Wagner recebeu imóvel em troca de atuação no Senado, diz PF
Investigadores sustentam que senador teria encaminhado dados para receber imóvel de R$ 2,45 milhões


Jaques Wagner é o líder do governo no Senado e relator do Projeto de Lei sobre a reoneração gradual da folha de pagamento de empresas de 17 setores da economia a partir de 2025 | Jefferson Rudy/Agência Senado
A Polícia Federal investiga se o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu vantagens econômicas indevidas de Daniel Vorcaro em troca de atuação parlamentar favorável ao ex-dono do banco Master. Wagner é o principal alvo de nova fase da Operação Compliace Zero deflagrada nesta quinta-feira (18).
"A Polícia Federal sustenta que, no curso das investigações, foram identificados elementos indicativos de recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado", diz a decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
Segundo decisão do ministro, que embasou a operação contra o petista, Wagner encaminhou a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, dados do empreendimento Poéme Horto, em Salvador, de um apartamento, avaliado em R$ 2,45 milhões.
As investigações apontam que as tratativas para a compra do apartamenro não teriam cessado mesmo após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero.
Em contrapartida, Wagner teria possivelmente atuado em favor do banco Master no Congresso Nacional. De acordo com a PF, o senador teria mantido interlocução direta com Ferreira Lima sobre temas que interessavam a Vorcaro.
Neste sentido, a PF investiga se Wagner trabalhou a favor da emenda proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) para ampliar o limite da cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. No dia da apresentação da emenda, Augusto Lima telefona para Wagner em uma ligação de 9 minutos e 19 minutos e, em seguida, encaminha o link do texto.
Os investigadores destacam ainda uma mensagem, de 29 de março de 2025, em que Lima explica a Wagner os termos da venda do Master ao BRB. O banqueiro diz: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”, relata o documento.
Para a PF, a frase indica que o senador não seria um “mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”.
























