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EUA dizem que facções criminosas brasileiras são "ameaças significativas à segurança regional"

Rumores indicam que o país pode classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas; governo teme repercussões e pressões externas

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Presidente dos EUA, Donald Trump | 18/12/2025/Reuters/Evelyn Hockstein

Em meio a rumores, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou nesta terça-feira (10) que o governo dos Estados Unidos não antecipa possíveis designações de terrorismo nem comenta discussões internas sobre o tema. Nos bastidores, há a expectativa de que o governo de Donald Trump anuncie nos próximos dias a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras.

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O movimento, encabeçado pelo Departamento de Estado, é visto com preocupação pelo Brasil, já que a medida poderia significar possíveis interferências externas e pressões internacionais.

“Os Estados Unidos veem as organizações criminosas do Brasil, incluindo o PCC e o CV, como ameaças significativas à segurança regional devido ao seu envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional”, afirmou o porta-voz em nota oficial.

Na mesma declaração, o representante reforçou que Washington não comenta previamente possíveis decisões. “Não antecipamos possíveis designações de terrorismo nem discussões sobre designações de terrorismo. Estamos totalmente comprometidos em tomar as medidas apropriadas contra grupos estrangeiros envolvidos em atividades terroristas”, disse.

Também nesta terça-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para tratar da possibilidade de os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

Na segunda-feira (9), Lula afirmou que o Brasil precisa fortalecer sua capacidade de defesa para evitar vulnerabilidades estratégicas. A declaração foi feita após encontro bilateral com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto.

“Se a gente não se preparar em questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente”, declarou o presidente a jornalistas.

O que muda se PCC e CV forem classificados como terroristas

Se os Estados Unidos incluírem as facções na lista de organizações terroristas estrangeiras do Departamento de Estado, uma série de consequências jurídicas, financeiras e diplomáticas pode passar a valer.

Entre elas está o congelamento de bens e recursos ligados aos grupos que estejam sob jurisdição americana. Além disso, cidadãos e empresas dos Estados Unidos ficam proibidos de realizar qualquer tipo de transação com as organizações.

Oferecer apoio material, como dinheiro, armas, treinamento ou serviços, também passa a ser considerado crime federal no país.

A designação tende ainda a ampliar a cooperação internacional entre agências de segurança e inteligência. Pessoas associadas aos grupos podem ter vistos negados, ser impedidas de entrar nos Estados Unidos ou até ser deportadas.

Defensores da medida afirmam que o rótulo facilitaria o bloqueio de recursos e o combate ao crime organizado transnacional. No Brasil, parte da oposição argumenta que a classificação pode acelerar a cooperação internacional, enquanto o governo Lula e especialistas contestam o enquadramento.

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