Cidades

Líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner, é alvo da PF

Nona fase da operação Compliance Zero também mira o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro

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Anita Prado, Felipe Moraes

O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula (PT) no Senado, e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, são alvos da Polícia Federal (PF) na nona fase da operação Compliance Zero, que investiga suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

Ferreira Lima, ex-controlador do Banco Pleno, chegou a ser alvo de prisão preventiva na primeira fase da Compliance Zero, em novembro do ano passado, quando Vorcaro também foi detido.

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Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master | Alba
Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master | Alba

O banco integrou o conglomerado Master até meados de 2025, quando operava com o nome Voiter. Vorcaro vendeu a instituição a Lima em junho do ano passado. O Pleno foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central (BC) em fevereiro de 2026, quatro meses após a liquidação do Master.

Ao todo, são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados da Bahia, de São Paulo e no Distrito Federal.

O enteado de Wagner, Eduardo Sodré Martins, e o pai dele, Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga, estão entre os alvos das ordens judiciais. As suspeitas de investigadores em relação ao senador envolvem um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões.

Também são cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados, suspensão de passaporte e monitoramento eletrônico.

"Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro", informou em nota a Polícia Federal.

Quem é Augusto Lima?

Lima ganhou projeção no mercado financeiro quando adquiriu a rede de supermercados Cesta do Povo, um dos braços da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), privatizada em 2018 pelo governo da Bahia, então sob gestão de Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil no atual governo Lula.

À época, Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico do estado e participou do processo que levou à desestatização da Ebal. O também ex-governador da Bahia e ex-ministro já admitiu que conheceu Lima naquele contexto e que ambos se tornaram amigos.

A partir de ativos da Ebal, Lima construiu o Credcesta, um cartão de benefícios, incluindo consignado, com desconto em folha e direcionado a servidores públicos estaduais e municipais, aposentados e pensionistas. A atuação do banqueiro no grupo Master expandiu as operações do programa de crédito.

Em nota enviada à imprensa, advogados de Lima afirmaram que "as diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias" e que o empresário "está há seis meses à disposição das autoridades" e "sempre atuou nos limites da lei". Leia:

"As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.

De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.

Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública."

PT defende Wagner

Em nota assinada pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, o partido saiu em defesa de Wagner, afirmando que o senador é "depositário de toda a nossa confiança".

A sigla também afirmou apoiar "todas as apurações envolvendo o Banco Master" e confiar que o parlamentar "esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência". Leia:

"O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade. Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência."

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