Ucrânia usa rotas alternativas para exportar grãos
Bloqueio militar russo fecha portos do Mar Negro e coloca em risco metade da produção estimada por Kiev para a safra atual
A
André de Sena, com informações da Reuters
Uma colheitadeira despeja trigo em um caminhão durante a colheita | REUTERS/Vyacheslav Madiyevskyy
O bloqueio russo aos portos ucranianos situados no Mar Negro levou o governo de Kiev a utilizar rotas alternativas para escoar sua produção de grãos. O ministro da Agricultura, Taras Vysotskyi, disse nesta terça-feira (4) que a situação coloca em risco metade das exportações previstas para este ano, o que pode gerar um prejuízo de US$ 1,5 bilhão a US$ 3 bilhões de dólares.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
A maior parte dos embarques de grãos ocorre no porto de Odessa. No entanto, as Forças Armadas da Rússia intensificaram os ataques a essa e outras cidades portuárias no Mar Negro. Segundo o Ministério da Infraestrutura da Ucrânia, ao longo de julho, foram 67 ataques a instalações portuárias, 35 a navios em portos e 22 a embarcações no mar.
Esse cenário levou os armadores da cidade de Odessa a suspenderem sua escala de trabalho, fazendo com que nenhum navio entrasse no porto por um período de quase duas semanas, embora a temporada de colheita do verão esteja em pleno andamento. "A situação é excepcionalmente complicada. Em certos aspectos, é ainda mais difícil do que em março-abril de 2022", disse Vysotskyi, referindo-se aos primeiros meses de guerra.
Para tentar diminuir os danos, a principal opção de Kiev é o transporte ferroviário, seguido pelo rodoviário. Apesar de as autoridades já terem liberado os produtores a utilizarem esses meios, levaria pelo menos até o final do verão europeu, em meados de setembro, para que fosse atingido "um nível operacional mais ou menos estável", de acordo com o ministro.
Vysotskyi também explicou que, mesmo com o processo normalizado, as rotas alternativas poderiam cobrir no máximo 55% da capacidade mensal de exportações dos portos do mar negro, que é de aproximadamente 6 milhões de toneladas. Essa estratégia, segundo ele, funcionaria para a Ucrânia apenas como uma medida temporária e não como um plano de longo prazo.
Moscou alega visar somente alvos militares e afirma que suas instalações de exportação agrícola, bem como seus navios comerciais que navegam pelo Mar Negro, foram alvos de ataques nas últimas semanas. A Rússia é a maior exportadora mundial de trigo.
Preço dos alimentos pode subir
O ministro ucraniano alertou que os preços dos alimentos no mundo todo podem voltar a disparar caso seu país siga com dificuldades para exportar a produção. "Para as pessoas mais pobres, [os alimentos] podem simplesmente se tornarem inacessíveis", afirma. Para evitar esse cenário, ele pede que os aliados da Ucrânia ajudem a garantir a segurança no Mar Negro. Para Vysotskyi, somente se Kiev tiver um exército forte na região será possível manter as exportações em funcionamento enquanto os ataques russos continuam.
Apesar do apelo, o ministro explica que as exportações não seriam normalizadas instantaneamente caso a rota pelo Mar Negro voltasse a ser segura. Mesmo que as escalas dos armadores de navios fossem retomadas, os níveis de escoamento de grãos demorariam pelo menos um mês para voltarem ao normal.
Nas últimas safras, a Ucrânia foi responsável por cerca de 11% das exportações globais de milhoe 6% das exportações mundiais de trigo, além de ser um importante produtor de sementes oleaginosas e óleos vegetais. Somente na safra 2025/26, foram mais de 34,4 milhões de toneladas de grãos enviadas ao exterior. Antes do bloqueio russo, a estimativa era de elevar esse número para 43 milhões na safra atual.
