Braço direito de Vorcaro operacionalizou vantagens a Wagner
Segundo a PF, Daniel Monteiro, preso na Compliance Zero, atuou ao lado de Augusto Lima na estruturação de benefícios destinados ao senador


Fachada do Banco Master em Itaim Bibi (SP) | Divulgação/Rovena Rosa/Agência Brasil
Preso em abril na Operação Compliance Zero e apontado pela Polícia Federal como um dos operadores da suposta organização criminosa liderada por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, o advogado Daniel Lopes Monteiro atuou na operacionalização de vantagens ao senador Jaques Wagner (PT-BA), de acordo com a investigação.
As decisões da nona fase da operação descrevem Daniel Monteiro como integrante da estrutura responsável por executar operações financeiras e societárias ligadas a Augusto Ferreira Lima, ex-CEO do Banco Master e ex-sócio de Vorcaro.
Entre elas está a aquisição do apartamento do empreendimento Poème Horto, em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões e tratado pela PF como uma das principais vantagens econômicas investigadas.
Segundo a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após receber de Wagner informações sobre o imóvel, Augusto Ferreira Lima acionou Daniel Monteiro.
Monteiro também aparece em outro ponto considerado central pela PF. De acordo com a decisão, planilhas encontradas em seu aparelho celular continham registros de pagamentos destinados a uma pessoa identificada como “Dudu”, apelido que a investigação atribui a Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Jaques Wagner. Os lançamentos superariam R$ 2,34 milhões e teriam sido realizados por meio de estruturas societárias interpostas.
A investigação apura se as vantagens atribuídas ao senador guardam relação com sua atuação em pautas de interesse do Banco Master. Entre os temas citados estão discussões sobre crédito consignado, mudanças relacionadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a operação de venda da instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB).















