"Ainda há mais por vir", diz Netanyahu sobre guerra no Irã
Fala do primeiro-ministro israelense ocorre após Donald Trump, presidente dos EUA, indicar que conflito poderia terminar "em breve"



Emanuelle Menezes
com informações da Reuters
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse nesta segunda-feira (9) que "ainda há mais por vir" na guerra contra o Irã. A fala contradiz uma declaração recente do presidente dos EUA, Donald Trump, que indicou que o conflito no Oriente Médio poderia terminar em breve.
"Não há dúvida de que, por meio das ações tomadas até agora, estamos quebrando seus ossos e ainda há mais por vir", disse Netanyahu em um vídeo divulgado pelo Gabinete de Imprensa do Governo.
As imagens, divulgadas nesta terça-feira (10), mostram Netanyahu em uma visita ao Centro Nacional de Comando Sanitário. No discurso, ele também afirmou que aspirava libertar os iranianos da "tirania".
"Nossa aspiração é permitir que o povo iraniano se liberte do jugo da tirania", disse o premiê.
Trump afirmou que a guerra contra o Irã deve terminar "muito em breve" em um encontro com republicanos, na segunda-feira. Horas depois, porém, ameaçou retaliar com mais força o país caso o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz fosse interrompido.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que não permitiria a exportação de "um litro de petróleo" do Oriente Médio caso os ataques dos EUA e de Israel continuassem. Em tom de ameaça, o major-general Ali Mohammad Naeini afirmou que o exército iraniano está preparado para a presença norte-americana na região.
Estreito de Ormuz
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, motivado pelo programa nuclear iraniano, escalou para o Estreito de Ormuz. A região, situada entre o Irã e Omã, é um ponto estratégico global por ser um corredor marítimo, sendo a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial.
Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo. Nesta semana, por exemplo, os mercados financeiros iniciaram sob forte tensão, elevando o preço do petróleo acima de US$ 100 por barril, o que provocou queda acentuada nas bolsas americanas, devido ao fechamento contínuo do estreito.
Em meio ao cenário, Trump ameaçou o Irã com novos ataques, caso a passagem não seja liberada, dizendo, inclusive, que considera assumir o controle da rota marítima. O republicano afirmou que a atuação dos Estados Unidos no estreito seria um “presente” para a China e outros países que dependem do petróleo bruto e do gás natural transportados pela rota.
Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã chegou a afirmar que qualquer país árabe ou europeu que rompesse relações diplomáticas com Estados Unidos e Israel teria a passagem garantida pelo estreito. “Direito e liberdade totais de transitar pela via”, disse o grupo, citado pela estatal iraniana IRIB.









