pode denunciar ministros do STF ao Senado por supostos crimes de responsabilidade. A determinação, tomada de forma monocrática, será analisada no plenário virtual entre 12 e 19 de dezembro. O relatório também deve estabelecer prazo de 15 dias para que o presidente do Senado decida se dará andamento ou não aos pedidos de impeachment. A versão inicial do projeto previa 30 dias, e atualmente não há prazo definido para essa análise, o que permite que solicitações permaneçam indefinidamente sem decisão. Parlamentares da oposição afirmam que as mudanças podem aumentar a chance de que denúncias sejam efetivamente avaliadas. De 2021 até agora, há 81 pedidos parados no Senado contra ministros do STF, a maioria envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. O parecer deve ainda definir quem pode apresentar pedidos de afastamento: partidos com representação no Congresso, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entidades de classe e cidadãos de forma coletiva, por meio de iniciativa popular apoiada por 1% do eleitorado. A proposta é mais restritiva que a lei de 1950, mas mais ampla que a regra estabelecida por Gilmar Mendes na última semana. A discussão ocorre em meio a movimentações de grupos políticos de direita que buscam ampliar sua bancada no Senado em 2026, visando reunir votos suficientes para avançar em eventuais processos. Apesar das críticas à decisão de Gilmar, o relator descartou incluir dispositivo que preveja perda de cargo por suposto abuso de poder. Se aprovado na CCJ, o projeto seguirá para análise no plenário do Senado.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/ccj-do-senado-analisa-nesta-quarta-10-projeto-que-altera-regras-para-impeachment-de-ministros-do-stf