Líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner, é alvo da PF
Nona fase da operação Compliance Zero também mira o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro

O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula (PT) no Senado, e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, são alvos da Polícia Federal (PF) na nona fase da operação Compliance Zero, que investiga suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Ferreira Lima, ex-controlador do Banco Pleno, chegou a ser alvo de prisão preventiva na primeira fase da Compliance Zero, em novembro do ano passado, quando Vorcaro também foi detido.

O banco integrou o conglomerado Master até meados de 2025, quando operava com o nome Voiter. Vorcaro vendeu a instituição a Lima em junho do ano passado. O Pleno foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central (BC) em fevereiro de 2026, quatro meses após a liquidação do Master.
Ao todo, são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados da Bahia, de São Paulo e no Distrito Federal.
O enteado de Wagner, Eduardo Sodré Martins, e o pai dele, Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga, estão entre os alvos das ordens judiciais. As suspeitas de investigadores em relação ao senador envolvem um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões.
Também são cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados, suspensão de passaporte e monitoramento eletrônico.
"Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro", informou em nota a Polícia Federal.
Quem é Augusto Lima?
Lima ganhou projeção no mercado financeiro quando adquiriu a rede de supermercados Cesta do Povo, um dos braços da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), privatizada em 2018 pelo governo da Bahia, então sob gestão de Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil no atual governo Lula.
À época, Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico do estado e participou do processo que levou à desestatização da Ebal. O também ex-governador da Bahia e ex-ministro já admitiu que conheceu Lima naquele contexto e que ambos se tornaram amigos.
A partir de ativos da Ebal, Lima construiu o Credcesta, um cartão de benefícios, incluindo consignado, com desconto em folha e direcionado a servidores públicos estaduais e municipais, aposentados e pensionistas. A atuação do banqueiro no grupo Master expandiu as operações do programa de crédito.
PT defende Wagner
Em nota assinada pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, o partido saiu em defesa de Wagner, afirmando que o senador é "depositário de toda a nossa confiança".
A sigla também afirmou apoiar "todas as apurações envolvendo o Banco Master" e confiar que o parlamentar "esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência". Leia:
"O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade. Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência."