Ucrânia usa rotas alternativas para exportar grãosBloqueio militar russo fecha portos do Mar Negro e coloca em risco metade da produção estimada por Kiev para a safra atualMundo2026-08-04T20:30:04.227ZO bloqueio russo aos portos ucranianos situados no Mar Negro levou o governo de Kiev a utilizar rotas alternativas para escoar sua produção de grãos. O ministro da Agricultura, Taras Vysotskyi, disse nesta terça-feira (4) que a situação coloca em risco metade das exportações previstas para este ano, o que pode gerar um prejuízo de US$ 1,5 bilhão a US$ 3 bilhões de dólares. A maior parte dos embarques de grãos ocorre no porto de Odessa. No entanto, as Forças Armadas da Rússia intensificaram os ataques a essa e outras cidades portuárias no Mar Negro. Segundo o Ministério da Infraestrutura da Ucrânia, ao longo de julho, foram 67 ataques a instalações portuárias, 35 a navios em portos e 22 a embarcações no mar. Esse cenário levou os armadores da cidade de Odessa a suspenderem sua escala de trabalho, fazendo com que nenhum navio entrasse no porto por um período de quase duas semanas, embora a temporada de colheita do verão esteja em pleno andamento. "A situação é excepcionalmente complicada. Em certos aspectos, é ainda mais difícil do que em março-abril de 2022", disse Vysotskyi, referindo-se aos primeiros meses de guerra. Para tentar diminuir os danos, a principal opção de Kiev é o transporte ferroviário, seguido pelo rodoviário. Apesar de as autoridades já terem liberado os produtores a utilizarem esses meios, levaria pelo menos até o final do verão europeu, em meados de setembro, para que fosse atingido "um nível operacional mais ou menos estável", de acordo com o ministro. Vysotskyi também explicou que, mesmo com o processo normalizado, as rotas alternativas poderiam cobrir no máximo 55% da capacidade mensal de exportações dos portos do mar negro, que é de aproximadamente 6 milhões de toneladas. Essa estratégia, segundo ele, funcionaria para a Ucrânia apenas como uma medida temporária e não como um plano de longo prazo. Rússia Moscou alega visar somente alvos militares e afirma que suas instalações de exportação agrícola, bem como seus navios comerciais que navegam pelo Mar Negro, foram alvos de ataques nas últimas semanas. A Rússia é a maior exportadora mundial de trigo. Preço dos alimentos pode subir O ministro ucraniano alertou que os preços dos alimentos no mundo todo podem voltar a disparar caso seu país siga com dificuldades para exportar a produção. "Para as pessoas mais pobres, [os alimentos] podem simplesmente se tornarem inacessíveis", afirma. Para evitar esse cenário, ele pede que os aliados da Ucrânia ajudem a garantir a segurança no Mar Negro. Para Vysotskyi, somente se Kiev tiver um exército forte na região será possível manter as exportações em funcionamento enquanto os ataques russos continuam. Apesar do apelo, o ministro explica que as exportações não seriam normalizadas instantaneamente caso a rota pelo Mar Negro voltasse a ser segura. Mesmo que as escalas dos armadores de navios fossem retomadas, os níveis de escoamento de grãos demorariam pelo menos um mês para voltarem ao normal. Nas últimas safras, a Ucrânia foi responsável por cerca de 11% das exportações globais de milho e 6% das exportações mundiais de trigo, além de ser um importante produtor de sementes oleaginosas e óleos vegetais. Somente na safra 2025/26, foram mais de 34,4 milhões de toneladas de grãos enviadas ao exterior. Antes do bloqueio russo, a estimativa era de elevar esse número para 43 milhões na safra atual.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/ucrania-usa-rotas-alternativas-para-exportar-graos
Podemos deve decidir apoio a Flávio hoje, diz líder
Líder do partido na Câmara afirma ao SBT News que Renata Abreu deve anunciar ainda se a legenda apoiará Flávio ou permanecerá neutra na disputa presidencial