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Líbano já teve quase 700 mil deslocados internos desde a guerra no Irã; 84 crianças morreram

País é alvo de bombardeios de Israel e EUA por abrigar comando do Hezbollah

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Reuters
10/03/2026, 15:37 • Atualizado em 10/03/2026, 15:51
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Mãe e filha em barracas no Líbano | REUTERS/Claudia Greco

Mãe e filha em barracas no Líbano | REUTERS/Claudia Greco

A crise humanitária no Líbano com a ampliação da guerra no Oriente Médio já deixou 84 crianças mortas e mais de 667 mil pessoas deslocadas, segundo informaram duas agências da ONU nesta terça-feira (10).

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O país foi arrastado para a guerra dos EUA e Israel contra o Irã quando o grupo militante libanês Hezbollah, apoiado por Teerã, lançou foguetes e drones contra Israel, que respondeu com um bombardeio pesado em todo o país.

“O conflito durou apenas sete dias e já estamos vendo que quase 100 crianças perderam suas vidas”, lamentou Abdinasir Abubakar, representante da OMS no Líbano. Outras 259 crianças ficaram feridas.

Segundo ele, 486 pessoas morreram e 1.313 ficaram feridas no Líbano no conflito.

“Uma razão pela qual temos um número elevado de crianças é que a maioria dos ataques que vemos são, na verdade, em centros urbanos, como Beirute”, disse ele, acrescentando que os bombardeios de Israel que têm como alvo a infraestrutura do Hezbollah estão colocando em risco a vida de civis.

A atual taxa de deslocamento no Líbano está ultrapassando os níveis distribuídos durante a guerra de 2023 e 2024 entre o Hezbollah e Israel, conforme a Agência de Refugiados da ONU (Acnur).

Durante aquele conflito, 886.000 pessoas foram deslocadas internamente no Líbano, enquanto milhares de israelenses foram evacuadas das cidades do norte, perto da fronteira libanesa.

Israel ordena retirada

O aumento acentuado do número de deslocamentos no Líbano nesta semana decorre das ordens de retirada em larga escala emitidas pelo exército israelense para o sul do Líbano e para os subúrbios densamente povoados do sul de Beirute – o que, segundo afirmou o chefe de direitos humanos da ONU na sexta-feira, levantou questões preocupantes.

A OMS alertou que os hospitais do Líbano e os profissionais da linha de frente estavam sob "pressão extraordinária" tentando lidar com o número crescente de pacientes.

Cinco hospitais estão agora fora de serviço, quatro estão parcialmente danificados e 43 centros de saúde primários estão fechados - principalmente no sul, que foi amplamente evacuado, disse Abubakar.

"Muitas das pessoas que estão fugindo também estavam fugindo em 2024. Conhecemos muitas pessoas que tiveram suas casas completamente destruídas, membros da família mortos e assim por diante. Portanto, isso significa que as pessoas não estão esperando para ver o que acontecerá em seguida. Elas partem imediatamente", disse Karolina Lindholm Billing, representante do Acnur no Líbano.

Cerca de 120.000 pessoas estão hospedadas em abrigos designados pelo governo, enquanto outras ainda procuram um lugar para ficar, disse o Acnur, citando dados do governo.

“Muitos outros estão em casas de parentes ou amigos ou ainda estão procurando acomodação, e vemos carros alinhados ao longo das ruas com pessoas dormindo neles e também nas calçadas”, disse Billing.

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